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A nova CPMF - vulgo: imposto sobre transações - afetaria o setor produtivo e restringiria o crédito
Um compêndio das empirias

Nos últimos meses, vários economistas se manifestaram a respeito da volta de um imposto sobre transações nos moldes da infame CPMF.

Eis um vídeo de Marcos Lisboa, na Globonews, com críticas duras e consistentes ao imposto sobre transações. Armínio Fraga declarou, corretamente, à Jovem Pan que "qualquer imposto na linha do CPMF é um lixo". Bernardo Appy não poupou de críticas a proposta de "Imposto Único sobre Transações Financeiras", que corretamente classificou como desastrosa (aqui e aqui). Affonso Pastore, no Estadão, rotulou impostos na linha da CPMF de "esparrela simplista". Finalmente, Maílson da Nóbrega, na Veja, fala de tributo disfuncional.

A lista certamente irá crescer se você procurar com calma no Google.  

Paulo Guedes defende o imposto dizendo que "se for pequenininho, não machuca", mas deixou claro que só o aceita em troca da desoneração da folha de pagamento. À primeira vista, pode até parecer uma troca positiva, pois a desoneração da folha tem, de fato, uma grande capacidade de estimular a contratação de mão-de-obra.

Entretanto, não é tão simples assim.

Alexandere Schwartsman já fez um ótimo trabalho contra esta postura que ele chamou de "chute" (dizer que uma coisa é melhor que a outra), de modo que este não será o tema deste artigo. Aqui, o objetivo será analisar as consequências de uma CPMF, independentemente de haver ou não desoneração da folha de pagamento.

Evidências

No entanto, empenhado em seguir colecionando avaliações a respeito de impostos sobre transações, saí do Google e fui ao Ideas/Repec procurar textos acadêmicos.

O mais recente que encontrei é de 2019, e foi citado pelo Pastore no artigo do Estadão. Trata-se de um artigo do Felipe Restrepo publicado no Journal of International Money and Finance. Nele, o autor utiliza a experiência de países da América Latina para avaliar o impacto, sobre o crédito e o crescimento industrial, de se taxar transações bancárias.

Já no sumário, ele deixa claro o que encontrou:

Descobriu-se que taxar transações bancárias possui um significante efeito negativo sobre o crescimento econômico, majoritariamente por reduzir as perspectivas de crescimento das indústrias que são mais suscetíveis a variações em seu financiamento.

Ou seja, o tipo de imposto que se cogita ressuscitar tem impacto negativo no crescimento econômico. O autor identifica uma redução no crédito disponível para o setor privado, com aumento da retenção de dinheiro vivo e redução do uso de depósitos bancários.

Essa redução no crédito afeta o crescimento penalizando principalmente indústrias mais sensíveis a distorções no mercado de crédito. O autor faz testes econométricos para verificar se os resultados são robustos e se não podem ser explicados por outros fatores. Os testes não alteram a conclusão de que imposto sobre transações reduz o crescimento econômico.

Andrei Kirilenko e Victoria Summers escreveram um capítulo do livro Taxation of Financial Intermediation: Theory and Practice for Emerging Economies intitulado Bank Debit Taxes: Yield versus Disintermediation (link aqui). Não tive acesso ao livro completo; porém, no capítulo em questão, os autores encontram que a introdução de impostos sobre depósitos bancários aumentou a quantidade de dinheiro fora dos bancos e estimulou a abertura de contas bancárias em outros países.

Os autores também encontraram evidências de criação de novos tipos de operações para driblar o imposto, entre elas passar o mesmo cheque várias vezes antes de descontá-lo. Os autores concluem que as perdas de eficiência relacionadas a esses impostos foram altas e que houve desintermediação financeira na maioria dos países que adotaram o imposto. Esses últimos efeitos, entretanto, não foram encontrados no Brasil, mas os autores acreditam que foi por falta de dados.

A isso, eu acrescentaria que as altíssimas taxas de juros da época podem ter amenizado os efeitos da CPMF. Afinal, a uma SELIC média de 18%, um DI de 6 dias já pagava a taxa de 0,38%. Com as taxas de juros atuais, de 6%, os estragos da nova CPMF – que, tudo indica, terá o nome de Contribuição Previdenciária – devem ser bem maiores.

Em um texto intitulado The Rates and Revenue of Bank Transaction Taxes, que está na série de textos para discussão da OCDE, Jorge Baca-Campodónico, Luiz de Mello e Andrei Kirilenko também estudam as experiências da América Latina com impostos sobre transações. Os autores contam que, para uma dada alíquota, os valores arrecadados caem com o tempo, de forma que, para manter a arrecadação, a alíquota precisa subir de tempos em tempos.

Mas fica pior: os aumentos sucessivos de alíquotas não compensam a redução da base de arrecadação e, quanto mais rápido ocorrem, mais rápido a base de arrecadação diminui. A redução da base ocorre por conta das mudanças de comportamento, comentadas nos parágrafos anteriores.

Vale ressaltar que esse comportamento da arrecadação pode até justificar o apelo para esse tipo de impostos em casos de emergência, mas deixa claro o erro de colocá-lo como parte de uma reforma que pretende reorganizar o sistema tributário do país.

A conclusão de que tais impostos podem funcionar em tempos de crise por levantarem receitas rapidamente pode ser encontrada em um texto assinado por Isaias Coelho, Liam Ebrill e Victoria Summers disponível na página do FMI. Em 2001, ainda não era possível avaliar os efeitos de médio e longo prazo dos impostos sobre transações, mas os autores alertam para distorções alocativas e para o risco de desintermediação financeira. Vale registrar que os autores recomendam evitar esse tipo de tributo.

Também em 2001, Sérgio Mikio Koyama e Márcio Nakane escreveram o texto Os Efeitos da CPMF sobre a Intermediação Financeira para a série de trabalhos para discussão do Banco Central. As conclusões dos autores foram que:

i) a CPMF corrói a sua própria base de arrecadação;

ii) a CPMF reduziu o número de cheques (hoje seriam as TEDs) utilizados na economia;

iii) o efeito da CPMF sobre o M1 é positivo, porém de pequena magnitude;

iv) do ponto de vista de alocação de portfólio, a CPMF provocou um deslocamento das aplicações financeiras dos depósitos a prazo para os fundos financeiros;

v) a CPMF aumenta o spread bancário bruto e reduz o spread bancário líquido, implicando uma menor rentabilidade para todas as partes envolvidas, ou seja, para os tomadores de empréstimos, poupadores e os intermediários financeiros.

Cabe registrar que taxas de juros de 2001 eram bem mais altas que hoje. Naquele ano a meta para a SELIC variou entre 15,25% e 19% contra 6% de hoje. Com taxas maiores, o efeito da CPMF nos empréstimos fica menos perceptível.

Fora do Brasil

Estudando o caso da Colômbia, Luis Ignacio Lozano e Jorge Enrique Ramos escreveram o texto Análisis sobre la incidencia del impuesto del 2 x 1000 a las transacciones Financieras, que está disponível na página do Banco de la República, o Banco Central da Colômbia.

Assim como em outros artigos, foi encontrado que o padrão de arrecadação aumenta logo após a implementação do imposto, havendo uma queda logo na sequência. Tal padrão é compatível com a tese de que as famílias e as empresas reagem ao imposto buscando formas de driblar as transações que passam a ser tributadas. Os autores destacam a queda no número de cheques compensados. Também é observada uma mudança na composição nos portfólios das famílias e empresas.

O artigo Bad Taxation: Disintermediation and Illiquidity in a Bank Account Debits Tax Model, de Pedro Albuquerque, publicado no International Tax and Public Finance  merece especial atenção.

O "Bad", de "BAD taxation", é um acrônimo para "bank account debits" (débitos das contas bancárias). Não foi escolhido por acaso e dá bem o tom das conclusões do artigo. O autor utiliza um modelo de equilíbrio geral dinâmico e faz avaliações empíricas de experiências com impostos sobre transações. As conclusões apontam para a sensibilidade da base de incidência em relação às alíquotas escolhidas, e mostra que o imposto faz com as taxas de juros reais aumentem e gera perdas de eficiência relativamente altas, mesmo quando as receitas tributárias são pequenas.

Assim como Isaias Coelho, Liam Ebrill e Victoria Summers, o autor não recomenda o uso desse tipo de impostos para aumentar receitas.

Essa breve revisão de literatura termina com um artigo escrito por William D. Lastrapes e George Selgin e publicado em 1997 no The Journal of Economic History intitulado The Check Tax: Fiscal Folly and the Great Monetary Contraction.

O artigo trata de uma taxa de dois cents por cheque, que valeu entre junho de 1932 e dezembro de 1934 nos EUA. Os autores concluem que a taxa contribuiu para a contração monetária da época. A conclusão termina com um registro sobre a irresponsabilidade dos legisladores, que aprovaram a taxa mesmo tendo recebido alertas sobre o efeito da taxa na economia. Preferiram acreditar nas promessas de Andrew Mellon, então secretário do Tesouro, de que a taxa era inofensiva. Curiosamente, a taxa foi rejeitada pelos deputados e ressuscitada por senadores.

Podemos apenas esperar que nossos legisladores sejam mais responsáveis que os dos EUA do começo da década de 1930.

Finalizando

Espero que a pequena revisão de literatura ajude a convencer a respeito dos efeitos nefastos de impostos sobre transações na economia, especialmente em relação ao uso do sistema financeiro.

Considerando o Brasil de hoje, temos um agravante: desde 2016, começamos uma série de reformas visando fortalecer o financiamento privado no país. Nessa leva estão, por exemplo, o cadastro positivo (que só entra em vigor em setembro), a redução dos recursos disponibilizados ao BNDES e a substituição da TJLP pela TLP, reduzindo a atratividade do BNDES. A ideia é que o Brasil pós-crise tenha um sistema de financiamento mais saudável, mais acessível e menos dominado pelo compadrio. Quero crer que a atual equipe econômica concorda com esse diagnóstico.

Colocar um imposto sobre transações é um desserviço ao esforço de fortalecer o financiamento privado. Somem-se a isso as alíquotas altas — falam de 0,44% (0,22% nas duas pontas) contra 0,38% da antiga CPMF, que incidia só sobre o pagador — e as taxas de juros baixas e a imagem da bomba atômica usada pelo secretário especial da Receita Federal pode muito bem ser usada para o sistema financeiro.

Jogar uma bomba atômica no mercado de intermediação financeira será um dos maiores ataques à agenda de reformas desde que ela foi retomada com a chegada de Temer ao Planalto.

 


autor

Roberto Ellery
é professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), articulista do Instituto Liberal, e participa de debates sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos de longo prazo das políticas de investimento.

  • Mauri  28/08/2019 18:35
    Parece que os nossos economistas do "mistério da fazenda" utilizam muito a metodologia do Cálculo Hipotético Universal de Tentativas e Erros (C.H.U.T.E) para propor um besteira desta.

    Até o Bolsonaro já disse que era contra, quase perdeu a eleição quando falaram que ele iria volta com a CPMF e agora parece que querem ressucistar o monstro.
  • Questionador  28/08/2019 20:37
    HAHAHAHAHA

    Gostei do C.H.U.T.E.!
  • Geraldo  28/08/2019 21:47
    Sim, belo acrônimo! Descreve perfeitamente o modo de agir não só do Ministério da Economia, mas de todo o governo.
  • Sávio  28/08/2019 18:39
    Caso a tragédia aconteça e ela seja recriada, pode-se esperar isso daqui?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2830
  • Bernardo  28/08/2019 18:43
    Sim, totalmente. Será outro tiro.
  • Vitor  28/08/2019 18:56
    Excelente e vasto catálogo de trabalhos acadêmicos. Quem quiser fazer um mestrado no assunto já consegue por aqui.
  • Carlos Alberto  28/08/2019 19:03
    Dois! Muito bom mesmo o compilado. Uma pérola.
  • Pobre Paulista  28/08/2019 18:58
    E o câmbio, ó...
  • Kennedy C.  28/08/2019 19:30
    Pois é. Não é possível que essa negligência com a moeda continue, alguém tem que advertir seriamente o PG ou Bolsonaro sobre isso. Não tem nenhum austríaco aqui do instituto que tenha contato com a equipe econômica?
  • Leandro  28/08/2019 20:43
    E o mais desanimador é que é realmente muito fácil fazer o dólar baixar. Mas o BACEN não o faz porque morre de medo de ser visto como uma instituição que não mais está respeitando o "sacrossanto câmbio flutuante", que nunca gerou desenvolvimento em lugar nenhum do mundo.

    Os países ricos enriqueceram sob o padrão-ouro, com câmbio fixo entre eles. Os tigres asiáticos utilizaram Currency Board e câmbio atrelado. A China utilizou câmbio fixo até 2005, e depois valorizou sua moeda. Já o Japão tem uma moeda que só se valoriza. Enquanto isso, os países da América Latina só se tornaram minimamente estáveis quando adotaram o câmbio atrelado. Depois que deixaram flutuar, se estagnaram (com um breve hiato entre 2005 e 2010, quando suas moedas se apreciaram por causa do dólar fração).

    O que BACEN deve fazer? A resposta é simples, mas é preciso antes entender as causas do problema.

    1) O dólar está encarecendo porque as pessoas estão vendendo reais e comprando dólar. Básico.

    2) Elas estão fazendo isso por vários motivos, mas o principal é: acham que ter dólar é mais seguro que ter real. (E quem discorda?)

    3) Consequentemente, elas começaram a comprar dólar como se não houvesse amanhã. Por isso, o dólar saiu de R$ 3,75 ao final de julho para os R$ 4,15.

    4) Quanto mais elas percebiam que o BC nada fazia para conter o derretimento do real (porque, de novo, não quer ser visto como um violador da sacrossantidade do câmbio flutuante), mais as compras de dólar se aceleravam. Lógico: quem é que vai querer portar uma moeda que não é defendida nem mesmo pela suposta autoridade monetária que a emite?

    5) Aí, ontem, quando o dólar bateu em R$ 4,20, uma cotação humilhante (só alcançada em setembro de 2015, no auge do descontrole do governo Dilma), o BC finalmente acordou e fez a primeira coisa certa: anunciou um leilão surpresa de dólar a R$ 4,13.

    6) Obviamente, a cotação do dólar imediatamente caiu para R$ 4,13. E fechou a R$ 4,15.

    7) Hoje, ficou impressionantemente o tempo todo em R$ 4,15. Com uma estabilidade que não se via há muito.

    8) O motivo é óbvio: pela primeira vez, os especuladores perceberam que o BC impôs uma espécie de "teto" para o dólar (R$ 4,20), acima do qual irá acionar leilões surpresas.

    9) Essa simples ameaça de fazer leilões surpresas a preços menores que os vigentes possui um efeito devastador sobre a demanda por dólar. Se você sabe que a qualquer momento o BC (que tem nada menos que US$ 370 bihões em reservas) pode entrar em cena e vender dólares a um preço menor que o atual, por que então você irá se arriscar a comprar dólares apenas para especular, acreditando que ele irá se valorizar para sempre?

    10) Isso, e apenas isso, já basta para quebrar totalmente a demanda por dólar para motivos de especulação, e prontamente devolve uma maior confiança ao real.

    11) Por isso o câmbio não se mexeu hoje. Não há mais aquela demanda por dólar apenas para especular. Especulador não mais está naquela zona de conforto, em que bastava comprar dólar e esperar sua inevitável valorização.

    12) Por isso, a única coisa que o BC precisa fazer é continuar anunciando leilões surpresas, cada um preço menor que o outro. E o que é melhor: nem precisa vender quantias vultosas de dólar. Uns três leilões surpresa de uns US$ 200 milhões por leilão (0,16% das reserva, ou seja, nada) já basta para quebrar completamente a demanda especulativa por dólar.

    13) Ninguém mais irá querer comprar dólar apenas para fazer hedge, pois sabe que não mais há espaço para grandes desvalorizações.

    Só isso. Não há controle de preços nem controle de câmbio. Há apenas uma instituição vendendo dólares (para quem voluntariamente quiser comprar) a preços menores que o vigente no meio especulativo. (E ninguém é obrigado a comprar os dólares.)

    Essas medidas, além de estabilizar o câmbio (e a economia), ainda teriam o efeito positivo de estimular investimentos estrangeiros, que agora teriam segurança para vir para cá.

    Por fim, duas observações:

    a) O atual BC compra e vende títulos a preços por ele determinados com o objetivo de fazer a taxa de juros do mercado interbancário (a SELIC) ficar dentro de um valor que ele próprio estabeleceu. No arranjo acima, o BC compraria e venderia dólares a preços por ele determinados com o objetivo de fazer a taxa de câmbio cair para um valor bem abaixo do atual.

    Por que o primeiro arranjo é tido como o normal e o segundo é visto como heresia pelo "senso comum econômico" atual?

    Mais: por que faz sentido controlar juros de empréstimo de curto prazo e não faz sentido controlar o poder de compra da moeda? A prioridade não deveria ser exatamente o contrário?
  • Imperion  28/08/2019 21:22
    Leandro, vender dolares das reservas funciona como um current board. Ou é difereente?
  • Leandro  28/08/2019 22:39
    Para ser Currency Board, ele teria de comprar e vender a um valor fixo e imutável, a qualquer momento, sempre que demandado. Não é o caso.
  • Imperion  29/08/2019 14:18
    Perfeito! Obrigado pela resposta.
  • Questionador  28/08/2019 21:29
    Excelente comentário, Sr. Leandro!
  • Um humilde investidor  28/08/2019 21:44
    Mestre Leandro,

    Não seria um erro do BACEN tentar fixar o câmbio ao mesmo tempo em que os juros também são fixados?

    Pergunto humildemente pois me recordo da faculdade de economia (Keynesiana, diga-se), onde a fixação da politica fiscal, monetária e cambial simultaneamente gera desequilíbrios em alguma(s) dela(s).

    Portanto, dado que fiscal é relativamente fixo pelo orçamento e o BACEN decidiu por juros fixos, o câmbio precisa ficar solto para manter o equilíbrio funcionando.

    Falando apenas na atual estrutura da política do BACEN (sem currency board, câmbio flutuante, metas de inflação, juros fixados), não seria inviável manter um câmbio estável dessa maneira no longo prazo? Não correríamos o risco de queimar as reservas lentamente?

    Obrigado
  • Leandro  28/08/2019 22:37
    "Não seria um erro do BACEN tentar fixar o câmbio ao mesmo tempo em que os juros também são fixados?"

    Totalmente. É impossível fazer os dois ao mesmo tempo.

    Por isso que isso (fixação de preços) nem sequer foi aventado.

    "Pergunto humildemente pois me recordo da faculdade de economia (Keynesiana, diga-se), onde a fixação da politica fiscal, monetária e cambial simultaneamente gera desequilíbrios em alguma(s) dela(s)."

    Sim, é uma versão da trindade impossível. Se você fixa o câmbio (como em um Currency Board), não tem como controlar nem a base monetária e nem os juros. Se você fixa os juros (como faz o Banco Central atual), você não controla nem o câmbio e nem a base monetária. Se você fixa a base monetária, você não controla nem câmbio nem juros.

    "Portanto, dado que fiscal é relativamente fixo pelo orçamento e o BACEN decidiu por juros fixos, o câmbio precisa ficar solto para manter o equilíbrio funcionando."

    O câmbio continua totalmente solto no exemplo acima. O BACEN simplesmente irá vender, de surpresa, dólares em algumas ocasiões. Apenas isso. E, para não alterar a base monetária (e, com isso, não tirar a SELIC do lugar), ele pode comprar e vender dólares ao mesmo tempo nesta operação.

    Exemplo: o dólar está a R$ 4,15 e especulador está inseguro e querendo mais dólares porque não confia no real. Aí surge o BC de surpresa e anuncia que irá vender dólares a R$ 4,11 e comprar a R$ 4,10. E fará isso utilizando uma quantia "exígua" de dólares (uns US$ 200 ou 500 milhões).

    Pronto. A demanda por dólar para fins especulativos cai. Especulador começa a ficar inseguro. Ele vai pensar: "E se eu voltar a comprar dólar a R$ 4,15 e o BC surgir de novo vendendo a R$ 4,10? Vou ter prejuízo. Melhor não. Vou ficar com o real, mesmo"). A demanda por real aumenta.

    Não houve nenhum controle de preços e nem de câmbio. Tudo continua livre. Todo mundo pode continuar comprando e vendendo moeda à vontade. Apenas surgiu um novo agente no mercado ofertando um bem a um preço menor. E esse agente pode surgir novamente de surpresa a qualquer momento. Nada de errado.

    "Falando apenas na atual estrutura da política do BACEN (sem currency board, câmbio flutuante, metas de inflação, juros fixados), não seria inviável manter um câmbio estável dessa maneira no longo prazo? Não correríamos o risco de queimar as reservas lentamente?"

    Não é para longo prazo. É apenas para estes momentos de alta insegurança e incerteza, em que todos querem abandonar uma moeda e ir correndo para se proteger em outra. Se nada for feito, aí sim essa fuga vira um dilúvio impossível de ser revertido. Tem que ser agora enquanto ainda é reversível.

    E aí, garantindo essa demanda para o real, tão logo passe a incerteza, o câmbio volta para o valor de antes. Ele estava em R$ 3,75 no final de julho; de lá pra cá, não ocorreu nada na moeda que justifique essa desvalorização; foi apenas pânico e busca pela segurança do dólar. Porém, se a autoridade que emite o real continuar dando sinais de que não se importa com sua moeda, então aí mesmo é que a debandada se torna generalizada. E aí acabou. A confiança não volta tão cedo. E o investidor estrangeiro jamais virá.


    O ponto é: Banco Central nem deveria existir. Mas, dado que ele existe, dado que ele detém o monopólio da moeda, e dado que os brasileiros são obrigados a aceitar esta moeda, então o mínimo que o BC tem de fazer é ofertar uma moeda minimamente estável e com poder de compra. Se até isso ele se recusa a fazer (como é o caso do atual), então que fechem logo essa tranqueira e dolarizem a economia.
  • Amorim  03/09/2019 15:05
    Grande, Leandro! Seu comentário valeu mais que o artigo!
  • Leandro  03/09/2019 18:11
    Obrigado pela consideração, prezado Amorin. Grande abraço!
  • Skeptic  03/09/2019 15:34
    Leandro, por que um Currency Board seria melhor que fixar a base monetária?
  • Leandro  03/09/2019 18:14
    Fixar a base monetária é, acima de tudo, anti-liberdade. Se vivêssemos sob um padrão-ouro, a base monetária não seria fixa (aumentaria à medida que ouro novo fosse sendo minerado e jogado na economia). Se vivêssemos em um arranjo de livre concorrência de moedas, a base monetária não seria fixa (cada nova moeda significaria um aumento da base monetária). Se vivêssemos sob um Currency Board (mesmo um ancorado ao ouro), a base monetária não seria fixa.

    Com efeito, fixar a base monetária nada mais é do que uma espécie de planejamento central. (Eu mesmo já defendi essa idéia, mas abandonei ao ver que não faz sentido).

    Controlar a quantidade de moeda faz muito menos sentido do que atuar diretamente sobre seu poder de compra (que é o que realmente interessa para a população).
  • Kennedy C.  28/08/2019 21:50
    Muito obrigado por mais uma ótima explicação, Leandro. É algo tão simples... realmente, não consigo compreender essa paixão/passividade que o Paulo Guedes/Equipe Econômica tem com o câmbio flutuante, logo um cara que deveria ser muito mais próximo dos nossos ideais do que os governos anteriores, mesmo sendo de Chicago.

    Parece que ainda é sonhar demais pelo menos um Currency Board com o dólar como cláusula pétrea...
  • Felipe Lange  28/08/2019 21:54
    O câmbio atrelado é uma bela de uma porcaria também, vulnerável a ataques especulativos e que funciona só temporariamente. O melhor de fato seria um câmbio fixo ou o BCB deixar o dólar americano circular livremente, como ocorre no Peru.
  • Dedé  29/08/2019 13:04
    O que não entendo é como o Japão com dívida de 250% do PIB e adotando políticas monetárias expansionistas a mais de 1 década, consegue ter uma moeda valorizada.
  • Leandro  29/08/2019 13:41
    Essa é fácil: porque a demanda pelo iene é alta.

    No final, o que define a robustez de uma moeda é exatamente a demanda por ela ao redor do mundo. Se uma moeda é muito demandada, as pessoas estarão dispostas a fazer de tudo por ela, o que obviamente inclui oferecer qualquer coisa a preços baixos. Daí vem a força dela.

    E por que a demanda pelo iene é alta? Pode parecer clichê, mas é a verdade: porque todo mundo confia em japonês. A chance de seu governo dar um calote é nula. Até hoje, nenhum governo foi mais rigoroso no pagamento de suas dívidas do que o governo japonês. Ele pagou até mesmo os títulos que emitiu para financiar seu esforço de guerra.

    Sendo o governo japonês o emissor da moeda, e sendo ele, em última instância, o garantidor desta moeda, não há motivos para ela ter baixa demanda.

    Por fim, nos últimos 10 anos, a oferta monetária total no Japão cresceu a um ritmo de 2,5% ao ano. Trata-se de uma taxa baixíssima.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/japan-money-supply-m3.png?s=japanmonsupm3&v=201908101009V20190821&d1=20090829&d2=20190829
  • Leigo  29/08/2019 20:45
    "Muito obrigado por mais uma ótima explicação, Leandro. É algo tão simples... realmente, não consigo compreender essa paixão/passividade que o Paulo Guedes/Equipe Econômica tem com o câmbio flutuante, logo um cara que deveria ser muito mais próximo dos nossos ideais do que os governos anteriores, mesmo sendo de Chicago."

    Quem sabe o Paulo Guedes já entrou pra política e vai manter o dólar nesse patamar no início do governo, no final irá adotar algum meio que o faça baixar. Ou, simplesmente, acredita no dogma do câmbio flutuante.
  • Sérgio  30/08/2019 22:08
    Isso de vender dólares é exatamente o que o Guedes está fazendo. Essa política não é nenhuma genialidade do Guedes e nem do Leandro. Era a política monetária há dez anos atrás, na época do Lula. No entanto, o nosso Ministro é da teoria que o Real não pode valorizar muito, pois se o Real se valorizar, prejudica o setor exportador. Foi o que ele disse nesta entrevista:

    "Se o dólar for a R$ 4,20, R$ 4,30, R$ 5, vai ser muito interessante. Se você vender US$ 100 bilhões a R$ 5, são R$ 500 bilhões. Isso significa que você vai, na mesma hora, recomprar a dívida interna. Em vez de ter R$ 3,5 trilhões de dívida, tenho só R$ 3 trilhões. Isso num cenário de crise. Sem crise não. O dólar agora está a R$ 3,60. Para que eu vou vender? Para derrubar exportação?


    Na minha opinião, o Guedes estabeleceu um teto e um piso para o dólar. Talvez o teto do Guedes para o valor do dólar seja R$ 4,20, e o piso seja R$ 3,60.
  • Nino   04/09/2019 21:08
    Depois de uma aula dessa gostaria de agradecer imensamente por tamanha gentileza e desprendimento de tempo.
  • Luzimar Fugueiredo Teixeira  05/09/2019 22:51
    Na minha ignorância, me explica por favor, os benefícios de dolarizar a economia?
  • Felipe Lange  28/08/2019 19:08
    Os caras querem roubar o seu dinheiro à todo custo.
  • Breno Vasconcelos   28/08/2019 19:34
    É fácil prever o que irá acontecer: cheques com sucessivos endossos, aumento do uso de papel moeda (gerando desbancarização), verticalização dos grupos empresariais, migração de operações para o exterior e, como estamos na era da tecnologia, não tardará a ser criado aplicativo para reunir credores e devedores em uma câmara de compensações, com o pagamento final apenas sobre a diferença.

    A queda da arrecadação forçará o governo a elevar a alíquota, penalizando ainda mais o assalariado e o pobre, que não conseguirão escapar de sua incidência, ou a criar novos tributos, voltando ao problema original.

    O crédito ficará mais caro, investimentos mais raros. Cumulativo ao longo da cadeia produtiva, ou seja, incidindo sobre ele mesmo em cada nova etapa, sua alíquota baixa será apenas uma ilusão: a alíquota real será maior quanto mais longa for a cadeia.

    Também pela sua cumulatividade, será impossível retirar o tributo do preço para exportarmos somente produtos, diminuindo a competitividade da indústria brasileira no mercado global.

    Não deve ser à toa que, entre todos os países do mundo, esse tributo é adotado com fins arrecadatórios apenas na Venezuela...
  • AGB  28/08/2019 20:04
    Na Argentina também existe...
  • Bruno  29/08/2019 12:00
    Então compra bitcoin !
  • Everton  30/08/2019 06:52
    E qual seria seu imposto único então? O iva? O sobre o consumo que é quase o mesmo que a cpmf? Essa história de verticalizar a economia. Com quase 92 impostos a pagar, se fossem verticalizar já teriam feito faz tempo. Nào existe isso. Mesmo que ocorresse existem vantagens em não verticalizar mesmo pagando cpmf.
  • HELLITON SOARES MESQUITA  28/08/2019 20:08
    Ainda tenho duvidas sobre isso. 0,44 centavos a cada 100,00R$ ou encargos trabalhistas. Não sei o que é pior. Sim estamos falando de menos pior, afinal todo imposto é ruim.
  • Questionador  28/08/2019 21:30
    A nova CPMF é ainda pior.
  • Andre  29/08/2019 12:31
    Com CPMF o pipoqueiro perneta no interior de Alagoas pagará encargo trabalhista de médico do hospital Albert Einstein filho de casal de desembargadores.
  • Everton  30/08/2019 01:32
    Já paga. Porque todo imposto no fim das contas cai sobre o consumidor final. Ou seja , o encargo trabalhista do médico vai ser jogado na conta do hospital. Aí o pobre não tem acesso ao hospital porque ficou caro. E se por ventura vier a ter dinheiro, vai pagar o encargo na hora de pagar a conta hospitalar. Ou seja, cpmf é bem melhor e bem menos burocrático que encargo trabalhista.
  • Carlos Alberto  30/08/2019 02:05
    Não, não existe isso de imposto é repassado para o consumidor. Qualquer um que já administrou uma carrocinha de pipoca sabe disso. É logicamente impossível você repassar integralmente todos os impostos para os consumidores. Isso atenta contra o básico da economia.

    Quer saber por que em detalhes? Fique à vontade:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2830
  • Everton  30/08/2019 02:40
    O erro que acabou com o artigo é quando ele pergunta por que não aumentou o preço antes do imposto? E responde que então não repassam. O que ocorre no imposto é que ele dificulta ou torna impossível a venda e o consumo. Por isso o assunto é o mais sério e grave, pois imposto gera miséria.Se eu vendo água cem reais e o governo passa a me cobrar 20% de imposto, sou obrigado a vender por 120 para ter o mesmo lucro anterior, porque se eu passar a lucrar só 80 em vez de cem esses 80 não pagam minha sobrevivência e eu vou a falência. Ou seja, imposto barra a venda e o consumo. Não a toa você fica desempregado ou falido. É como a Ferrari. Quase não se vende aqui e quase ninguém compra por culpa dos impostos e ipva. Ou seja, todo e qualquer imposto é repassado ao consumidor. Até o iptu. Se me cobram 200 por mês de iptu, sou obrigado a cobrar dos empresários um salário de 1200, porque um salário de mil não me mantém vivo. Não a toa brasileiros morrem de fome, sem casa, sem remédio sem nada. Imposto só gera miséria, quanto mais os 92 que pagamos.
  • Carlos Alberto  30/08/2019 03:33
    "O que ocorre no imposto é que ele dificulta ou torna impossível a venda e o consumo."

    Correto. E exatamente por isso você não tem como repassar a integralidade do imposto. Você repassa uma parte, e absorve a outra. E isso ferra todo mundo.

    É exatamente disso que o artigo linkado fala, mas você, pelo visto, não entendeu.

    "Por isso o assunto é o mais sério e grave, pois imposto gera miséria."

    Correto.

    "Se eu vendo água cem reais e o governo passa a me cobrar 20% de imposto, sou obrigado a vender por 120 para ter o mesmo lucro anterior, porque se eu passar a lucrar só 80 em vez de cem esses 80 não pagam minha sobrevivência e eu vou a falência."

    Só que você não tem como aumentar o preço da sua água de 100 para 120. Se você fizer isso, a demanda por seu produto desabará. Você irá aumentar em, no máximo, $10, e absorverá os outros $10.

    Todo empreendedor que trabalha em mercado competitivo faz isso.

    E sim, se fosse possível repassar a integralidade do imposto, então por que diabos você já não estava cobrando $120? Precisou do imposto para te dar esse empurrãozinho?

    (Vale lembrar que nem mesmo postos de gasolina repassam a integralidade dos aumentos da Petrobras.)

    "O erro que acabou com o artigo é quando ele pergunta por que não aumentou o preço antes do imposto? E responde que então não repassam."

    Explicado acima. Você, pelo visto, não soube interpretar, pois logo abaixo você concordará com o autor e entrará em contradição com si próprio.

    "Até o iptu. Se me cobram 200 por mês de iptu, sou obrigado a cobrar dos empresários um salário de 1200, porque um salário de mil não me mantém vivo. Não a toa brasileiros morrem de fome, sem casa, sem remédio sem nada"

    Exato! Se você "repassar" para seu patrão o valor do seu IPTU, exigindo que ele incorpore o valor do seu IPTU ao seu salário, você simplesmente irá ficar desempregado. Você não consegue exigir que seu salário seja acrescido do valor que você paga de IPTU.

    Eis aí um perfeito exemplo de como você – o vendedor de sua mão-de-obra – não consegue repassar ao consumidor – a pessoa que está comprando sua mão-de-obra – os impostos.
  • Everton  30/08/2019 06:47
    Vou comentar o seu ultimo parágrafo. Eu repasso totalmente meu iptu ao empregador. Simplesmente porque se eu aceitar um salário de mil reais, tendo que pagar 200 de iptu, no dia 20 eu vou trabalhar com fome e sede e morrer no trabalho. Então fica melhor nem ir. Morro do mesmo jeito. E é exatamente por isso que milhões faliram. Não compensou manter o carrinho de pipoca quando as vendas caíram e os impostos continuaram ou o mesmo ou aumentando. O carrinho faliu. E assim o hospital é obrigado a repassar a folha de pagamento dos funcionários, quando absorve uma parte, é menos lucro, o que é terrível. Sendo assim todo imposto acaba sendo repassado, quando não ocorre em sua totalidade, o lucro é menos, e com menor lucro pior o progresso. Assim o hospital deixa de comprar minha pipoca, ou seja,não repassou em totalidade para o paciente, e por causa disso ficou sem lucro pra comprar minha pipoca. E já que todo imposto é repassado, é melhor ter o único em forma de cpmf. Não vejo qual outro imposto seria melhor para ser único.
  • erro de cálculo  30/08/2019 23:21
    "Se eu vendo água cem reais e o governo passa a me cobrar 20% de imposto, sou obrigado a vender por 120 para ter o mesmo lucro anterior, porque se eu passar a lucrar só 80 em vez de cem esses 80 não pagam minha sobrevivência e eu vou a falência."

    Só acho que tem um erro de cálculo aí. Se você vende a água por R$ 100,00 e o governo cria um imposto sobre o consumo de 20%, isto significa que R$ 100,00 equivale a 80% (ou 4/5) do que não é tributado. Assim sendo, se o governo cria um imposto de 20% sobre o consumo, o preço vai a R$ 125,00.
  • Wassily Leontief  28/08/2019 20:08
    Na prática só mudaram o nome.
  • Questionador  28/08/2019 20:42
    A verdade toda é que Paulo Guedes, apesar da sua retórica, defende muita coisa perniciosa e anti-liberdade.

    Essa insistência com uma nova CPMF e a negligência com que lida com o câmbio são terríveis para o país.
  • Questionador  28/08/2019 21:39
    As pessoas deveriam ler este artigo:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3052
  • Pedro  28/08/2019 21:34
    Há um lado positivo: vai incentivar o uso de Bitcoin e outras criptomoedas.
  • Bruno  29/08/2019 12:01
    Vai sim!
  • Juan  28/08/2019 21:58
    Roberto, qual seria uma alternativa viável econômica e politicamente para este imposto na reforma tributária? O Paulo Guedes pretende compensar este imposto com a desoneração da folha de pagamento. Considerando que ele faça isso, esse imposto não seria viável no contexto atual até uma eventual reeleição do Bolsonaro, onde, com uma nova renovação do Congresso, ele poderia passar uma reforma tributária mais profunda e eficiente?
  • Lucas  28/08/2019 22:30
    Como o Brasil tem carga tributária alta, o IVA que está sendo elaborado vai precisar de uma alíquota alta. Sabemos que quanto mais alto, maior é a sonegação. E a sonegação introduz ineficiencia e injustiça, pois o governo compensa a sonegação cobrando mais de quem não sonega. Minha dúvida é se alguém já calculou o que é pior dentre um IVA mais alto, que por consequência aumenta a sonegação, e um IVA mais baixo com imposto em transação financeira.
  • Como funcionará?  28/08/2019 22:34
    É proposta do Marcos Cintra. Aqui ele explica como funciona este imposto:

    "A proposta do professor Marcos Cintra prevê a substituição de vários impostos por apenas um. O Imposto Único seria de apenas 2,81% para quem paga e 2,81% para quem recebe em todas as transações financeiras, tais como cheques, ordens de pagamento, DOCs, TEDs, transferências eletrônicas etc. Veja um exemplo: Se você emite um cheque de R$ 100,00 para uma pessoa haveria um desconto em sua conta-corrente de R$ 102,81. A pessoa para quem você passou o cheque receberia um crédito em sua conta-corrente de R$ 97,19. Portanto, nessa transação o governo arrecadaria R$ 5,61."
  • Questionador  28/08/2019 22:50
    Que horror.
  • Vinícius  29/08/2019 01:35
    O Cintra defende isso desde a década de 1980. A campanha presidencial do Afif, em 1989, já tinha essa bandeira.

    Agora olha só, a cada transação, 5,61% é confiscado pelo governo. Imagine isso ao longo de uma cadeia produtiva enorme? Quando o dinheiro chegasse ao fornecedor final, o saldo ia ser negativo rsrsrs...
  • PauloHMB  29/08/2019 02:17
    Cintra é um ideologo maluco, o Guedes COGITAR aceitar essa insanidade faz a nota dele sair de 7 para 3; Ainda acho que ele faz isso para não ter de chutar o cintra do cargo, iludindo ele que isso tem alguma chance de passar no congresso;
    Felizmente, o congresso serve para algo, e já declarou que não vai aceitar esse imposto.
    O que não impede danos, o governo poderia estar articulando algum outro menos ruim ao invés de se desgastar com isso.

    Levantou a bola pro congresso chutar;
  • Juan  29/08/2019 20:45
    Segundo o Cintra teve um estudo realizado pelo IBGE avaliando o impacto de um imposto assim sobre mais de 100 produtos, se eu não me engano. E o resultado foi uma distorção significativamente menor sobre os preços. Então, mesmo que resultasse em uma carga tributária igual a atual e gerasse a mesma distorção devido a cumulatividade ainda seria mais vantajoso por não ter custo com burocracia e poder ser facilmente sonegado com dinheiro em espécie e criptomoedas. E a distorção sobre os preços seria tanto menor quanto mais baixa fosse a alíquota. O problema mesmo é esse efeito de longo prazo sobre o crédito mencionado no artigo.
  • Tannhauser  30/08/2019 01:17
    Caramba! Um imposto de 5% não é alto????
  • raphael  28/08/2019 23:23
    essa historia de "compensar" novo imposto com desoneracao eh um tremendo bode na sala isso sim
    na epoca que a CPMF foi "extinta" outros impostos foram majorados
    o papai estado nunca abre mao do assalto, soh muda de vitima ou de MO
  • anônimo  29/08/2019 00:04
    Alguém tem que falar com o Guedes, especialmente na questão monetária.
  • Everton  29/08/2019 00:35
    Eu acho o melhor imposto. Pois é prático, automático e insonegável. E deveria ser imposto único mesmo! Fim de ipva, iptu e todos os outros 92. O artigo cita o cheque que ninguém mais usa. Mas se isso se tornasse um problema, basta digitalizar a moeda. Agora, do autor do artigo, qual a proposta? O lixo burocrátivo do iva? O IVA que pode ser usado como vantagens para setores? No Chile os políticos deram vantagem aos setor de turismo. E o custo gigante de fiscalizar o iva?Qual outra proposta? Manter os 92 impostos? Todo imposto é um lixo, mas o melhor é sim o imposto único nas transações. Se não for esse como imposto único, qual seria a proposta? Criar 3? 5? Qual imposto seria usado como único para todos?
  • Ribeiro  29/08/2019 01:28
    IVA é tão nocivo quanto.

    Agora, já que é pra ter imposto (pois ninguém aceita viver sem político, e ninguém sabe cuidar de si próprio se não houver um burocrata dando ordem), então que ao menos se escolha o arranjo mais lógico. Este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=667
  • Everton  29/08/2019 18:35
    Imposto sobre o consumo é a cpmf. Sobre transações. No artigo que vc se referiu fala sobre taxar produtos diferentes. Acho isso pior ainda. Ainda defendo a cpmf como único imposto. Prático, rápido, não declaratótio, governo não gasta 1 centavo pra fiscalizar e não é vantagista. Ninguém usa mais cheque. E verticalização da economia é a concorrência quem determina. Se fosse pra ocorrer a verticalização já teria ocorrido com 92 impostos a pagar.
  • Andre  29/08/2019 19:34
    "Ninguém usa mais cheque."

    cadernomercado.com.br/numero-de-cheques-compensados-em-dezembro-caiu-46/

    "A mostra realizada pelo Banco Central identificou que foram compensados 122,6 mil cheques em Sergipe, no mês de dezembro de 2018."

    122mil cheques compensados nos 30 dias de dezembor de 2018 num estado brasileiro completamente irrelevante economicamente, brasileiros desinformados e seu hábito de espalhar subsabedoria, não é de se admirar que o país esteja na situação difícil que está e não dá sinais de que sairá dela.
  • Everton  30/08/2019 01:24
    Exato. Como diz a matéria, caiu o uso justo num estado ainda com baixa expressão economica. Ou seja, que tem menos acesso a tecnologia.hoje já se paga conta com identificação facial. Os shoppings no EUA falindo porque as pessoas estão comprando virtualmente. E vc acha que trocar 92 impostos por um imposto único vai fazer as pessoas abrirem mão da tecnologia pra usar cheque? Mesmo que isso surrealmente ocorresse, basta digitalizar a moeda. Agora qual sua proposta? Ter 3 impostos? 5? Qual seria seu imposto único? O iva? Iptu? Qual seria melhor que a cpmf?
  • Vinicius  30/08/2019 02:19
    122mil cheques em 1 mês no Sergipe ainda é um baita de um número. Não sabia que poderia ser tão alto ainda. O cheque ainda é a única ordem de pagamento expressa com rastreabilidade que uma pessoas física pode emitir a outra pessoa física e que pode ser usada para reclamar um bem comprado, pago e não entregue, além de ser crédito gratuito sem depender de uma instituição bancária. Cartões e transferência por celular ainda precisam evoluir muito pra atingir essas 2 características.
  • Menestrel da Podridão  29/08/2019 12:06
    Chupa-saco de político,
    De governante imoral.
    Brasileiro é enfermo crítico
    De dependência estatal

    Poesia anarcocapitalista não é ideologia, cazzo!

  • Constatação  29/08/2019 11:45
    Quando vão desistir de fazer esse espírito voltar do limbo,, hein...
  • recessão  29/08/2019 16:08
    Amigos é real agora?

    www.treasury.gov/resource-center/data-chart-center/interest-rates/Pages/TextView.aspx?data=yield
  • Ainda não  29/08/2019 16:27
    Não mais. Já desinverteu hoje. Ficar invertida só durantes algumas horas não basta. Tem de ficar pelo menos um mês. Economia lá segue forte.
  • Estado o Defensor do Povo  29/08/2019 16:57
    Mais imposto é menos liberdade, esses nossos governantes não estão fazendo jus ao nosso hino nacional:

    "E o sol da liberdade, em raios fúlgidos
    Brilhou no céu da pátria nesse instante"

    Pelo menos as ideias de liberdade no Brasil estão crescendo bastante, então ponho mais fé nesse trecho:

    "És belo, és forte, impávido colosso
    E o teu futuro espelha essa grandeza".

    Sou libertário, mas gosto muito do hino nacional brasileiro, só esse trecho que não gosto:

    "Mas, se ergues da justiça a clava forte
    Verás que um filho teu não foge à luta
    Nem teme, quem te adora, a própria morte"

    Eu não morreria pela pátria nem ferrando.

    Quais as diferenças entre esse CPMF e o IOF?
  • Jorge  29/08/2019 17:18
    qual seria o imposto com menor efeitos nocivos na economia?
  • Questionador  29/08/2019 19:18
    O imposto sobre o consumo.

    Leia esta thread:
    twitter.com/de_werlang/status/1144374620042215425

    Depois leia este artigo primoroso do Sr. Leandro:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=667
  • Everton  30/08/2019 01:27
    Não compreendi a diferença entre imposto sobre consumo e a cpmf. Os dois vão ser cobrados na transação financeira. Qual a diferença?
  • Daniel  30/08/2019 02:04
    Imposto sobre consumo incide sobre o valor final de um bem. Você compra algo que custa $ 100 e tem de pagar mais, digamos, $ 5 de imposto. Valor final, $ 105

    CPMF incide sobre toda e qualquer movimentação bancária.
  • Everton  30/08/2019 02:50
    Obrigado pela explicação. É quase a mesma coisa então, só que aborda cheque e dinheiro, mas o imposto sobre consumo é burocrático para fiscalizar e declaratório. Colocando a cpmf tiramos o custo burocrático e da declaração. Vale lembrar que por lei temos cartel de bancos e internet. Imagina tirando esse cartel. Vai ser tanto a facilidade e o estímulo ao uso da transação bancária que quase ninguém vai optar por dinheiro e cheque. E caso isso viesse a ocorrer, é só digitalizar o dinheiro.
  • Estado o Defensor do Povo  29/08/2019 17:21
    Mais imposto é menos liberdade, esses nossos governantes não estão fazendo jus ao nosso hino nacional:

    "E o sol da liberdade, em raios fúlgidos
    Brilhou no céu da pátria nesse instante"

    Pelo menos as ideias de liberdade no Brasil estão crescendo bastante, então ponho mais fé nesse trecho:

    "És belo, és forte, impávido colosso
    E o teu futuro espelha essa grandeza".

    Sou libertário, mas gosto muito do hino nacional brasileiro, só esse trecho que não gosto:

    "Mas, se ergues da justiça a clava forte
    Verás que um filho teu não foge à luta
    Nem teme, quem te adora, a própria morte"

    Eu não morreria pela pátria nem ferrando.

    Quais as diferenças entre esse CPMF e o IOF?
  • Pobre Paulista  30/08/2019 00:09
    Leandro, sobre seu comentário de 28/08/2019 20:43

    Estamos então partindo do pressuposto que essa subida do dólar foi puramente especulativa? E que foi apenas por isso que, usando apenas uma merreca de dólares, o bacen conseguiu segurar o aumento?

    Extrapolando, se isso é verdade, então é possível pressupor que, caso o bacen opte por queimar uma quantidade suficiente de reservas, é possível chegar a um valor, digamos assim, "correto" do dólar?
  • Leandro  30/08/2019 00:59
    "Estamos então partindo do pressuposto que essa subida do dólar foi puramente especulativa?"

    Majoritariamente, sim, mas você não pode se deixar levar pelo lado pejorativo do termo "especular". Todos nós especulamos. Qualquer empreendedor, ao começar seu negócio, está especulando. Especular é o correto quando se lida com algo incerto.

    No caso do câmbio, abandonar o real era exatamente a atitude certa a se fazer quando se constatou que o Banco Central, o suposto "guardião da moeda", não estava nem aí para ela, não fazendo a mais mínima questão de defendê-la.

    Eis o que ocorreu:

    1) No dia 31 de julho, o dólar estava a R$ 3,75. E então veio o Fed e, contrariamente às expectativas, adotou uma postura mais hawkish (durona, anti-inflacionária) e anunciou que estava fazendo um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros e, para surpresa de todos, afirmou que não havia perspectiva de novos cortes. O mercado financeiro, por outro lado, esperava que o Fed indicasse que aquele corte seria apenas o primeiro de uma longa sequência.

    2) No mesmo dia, o BACEN corta a SELIC em 0,50 ponto percentual (o mercado esperava apenas 0,25 p.p.), e anuncia que tem mais por vir.

    3) Reduz-se o diferencial de juros entre os dois países.

    4) Os EUA, que já eram o único país desenvolvido a estar pagando juros positivos em todos os seus títulos, agora estão com um Fed mais durão, o que torna seus títulos ainda mais apetitosos.

    5) No dia seguinte, Trump engrossa com a China e anuncia novas tarifas.

    6) Três dias depois, a Argentina volta para o kirchnerismo.

    7) Em meio a isso, há também as infindáveis crises políticas aqui dentro.

    Resultado: indivíduos começaram a abandonar o real e foram se proteger no dólar. Isso é especulação, e não há nada de errado nisso. Ao contrário: é o que qualquer ser racional deve fazer.

    Até aí, tudo bem.

    Só que a coisa claramente começou a ter um efeito retroalimentador: a fuga para o dólar desvalorizava o real e encarecia o dólar, o que por sua estimulava ainda mais a debandada do real para o dólar, o que encarecia ainda mais o dólar e enfraquecia ainda mais o real. E assim por diante.

    E como ficou evidente que o Banco Central não estava nem aí para defender a moeda (pois não quer atacar a sacrossantidade do câmbio flutuante), deixando que ela derretesse livremente, tornou-se óbvio para qualquer indivíduo o que ele deveria fazer para se proteger: ora, já que o suposto "guardião da moeda" não está nem aí para ela, não faz a mais mínima questão de protegê-la, eu é que não vou continuar portando esse abacaxi. Vou me mandar para o dólar também. (Eu, no meu caso, fui para o ouro).

    Foi isso o que aconteceu. O dólar saltou de R$ 3,75 para R$ 4,17 por causa disso. Não foi por inflação da oferta monetária (que, aliás, está bastante contida) e nem muito menos por "déficit na balança comercial".

    Foi só especulação, ou seja, gente querendo fugir de uma moeda para ir para outra. E não há nada de errado nisso. Não é crime. Mas compete a autoridade monetária zelar pela saúde de sua moeda. Já que o Bacen detém o monopólio da moeda, e já que todos nós somos obrigados a aceitá-la, então que ao menos ele tenha a decência de entregar uma moeda minimamente estável.

    "E que foi apenas por isso que, usando apenas uma merreca de dólares, o bacen conseguiu segurar o aumento?"

    Ele conseguiu reduzir o ritmo de desvalorização, exatamente pelos motivos explicados no meu outro (longo) comentário acima.

    "Extrapolando, se isso é verdade, então é possível pressupor que, caso o bacen opte por queimar uma quantidade suficiente de reservas, é possível chegar a um valor, digamos assim, "correto" do dólar?"

    Coloquemos assim: se amanhã o Bacen anunciar que está vendendo dólares a R$ 3,61 e comprando dólares a R$ 3,60, a taxa de câmbio imediatamente vai para esse valor. E ficaria neste valor enquanto o Bacen continuasse comprometido a comprar e vender dólar ao preço estipulado. (Este, aliás, é exatamente o princípio de um Currency Board. Novidade nenhuma).

    No entanto, é claro que uma mudança tão abrupta seria disruptiva. Tampouco é desejável que o Bacen de uma só vez conduza a um valor que ele julga ser "correto".

    O mais crucial, no momento, era deixar claro que ele estava vivo e que não iria deixar a moeda derreter (afinal, essa é exatamente sua função precípua: proteger a moeda). Ele tinha que já ter feito esses leilões surpresas quando a moeda estava, no máximo, a R$ 4.

    O objetivo principal dos leilões surpresa é, como explicado no outro comentário, desestimular a fuga do real, aumentando sua demanda – fuga essa que estava ocorrendo exatamente porque ficou claro que o Bacen não estava interessado em proteger a moeda.
  • Vinicius  30/08/2019 02:24
    Mas e qual o motivo desse súbito desinteresse em defender a moeda?
  • Leandro  30/08/2019 03:34
    Já explicado três vezes (nos outros comentários acima). Não é "súbito desinteresse", mas sim medo de críticas. O BACEN nada faz porque morre de medo de ser visto como uma instituição que não mais está respeitando o "sacrossanto câmbio flutuante" (que nunca gerou desenvolvimento em lugar nenhum do mundo).
  • Vinicius  30/08/2019 12:45
    Mas o BC deixou de ter fama de manipular câmbio dos R$3,90 - 4,00 para manipulá-lo dos R$4,15-4,20, segue sem cumprir a sanha do câmbio flutuante, me passa a impressão de que o governo carece completamente de quadros qualificados.
    Mas há boas vantagens no real desvalorizado, o consumo cai, a economia esfria, os pobres ficam ainda mais pobres, a inflação acelera e tudo isso serve para forçar um fim prematuro deste governo horrível.
  • André B  30/08/2019 13:05
    Poxa, que aula Leandro!

    Muito grato por seus ensinamentos, vale muito mais que qualquer aula ou faculdade que se faça por aí...

    Abraço
  • Fan do Paulo Guedes  30/08/2019 02:18
    Leandro, como você vê a inversão da curva nos títulos de 3 a 30 anos? Que ocorreram recentemente..
    E como o Brasil passaria por essa crise?
    Refletiria nas eleições de 2022 aqui?

    Ja sei que o BACEN tem vacilado, mas agora quero saber sinceramente de você: Aquele otimismo e entusiasmo no começo do ano, ainda existe dentro de você?
    Nunca vi você tão otimista...
  • Leandro  30/08/2019 03:39
    "como você vê a inversão da curva nos títulos de 3 a 30 anos?"

    Estou só observando. Quero ver se ela é temporária ou se dura pelo menos um mês.

    "E como o Brasil passaria por essa crise?"

    Vai depender de qual será a crise.

    Ao contrário da mídia e dos analistas, não estou tão pessimista com os EUA. Ao contrário da década de 2000, lá não houve bolhas explosivas desde 2009. Não há indícios de crise bancária e os juros (ainda) não apresentam anormalidade. À exceção deste Instituto, ninguém mais fala que, lá, a base monetária não sobe desde 2014. Com a base monetária parada (aliás, está até em contração), não há por que estranhar juros baixos. Aliás, é o que ensina a teoria econômica.

    Haverá, sim, uma recessão, mas não será catastrófica.

    Agora, na Europa, a coisa é pior. O problema lá são os bancos. Impossível qualquer previsão. Entretanto, não havendo crise bancária, e não havendo uma súbita perda de demanda pelo euro, haverá pasmaceira, mas não catástrofe.

    "Aquele otimismo e entusiasmo no começo do ano, ainda existe dentro de você? Nunca vi você tão otimista.."

    Quanto ao Brasil, eu estava animado até dia 31 de julho. Naquele dia, até imediatamente antes da decisão do Fed, a moeda estava forte (em relação à coroa sueca, por exemplo, que está na cesta das sete principais moedas do mundo, a cotação havia voltado ao valor de agosto de 2017). Isso garantia que a economia estava em recuperação. Cheguei a prever aqui que os meses de junho e, principalmente, de julho tinham sido bons. (Tanto é que o PIB de 0,4% no trimestre não me surpreendeu; era só ver como estava a moeda).

    Mas aí, desde o início deste mês, depois do acirramento da briga do Trump com a China, depois da calamidade argentina, e com todos os ruídos políticos aqui dentro, a moeda degringolou. Resta saber quão impactada será a economia por este recentemente enfraquecimento do real.

    No momento, a moeda é (aliás, voltou a ser) minha principal preocupação.
  • Tannhauser  30/08/2019 17:22
    Leandro, você acha que deveria haver uma subida de juros no Brasil para valorizar um pouco o Real? Agradeço enormemente suas postagens. Fico impressionado com a clareza de suas explicações.
  • Leandro  30/08/2019 18:22
    O erro foi reduzir em 0,50 ponto percentual quando o mercado precificava 0,25 p.p., e no mesmo dia em que o Fed, três horas antes, já havia adotado postura mais hawkish.

    Isso enviou um sinal claro ao mercado: querem moeda mais fraca.

    A última vez que isso aconteceu foi em agosto de 2011, quando o BC deu um cavalo-de-pau inesperado na política monetária. "Curiosamente", começou exatamente ali o longo ciclo de desvalorização do real (o dólar foi de R$ 1,60 naquele mês para R$ 4,24 em setembro de 2015).

    Elevar a SELIC na próxima reunião enviaria um sinal de desespero e de falta de controle, além de gerar ruídos desnecessários para o setor produtivo. ("Vão começar a elevar a SELIC de novo?! Vou ter de rever todos os meus planos de investimento?!"). Não, seria péssimo.

    De novo: o que é necessário é retomar a confiança na moeda, aumentando a demanda por ela. Para isso, não precisa subir juros. O melhor que pode ser feito agora, realmente, são os leilões-surpresa. Não precisa de mais do que dois ou três. Veja que bastou um – só um! – para estancar a sangria e acabar com a sequência diária de desvalorização. Mais uns dois ou três, e o real volta sozinho para seu "valor correto".

    Não há, ao menos por ora, nenhum problema com a moeda em si. A oferta monetária não explodiu e o IPCA está baixo. Há apenas ruídos e incertezas gerados pelo próprio Banco Central, que, em um momento de turbulência, não se interessou em defender a moeda (sua autodeclarada função). Ainda é perfeitamente possível reverter o estrago.

    Obrigado pelas palavras, e grande abraço!
  • PauloHMB  30/08/2019 18:49
    O problema é que se as notícias que saíram forem verdadeiras, então colocamos um ciro gomes para cuidar da moeda.
    O Guedes repetiu que ''vou vender reserva com o dolar a 3,60 porque? Isso vai estimular as exportações'' clique aqui

    Ai fica realmente dificil manter o dolar baixo, quando o próprio ministro declara que não vê problema na moeda afundar.

    Resta saber se o Banco Central tem independencia de fato e vai ignorar essas falas.

  • Emerson Luis  01/10/2019 16:49

    Leandro, por esse método de leilões-surpresa seria possível gradualmente o dólar um dia voltar a custar R$1,00 como era no comecinho do Plano Real? (Eu sei que é altamente improvável, mas seria possível?)

    E se isso acontecesse, quais seriam os principais efeitos na economia e na vida do brasileiro?

    * * *
  • Leandro  02/10/2019 14:34
    Não, não seria possível. Não por meio de leilões surpresa. E não seria possível simplesmente porque, pela teoria da paridade do poder de compra, o valor "correto" do dólar é de aproximadamente R$ 3,50. Logo, não é possível por meio de simples leiloes derrubar e manter desvalorizado o valor de um ativo.

    Por outro lado, seria sim possível manter o dólar a R$ 1 por meio de um Currency Board ortodoxo. Mas aí haveria uma profunda contração da base monetária, do M1 e do crédito. Não seria desejável.
  • Fan do Paulo Guedes  30/08/2019 02:21
    Qual a proposta de vocês do IMB? Façam um artigo e envie para a equipe do guedes, sei que vocês tem condições de se comunicar com pelo menos alguns deles.
    E Menos pessoal, bem menos. Paulo Guedes é fera e sabe que impostos são destruidores de riqueza, tem dezenas de reformas tributárias e dentro da própria equipe chicagista há divergências.
    NENHUMA REFORMA aniquila os efeitos dos impostos sobre o capital, SEMPRE uma reforma terá o lado negativo. A questão é qual tem MENOS, porque imposto por si só é destruidores de riqueza.

    Imposto único o Gustavo Franco já alertou que é furada.

  • Thiago  30/08/2019 15:05
    Também sou a favor disso. Mas teria que mostrar de forma empírica, nao so teórica. Tipo, demonstrar a correlação entre moeda forte e crescimento econônico e o inverso, moeda fraca e a falta de crescimento econômico, dando exemplo entre os países, inclusive do próprio Brasil na década passada.

    De forma que se consiga espremer isso na cabeça de um chicaguista formado há décadas rs.
  • Vladimir  30/08/2019 16:46
    Ué, mas já há:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2378

    Por outro lado, desconheço um só país que enriqueceu ao mesmo tempo em que sua moeda se desvalorizou. Nenhum.
  • Armando  30/08/2019 05:16
    A CPMF gera distorções graves na economia, como incentivo à verticalização. A empresa tende a produzir tudo, passando a comprar dela mesma, sem transação financeira e sem CPMF. Isso para a produtividade é um desastre porque quanto mais especializada, mais produtiva é a empresa. Aí, com todas as empresas fazendo o mesmo, toda a economia se torna mais ineficiente.
  • Everton  30/08/2019 06:28
    Se isso fosse ocorrer, já ocorreria pagando 92 tipos de impostos. E como vc disse, dependendo da verticalização, a produtividade e qualidade pode cair, e o concorrente que não verticalizou sai na vantagem. Esse questionamento já ocorre todo dia. A Nike não vai passar a cultivar algodão só pra não pagar cpmf. Ou se ela fizer isso, pode sair na desvantagem com um concorrente que resolva focar seus negócios em algo melhor. Ou seja, já se paga imposto enorme na compra de algodão e nem por isso a Nike resolveu produzir pra ela própria o algodão. Cpmf é o melhor imposto único a ser colocado. Tente achar qualquer outro que seja melhor.
  • Rodrigo Abrantes  30/08/2019 14:18
    A meu ver um imposto deste tipo, faz com que pessoas e empresas de todos os tipos comecem a recorrer a outras forma de pagamento e transações, como as CRIPTOMOEDAS, se isto ocorrer, mais pessoas utilizariam tal recurso, retirando o dinheiro do sistema bancário tradicional, o que pode ocasionar uma grande quebra geral.
  • Felipe Lange  30/08/2019 15:43
    Leandro, estou morando na Flórida. A recessão está cada vez mais perto. O dólar americano só se valoriza (se valorizando agora até com relação ao Bitcoin). Quais conselhos de investimento você poderia dar? Bom, eu atualmente "holdo" Bitcoin desde 2015. Geralmente em recessão, o pessoal migra para renda fixa, não é? Eu acho moralmente questionável comprar títulos do governo americano.

    PS: Acho que a Chrysler vai falir de novo. A Ford está com ação baratinha, é possível que após os cortes na sua linha ela passe a ser mais lucrativa. A Toyota tem bom histórico. Tesla é uma gambiarra que está aí por causa de subsídios estatais.
  • Trader  30/08/2019 16:55
    Se você está morando aí, então já era para ter se entupido de títulos prefixados de 30 anos. Em maio, eles pagavam 3%. Hoje, pagam 1,99%. Só com a valorização ocorrida nessa queda aí, já dava pra ficar viajando por um ano.

    Por ora, compre ouro.

    Ou então vá juntando dinheiro para comprar imóveis durante a recessão (quando os preços desabam), e então alugue-os e viva desta renda. É isso que os americanos mais espertos fazem.
  • Questionador  30/08/2019 17:50
    Este artigo, sobre o funcionamento da "política monetária", é extremamente didático.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585&ac=193644
  • Sérgio  30/08/2019 21:54
    Paulo Guedes aproveita o dólar super fortalecido para vender dólares da reserva e reduzir a dívida interna do país:

    g1.globo.com/economia/blog/joao-borges/post/2019/08/30/venda-de-dolar-a-vista-recordando-paulo-guedes.ghtml

    O que acham?
  • Trader  31/08/2019 00:42
    Só que nem isso. Aconteceu o pior dos mundos: o dólar de fato encostou em R$ 4,20, e o Bacen fez só uma vendinha básica.

    Pior: nos outros leilões, ele fez venda casada: vendeu dolar à vista e comprou dólar no mercado futuro (para manter o saldo líquido das reservas inalterado). Resultado óbvio: o dólar não foi afetado, e nem a dívida.

    Se ele de fato vendesse US$ 100 bilhões das reservas e usasse o dinheiro pra pagar dívida seria excelente, pois dólar e dívida cairiam. Mas não. Inventaram uma estrovenga que não afeta o dólar e nem reduz a dívida.
  • duvida  31/08/2019 23:50
    Prezado Trader, nessa brincadeira toda houve a incidência de IOF? Se sim, alguma ideia de montante?
  • Burigo  31/08/2019 17:49
    Prezados,

    Como um iniciado, peço a gentileza de indicarem artigos e/ou livros que contemplem uma explicação básica dessa questão da moeda (valorização/desvalorização) e do câmbio.

    Muito obrigado.
  • Lucas-00  02/09/2019 19:52
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2901
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2402
  • Guilherme   02/09/2019 18:12
    Esse é o problema de estatistas, são eleitos com discursos liberalizantes, aí vem com essas medidas sociais-democratas, tal como Macri....no final não dá certo, liberalismo fica mal visto e os esquerdistas radicais são eleitos...democracia é isso.


    Outra coisa, ao que parece ele quer taxar dividendos e investimentos de renda fixa que hoje são isentos de imposto..grande erro paulo guedes, as reformas de corte não são populares e ele ainda aumenta imposto. Assim não, depois PT entra e não sabemos pq.

  • Victor  05/09/2019 14:38
    O Banco Central acordou pra vida e está baixando dólar?

    www.seudinheiro.com/dolar-ja-subiu-demais-e-mercado-desenha-correcao-vai-ter-disney/

    www.seudinheiro.com/leilao-surpresa-de-dolar-a-vista-do-bc-ficou-na-casa-dos-us-560-milhoes/
  • Dúvida  09/09/2019 06:33
    Se a inflação está baixa, por que o dólar está subindo tanto? É por que o dólar está se valorizando?
  • Resposta  09/09/2019 13:20
    Desde o fim de julho o dólar fortaleceu-se brutalmente ao redor do mundo (que também tem inflação baixa), mas o fenômeno foi mais intenso no Brasil, porque aqui o Banco Central e o Ministério da Economia deixaram claro (em uma trapalhada monumental) que não viam problema em uma moeda mais fraca. Se as autoridades deixam claro que querem uma moeda mais fraca, então é óbvio que os especuladores irão aquiescer e entregar exatamente o que a autoridade deixou claro querer.

    Veja mais aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3052#ac238550

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3055&comments=true#ac238978

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3055&comments=true#ac238932
  • Paulo   11/09/2019 19:27
    A verdade é que o Paulo guedes não tem plano algum pra nada, esta tentando qualquer coisa e não faz a mínima noção de onde esta entrando com essa nova tributação. Será que só existe essa forma de desonerar a folha salarial??
  • L Fernando  12/09/2019 05:00
    Quem é Paulo perto perto de você.
    A verdade ´q eu 90% dos que dão pitacos é que não sabem porcaria nenhuma dos planos dele, oumelhor , sequer estão lendo o que ja foi feito.

    E a CPMF??
    Paulo Guedes criou?
  • PauloHMB  11/09/2019 20:51
    g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2019/09/11/cpmf-derruba-secretario-da-receita-marcos-cintra.ghtml

    Marcos cintra foi ejetado

    Um tiro no pé a menos
  • Emerson Luis  30/09/2019 12:59

    Bom, se a nova CPMF acabaria reduzindo a arrecadação, então a ideia não é tão ruim assim...

    [Comentário irônico. Mas não muito. Por que essa redução não seria boa?]


    * * *
  • Emerson Luis  01/10/2019 16:59

    Em vez de recriar a CPMF para compensar a redução de impostos na folha de pagamento, que tal compensar essa redução diminuindo a carga tributária de modo geral cortando subsídios, reduzindo a máquina estatal, etc? Eu sei que a maior parte das despesas é obrigatória e diminuí-las requer PEC, mas esse seria o melhor caminho.

    * * *


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