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Três fantásticas surpresas das vantagens comparativas
Por que a mesma faxineira e o mesmo engenheiro ganham bem mais nos EUA do que na América Latina

A vantagem comparativa é uma força crucial em qualquer economia. Com efeito, a sociedade humana está permeada de vantagens comparativas.

Quando cada indivíduo se especializa em efetuar aquela tarefa (ou aquele conjunto de tarefas) na qual ele possui uma vantagem comparativa em relação aos outros indivíduos — e então transaciona os frutos do seu trabalho pelos bens e serviços produzidos por outros —, todos os que participam deste sistema de especialização e trocas saem mais ricos.

E, no entanto, a teoria das vantagens comparativas permanece amplamente desconhecida e, quando muito, mal interpretada e até mesmo adulterada.

É impossível ter um correto entendimento da economia sem se compreender a vantagem comparativa. Felizmente, obter essa compreensão não é muito difícil. E essa compreensão é repleta de surpresas interessantes.

Eis uma pequena cartilha.

O que interessa é o custo

Falando de maneira abstrata, a principal constatação trazida por uma correta compreensão do princípio das vantagens comparativas é esta: a capacidade técnica de um indivíduo em produzir um determinado produto é, por si só, irrelevante para determinar se ele deve produzir o produto por conta própria. É perfeitamente possível que seja mais vantajoso ele adquirir este produto produzindo outra coisa e então transacionar esta outra coisa pelo produto.

Suponha que você queira adquirir um deque para o seu quintal. E suponha também que você é um excelente marceneiro. Se você construir o deque por conta própria trabalhando em tempo integral neste serviço, você terminará o serviço em um mês.

Já o seu vizinho João, no entanto, se oferece para construir para você um deque de qualidade idêntica. No entanto, ele levará dois meses para completar o serviço. João não é um marceneiro tão bom quanto você.

Se habilidade técnica fosse o único determinante, então você deveria construir seu próprio deque em vez de pedir para João. Afinal, você é um melhor marceneiro.

Porém, a correta compreensão do princípio da vantagem comparativa revele que esta realidade é insuficiente para justificar economicamente você construir seu próprio deque. Construir seu próprio deque seria justificável apenas se o seu custo de fazê-lo fosse menor do que o custo de ter outra pessoa, como João, fazendo o serviço para você.

Como, no entanto, seria possível que João construísse o deque para você a um custo menor do que você próprio fazer o serviço? Afinal, de novo, você é um marceneiro mais capacitado do que ele.

Eis aqui uma surpresa revelada pela compreensão do princípio da vantagem comparativa: você ser um marceneiro mais habilidoso que João não nos diz nada sobre se você é, em termos econômicos, um construtor mais eficiente do seu deque do João.

O que interessa, economicamente, é o custo de você construir o seu deque em comparação ao custo de você pedir para João construir o deque para você.

Suponha que você é um médico no hospital local e ganhe um salário anual de $ 240.000. Ou seja, $ 20.000 por mês. Se você tirar um mês de folga para construir seu deque, você estará abrindo mão de um ganho de $ 20.000. O custo de você gastar seu tempo construindo seu deque será, portanto, de $ 20.000.

João, por outro lado, trabalha como contador para um varejista local. Seu salário anual é de $ 84.000. Ou seja, $ 7.000 por mês. Se ele tirar uma folga de dois meses do trabalho, que é o tempo necessário para ele construir o deque para você, ele estará abrindo mão de um ganho de $ 14.000.

Claramente, João pode construir o deque para você a um custo que é $ 6.000 menor do que o custo que você teria caso construísse por conta própria. Você está disposto a pagar até $ 19.999 para ele construir seu deque. E ele está disposto a aceitar qualquer quantia acima de $ 14.001 para efetuar o serviço.

Suponha que vocês dividam a diferença e você concorde em pagar $ 17.000 para João construir o deque. Ao fazer isso, você ganha – neste caso, $ 3.000 – ao pedir para João construir seu deque em vez de você próprio construí-lo.

Se você próprio fosse construir o deque, você estaria negando a terceiros a oferta de serviços médicos que eles valorizam em pelo menos $ 20.000 (pois esta é a quantia que eles voluntariamente pagam a você, mensalmente, para trabalhar no hospital). E, obviamente, você estaria negando a si próprio $ 20.000 de renda.

Em contraste, ao empregar João por dois meses para construir o seu deque, terceiros estarão deixando de receber serviços contábeis no valor de $ 14.000.

Embora você seja tecnicamente melhor na construção de deques, João é economicamente um melhor construtor do que você, no valor total de $ 6.000 por mês. João possui uma vantagem comparativa em relação a você na construção do deque.

A lição aqui é que, se o objetivo é ter o máximo possível de ganho econômico, a escolha de qual entidade econômica fará a produção não dever ser feita exclusivamente de acordo com a habilidade técnica ou com a proficiência daquela entidade. O que interessa economicamente é o custo total, para a entidade, de alcançar a produção desejada: especificamente, é necessário analisar se produzir o produto diretamente é mais vantajoso do que produzir outra coisa e então comprar o produto desejado produzido por outro produtor.

Três surpresas

Essa correta compreensão da vantagem comparativa nos faz descobrir três surpresas.

Surpresa #1

Sua superioridade técnica em relação a João na produção de um determinado bem ou serviço não implica que você seja economicamente mais eficiente do que João na produção daquele bem ou serviço. Sua vantagem comparativa pode perfeitamente estar na produção de outro bem ou serviço.

Você pode ser capaz de construir um deque mais rapidamente do que João. Mas se você for um médico ainda melhor do que João, então sua vantagem comparativa estará em trabalhar na oferta de serviços médicos, e não na construção de deques. Você irá ganhar caso se especialize na oferta de serviços médicos e compre serviços de construção de deques de João.

Surpresa #2

Caso você aprimore ainda mais sua habilidade de efetuar a tarefa na qual você possui uma vantagem comparativa, você estará se tornando economicamente pior na realização de outras tarefas. Ou seja, quanto mais especializado você se torna em algo, pior você será, em termos econômicos, na realização de outras tarefas.

No exemplo acima, o custo de você construir um deque por conta própria é $ 6.000 mais caro do que contratar João, não obstante o fato de que você poderia construir o deque em apenas um mês, enquanto João precisa de dois — afinal, para construir em um mês, você abriria mão de $ 20.000; já João, para construir em dois, abriria mão de $ 14.000.

Logo, para você, compensa contratar João por qualquer valor abaixo de $ 20.000.

Mas suponha que suas habilidades como médico aumentaram tanto, que sua renda mensal passou de $ 20.000 para $ 21.000 por mês. Ou seja, foi de $ 240.000 por ano para $ 252.000 por ano. Neste caso, se você tirasse um mês de folga para construir o deque, você estaria abrindo mão de $ 21.000. Ou seja, o custo para você construir o deque por conta própria aumentou $ 1.000.

Isso significa que o aprimoramento da sua habilidade como médico tornou ainda mais ineficiente — mais custoso — você construir seu deque por conta própria.

Ainda que suas habilidades como marceneiro não tenham mudado em nada, ao se tornar um melhor médico, você se tornou — economicamente — um marceneiro pior.

Surpresa #3

A surpresa acima nos revela outra surpresa ainda mais espantosa: você se tornar um médico melhor faz com que João, em relação a você, se torne economicamente um marceneiro ainda melhor, mesmo que as habilidades dele não tenham se aprimorado.

Antes de você ter se tornado um médico melhor, o custo de João construir um deque era $ 6.000 menor do que você construir por conta própria. Porém, após você se tornar um médico melhor, o custo de João construir o deque — embora ainda em $ 14.000 — se tornou $ 7.000 menor do que o seu custo de fazer por conta própria.

Colocando de outra forma, o aumento da sua vantagem comparativa em fornecer serviços médicos aumentou a vantagem comparativa de João em construir deques. João potencialmente se beneficiou de você ter se tornado um médico melhor.

Por que apenas "potencialmente"? Ao se tornar um médico melhor, você não irá aumentar automaticamente a quantia paga a João para construir seu deque. Porém, se a sua demanda e a de outros indivíduos pelos serviços de João for suficiente intensa, você irá oferecer para pagar para ele uma quantia mais próxima daquela que custaria a você para construir o deque por conta própria. Antes de você passar a ganhar mais, você pagaria a João não mais do que $ 20.000. Após passar a ganhar mais (em decorrência de sua maior especialização), você estará disposto a pagar até $ 21.000 para João, pois esta quantia seria seu custo de oportunidade ao tirar um mês de folga e construir o deque por conta própria.

Você se tornar um médico melhor não apenas eleva a sua renda, como também potencialmente aumenta a renda de seus parceiros comerciais.

Essa consequência da vantagem comparativa ajuda a explicar por que, nos países ricos, não são apenas os trabalhadores mais capacitados e preparados — como engenheiros e advogados — mas também os trabalhadores de menor qualificação — como zeladores, faxineiras e arrumadeiras de hotel — que ganham salários reais maiores do que seus semelhantes em países mais pobres.

Independe de fronteiras

A análise acima em absolutamente nada se altera quando se estabelecem linhas imaginárias separando dois indivíduos. Não importa se você e João moram na mesma rua ou se em países antípodas. Os benefícios econômicos supracitados se mantêm rigorosamente os mesmos.

Mesmo aqueles indivíduos que porventura acabem perdendo suas fatias de mercado em decorrência de uma mudança no padrão dos gastos dos consumidores — seja por causa de mais importações de países com maior vantagem comparativa ou por causa do surgimento de novos ofertantes nacionais com maiores vantagens comparativa — permanecerão vastamente mais ricos do que seriam caso não participassem deste arranjo especializado de produção e comércio.

Por tudo isso, é de nosso total interesse como indivíduos louvar um aumento nas habilidades e na produtividade de todos os outros seres humanos que povoam este planeta, ainda que nossas próprias habilidades e produtividade não tenham se alterado em nada. Entender a vantagem comparativa é entender por que devemos celebrar, e não temer, o crescimento econômico de outros países.

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Dez argumentos econômicos - e um ético - em prol do livre comércio

Países não comercializam com outros países; apenas indivíduos o fazem



autor

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.


  • Carlos  13/11/2019 18:40
    Excelente insight. Eu que achava que sabia bem da teoria das vantagens comparativas nunca tinha pensado dessa forma. Artigo obrigatório principalmente para aqueles que tem aquela mentalidade de que o capitalismo é um sistema em que uns perdem para que outros ganham, quando na verdade ele é um sistema em que todos ganham.
  • Fabrício  13/11/2019 18:45
    Outro insight crucial é a necessidade de haver um livre comércio para que cada indivíduo possa se especializar ao máximo naquilo que faz. Sem livre comércio, cada um acaba acaba sendo obrigado a fazer aquilo que precisa, e não aquilo em que ele é bom.
  • Bernardo  13/11/2019 18:50
    Desenvolva mais seu ponto, por favor.
  • Fabrício  13/11/2019 18:59
    Se você viver em uma sociedade fechada, seu trabalho diário serve unicamente ao propósito de sobreviver, e não para desenvolver seus talentos.

    Essa é a realidade nos países que restringem o livre comércio: as pessoas, ao serem proibidas de utilizar os frutos do seu trabalho para adquirir aqueles bens e serviços que são mais bem produzidos por estrangeiros, acabam sendo obrigadas a desempenhar várias atividades nas quais não têm nenhuma habilidade.

    Isoladas da divisão mundial do trabalho, tais pessoas trabalham apenas para sobreviver, e não para desenvolver seus talentos. Elas não podem trabalhar naquilo em que realmente são boas, pois a restrição ao livre comércio obriga os cidadãos a fazerem de tudo, inclusive aquilo de que não entendem.

    Uma pessoa boa em informática acaba tendo de trabalhar como operário em uma siderurgia, pois seu governo restringe a importação de aço, que poderia ser adquirido mais barato de estrangeiros.

    Por outro lado, quanto mais livre o comércio, maior a probabilidade de que cada indivíduo se especialize na produção daqueles bens e serviços que ele é capaz de produzir com mais eficiência, e em seguida utilize sua renda (alta, por causa da sua especialização) para importar aqueles bens e serviços que são produzidos de maneira mais eficiente por outros indivíduos em outras localidades.

    Uma economia cujo sistema de saúde é formado apenas por médicos comunitários irá salvar menos vidas e aliviar menos dores do que uma economia cujo corpo médico é formado por especialistas como neurocirurgiões, pedicuros, cardiologistas, oftalmologistas e gastroenterologistas pediátricos.

    Em países de economia aberta, as pessoas, exatamente por poderem adquirir bens e serviços fornecidos por estrangeiros que são melhores no suprimento destes, podem se concentrar naquilo em que realmente são boas. Em países de economia fechada, as pessoas passam suas vidas lutando para apenas sobreviver, sendo obrigadas a desempenhar várias atividades que não são do seu domínio. Engenheiros acabam virando operários de fábricas.
  • Fabrício  13/11/2019 19:07
    E mais: um gastroenterologista pediátrico vivendo em uma grande metrópole usufrui um alto padrão de vida porque várias pessoas estão dispostas a lhe pagar para que ele se especialize nesta altamente especializada linha de trabalho, e estão dispostas a aceitar o dinheiro dele em troca do que produzem. Esse médico é rico somente porque ele transaciona voluntariamente com terceiros.

    Se agricultores, carpinteiros, alfaiates, pilotos de avião e professores não estivessem dispostos a transacionar com ele, ele não teria tempo para praticar a gastroenterologia pediátrica. Em vez disso, ele teria de cultivar sua própria comida, construir sua própria casa, e fazer sua própria roupa. Ele e todo o resto de nós estaríamos muito mais pobres.

    Por isso, em países que usufruem o livre comércio e seus cidadãos podem transacionar livremente com o resto do mundo, as pessoas possuem uma miríade de opções de trabalho: podem ser médicos altamente especializados, financistas, instrutores de ioga, artistas, cineastas, chefs, contadores e empreendedores do ramo de tecnologia. Tão rica e com tamanha liberdade de comércio é a economia, que todos têm opções, pois podem terceirizar a manufatura de vários bens para outros indivíduos de outros países.

    Já em países fechados, nos quais todos têm de fazer de tudo apenas para sobreviver, não há como se especializar. Consequentemente, renda e padrão de vida são menores.
  • 5 minutos de IRA!!!  13/11/2019 19:51
    Tem um adendo interessante!!!!!!!!!!!!!!

    Se, ao invés do deque, estivessemos falando de um meio de produção, ou um investimento produtivo qualquer, teríamos que levar em conta o ganho que esse investimento renderia nesse mês a mais trabalhado.

    Se esse meio rende 6 mil reais ao mês, então os ganhos através dele neutralizariam a diferença nesse mês.
  • Leandro C  14/11/2019 14:07
    "5 minutos de IRA!!! 13/11/2019 19:51
    (... ) Se esse meio rende 6 mil reais ao mês, então os ganhos através dele neutralizariam a diferença nesse mês."

    Ou se acentuariam ainda mais, como é a tendência (já que é ganho, caso contrário, seria prejuízo, o que também não pode ser completamente afastado).
  • anônimo  13/11/2019 19:57
    Texto excelente.

    Lembro que recentemente de ter lido um estudo sobre a evolução dos salários ao longo das décadas, apontando justamente este fenômeno para carreiras cujo tempo e esforço para formação, teoricamente, não se alteram ao longo do tempo.

    Um dos exemplos utilizados pelo texto era o dos músicos de orquestra que, ao menos em tese, precisam hoje do mesmo esforço e dedicação para o desempenho de suas atividades que o demandado dos músicos dos séculos passados.

    Apesar de a atividade ser a mesma no presente e no passado, o salário médio dos músicos aumentou ao longo dos anos juntamente com o do restante da sociedade.

    O texto de hoje traz uma explicação muito lógica e didática para o aumento do salário dos músicos.

  • Leandro C  14/11/2019 14:14
    "anônimo 13/11/2019 19:57"

    E olha que em teu exemplo ainda temos que desconsiderar que o artigo música (ou diversão em geral) é algo muito menos escasso hoje do que era antigamente (já que hoje temos acesso praticamente instantaneo e gratuito a qualquer momento e local a virtualmente todas as músicas já produzidas em qualquer época ou local do mundo).
  • Daniel  13/11/2019 20:16
    Cada indivíduo é único. As diferenças de talento, de inteligência, de conhecimento, de destreza e de propriedade geram especialização. Consequentemente, cada indivíduo ou grupo de indivíduos, ao se concentrarem naquilo que fazem melhor, adquirem uma vantagem comparativa em relação aos outros.

    Quando indivíduos especializados em um serviço e usufruindo uma vantagem comparativa nesse serviço transacionam com outros indivíduos especializados em outro serviço e com vantagem comparativa nesse outro serviço, o crescimento econômico e as vantagens do comércio são maximizados.

    Isso é o básico da economia. E vale ressaltar que é exatamente contra isso – a individualidade, o talento único e exclusivo, e o fato de haver pessoas melhores que outras – que a esquerda luta. Não pode haver excelência. Todos têm de ser iguais.

    Se tal idéia prosperar, é o fim do progresso. Vide Venezuela (para não citar outros países também socialistas).
  • Dane-se o estado  13/11/2019 21:31
    Um medíocre pela força jamais pode se tornar excelente, mas um indivíduo excelente e acima da média pode ser forçado a ser um medíocre. Igualdade só existe em ditadura e como sempre se todos forem igualados no nível mais baixo possível, a começar pela própria educação "inclusiva" que eles tanto defendem como modelos pedagógicos.
  • Leandro C  14/11/2019 14:43
    Colegas,

    Concordo com vocês quanto aos males causados a todos pela ideologia esquerdista.

    Entretanto, percebam que, em tese, os esquerdista não acreditam que todos sejam iguais, mas sim que deveriam ser iguais (o que só ocorreria justamente com a implantação de sua ideologia esquerdista); portanto, a esquerda acredita que as pessoas sejam (atualmente) diferentes, ainda que devessem ser iguais em um futuro utópico (para mim é distópico, ainda que irrealizável e ainda que tais termos sejam quase sinônimos).

    Os libertários, por sua vez, entendem que as pessoas são iguais e justamente por todas serem iguais, especialmente em dignidade, não é moral que alguém promova agressão em face de outrem; justamente por serem iguais, não é moral que alguém escravize alguém tratando-a como coisa; justamente por serem iguais não é justo que só alguns detenham a liberdade (que é o que acontece nos regimes ditatoriais, onde o soberano e seus próximos detêm liberdade infinita para fazer o que bem entenderem, enquanto o povo não possui liberdade alguma); justamente por serem iguais então cabe a cada um decidir sua própria vida e tal liberdade pertence a todos individualmente.

    Enfim, os libertários são os que mais acreditam na igualdade entre os seres humanos, justamente por isso prezam pela liberdade de todos.

    Enquanto os estatistas (e os esquerdistas o parecem ser ao grau máximo) são os que mais acreditam na liberdade e, portanto, na diferença entre as pessoas e, justamente por isto, lutam tanto contra ela, para que todos venham a ser supostamente iguais.
  • cmr  13/11/2019 20:37
    Tem um outro ponto, que foge um pouco ao tema...

    E se o médico quiser ter o prazer de construir o próprio deque, mesmo que este saia bem mais caro e não tenha a qualidade de um especialista ?.
  • Guilherme  13/11/2019 21:18
    Ué, aí neste caso ele estaria pagando para trabalhar ($ 20.000), e estaria privando a sociedade de receber seus serviços avaliados voluntariamente pela sociedade em $ 20.000.

    Adicionalmente, João ficaria sem seu ganho adicional.

    Todos perderiam.
  • Leandro C  14/11/2019 14:55
    "cmr 13/11/2019 20:37
    Tem um outro ponto, que foge um pouco ao tema...
    E se o médico quiser ter o prazer de construir o próprio deque, mesmo que este saia bem mais caro e não tenha a qualidade de um especialista ?."

    A nível individual não há problema algum; a nível coletivo você pode até computar como decréscimo na capacidade de geração de riqueza.
    Entretanto, perceba que seu exemplo pode ser explorado sob "n" situações; podemos até mesmo argumentar que o casamento, por exemplo, não compensa, visto que o sexo com profissionais gabaritados teria reais chances de ser mais insinuante e mesmo mais barato.
    De todo modo, quando você pensa em lazer, em consumo, não está propriamente pensando em criação de riquezas, ao contrário, em destruição da riqueza anteriormente acumulada.
    Perceba que até os termos estão trocados e dificultam um pouco a compreensão, posto que até então o que você tinha era dinheiro, que, de certa forma, é apenas potencial de riqueza e não riqueza propriamente dita; ou seja, é quando você gasta o dinheiro que você exerce sua riqueza e, portanto, é, de fato, rico, pois somente aí obtém o objeto de sua satisfação (até então só tinha dinheiro, que, por si só, não enche barriga de ninguém; precisa antes ser trocado por mercadorias e serviços com alguém).
    Mas, voltando ao tema, perceba que, após o período de lazer na divertida atividade de construir um deque, o médico certamente terá um capital maior, posto que haverá um maior uso de sua área de lazer na qual o deque foi construído e uma valorização de seu capital imobilizado.
    De todo modo, tenho que, se fosse eu, certamente acharia outros meios de gastar a mesma quantia (R$20.000,00 ou R$6.000,00, o saldo entre fazer ou pagar para fazer) em outra fonte de lazer, onde certamente teria maior proveito (e descanso).
  • Guilhermo  13/11/2019 21:30
    "Essa consequência da vantagem comparativa ajuda a explicar por que, nos países ricos, não são apenas os trabalhadores mais capacitados e preparados — como engenheiros e advogados — mas também os trabalhadores de menor qualificação — como zeladores, faxineiras e arrumadeiras de hotel — que ganham salários reais maiores do que seus semelhantes em países mais pobres. "
    .
    Sempre a esquerda diz: "Nos países nórdicos, lixeiro ganha "igual" médico!"
    Ta aí....além da vantagem comparativa, que ajuda a explicar, quais seriam os outros fatores?
    Agradeço se alguém puder complementar.
  • Dane-se o estado  13/11/2019 21:44
    "Sempre a esquerda diz: "Nos países nórdicos, lixeiro ganha "igual" médico!"

    Apenas saiba que é mentira! fim!
  • Leandro C  14/11/2019 14:58
    Pois é; não bastasse o pressuposto lógico de que, por exemplo, não pretendo que meu pai seja submetido a uma cirurgia cardíaca por alguém cujo salário seja o mesmo de um lixeiro, posto que, em razão disto, seria de supor que sua qualificação não acompanharia a complexidade do trabalho a ser realizado.
  • cmr  14/11/2019 17:16
    Em um lugar fictício, onde sobram cirurgiões de alta qualidade, o salários deles podem ser bem baixos; inferiores ao de um lixeiro, se lixeiros estiverem faltando.

    O que define o preço de uma mão de obra não são apelos a lugares comuns, (como médicos salvam vidas e vidas são o mais importante, mimimimi...) e sim duas variáveis: utilidade do serviço prestado e oferta.

    Algo raro e útil vale muito. Raro e inútil não vale nada, útil e abundante também não.
    Abundante e inútil menos ainda...
  • Guilhermo  14/11/2019 21:49
    Muito bom rapaziada. Valeu
  • Chicote  14/11/2019 00:37
    "Warren Buffet, o famoso financista, expressou belamente este argumento, ao declarar o seguinte em uma entrevista na televisão em 1995: "Creio pessoalmente que a sociedade seja responsável por um percentual significativo do que eu ganhei. Se me colocarem no meio de Bangladesh, do Peru ou de outro lugar semelhante, vocês descobrirão quanto este talento irá produzir no tipo errado de solo. Daqui a trinta anos ainda estarei tendo dificuldades."

    - "23 Coisas que nãos nos contaram sobre o Capitalismo"

    Ha-Joon Chang, 2010
  • Vladimir  14/11/2019 00:50
    Warren Buffet enriqueceu comprando ações de empresas. Obviamente, ele só é rico porque comprou ações de empresas eficientes e lucrativas. E eram eficientes e lucrativas exatamente porque operavam em ambientes de mercado dinâmico e competitivo – ou seja, em ambiente capitalista.

    Por definição, se ele comprasse só ações de empresas de Bangladesh, é óbvio que ele estaria na miséria. Não há capitalismo em Bangladesh (ao menos não no mesmo nível americano). Logo, não há empresas com o mesmo nível de eficiência, qualidade e lucratividade que há nos EUA.

    Essa frase dele, em sendo verdadeira, é uma grande deferência à eficiência capitalista e uma profunda crítica à sua ausência. Aliás, ela simplesmente confirma tudo o que foi dito no artigo.

    Obrigado por postá-la.
  • Humberto  14/11/2019 03:50
    Magistral artigo. E ótima lembrança de como David Ricardo (um economista injustamente muito pouco apreciado) com um único insight contribuiu magnificamente para a ciência econômica.
  • Cássio  14/11/2019 04:09
    A teoria das vantagens comparativas de Ricardo existe há mais de 2 séculos, mas parece que a economia é a área em que as boas teorias caem o tempo todo e o charlatanismo prevalece.
  • Julio Palhares  14/11/2019 12:38
    É incrível como viver imerso em uma narrativa socialista nos causa espanto ao ver a lógica ridículamente evidente da expiral de prosperidade que o capitalismo livre nos traz.
  • Leandro C  14/11/2019 15:06
    "Julio Palhares 14/11/2019 12:38
    É incrível como viver imerso em uma narrativa socialista nos causa espanto ao ver a lógica ridículamente evidente da expiral de prosperidade que o capitalismo livre nos traz."

    Pois eu estava pensando justamente nisto; ademais, mesmo acreditano ter compreendido o artigo e concordando com tudo o que está nele, bem como com a maioria (senão totalidade) do que foi postado pelos colegas, ainda me pego a indagar como é possível estar correta esta conta em que 2 + 2 = 5 (posto que, aparentemente, há um ganho residual).

    Enfim, por vezes me pego a pensar que socialistas somos todos, desde que acordamos até quando dormimos, desde que não nos vigiemos (isto é, cada um a si próprio, enquanto indivíduo, controlando seus impulsos de "cagar" - desculpe o termo - regra sobre os demais), posto que imersos nesta cultura, de modo que, quando menos nos damos conta, surge a prática socilista/estatista/etc.
  • Rodolfo Andrello  14/11/2019 15:45
    Triste do país que ignora David Ricardo e exalta Eduardo Moreira.
  • Wesley  14/11/2019 16:43
    Off: BRICS é bom para a economia?
  • anônimo  14/11/2019 18:41
    Sim e não.

    Qualquer tentativa de abertura econômica e cooperação internacional é positiva.
    Entretanto, para abrir verdadeiramente a economia não há necessidade de se formar qualquer bloco econômico, firmar-se tratados, deslocar burocratas pelo planeta, fazer reuniões para a imprensa, instituir regulações e demais porcarias do gênero.

    Pela lógica, BRICs deveria ser o oposto de abertura econômica. Na prática, acaba sendo um instrumento de transformação de uma economia totalmente fechada para uma semi-aberta, ainda que com regulação.

    Por isso, algo que é intrinsecamente negativo (criação de estruturas burocráticas, acaba sendo positivo por possibilitar uma situação final menos pior do que a atual.

    É a forma errada que os burocratas encontraram para corrigir uma série de problemas que eles mesmos criaram.
  • Anônimo  14/11/2019 23:28
    Esses BRICs são o grupo mais bizarro que existe. Um economista do Goldman Sachs cunhou o termo, os envolvidos acreditaram e até hoje, após 10 anos que provaram que eles pouco ou nada têm em comum, continuam se reunindo...
  • Felipe  14/11/2019 17:21
    Além da questão de fugir do Real, quais outros fatores que fazem com que os produtos brasileiros exportados sejam superiores aos vendidos para o mercado interno? Visto que o dólar americano e o euro não são moedas correntes no Brasil, esses exportadores então guardam moedas estrangeiras em contas estrangeiras? Agora, por exemplo, pelos americanos estarem em um mercado mais livre, então é coerente em consumir um café brasileiro superior ao vendido para os brasileiros, correto?

    Li esse texto hoje e esses questionamentos me vieram à cabeça.
  • Carlos  14/11/2019 18:23
    O mercado externo é totalmente concorrencial. A concorrência é do mundo inteiro. Para conseguir vender neste mercado, seus produtos têm de ser de alta qualidade. Você não consegue vender produtos vagabundos para americanos e europeus de alta renda. Você só consegue vender produtos top.

    Um ótimo exemplo disso é a Taurus. Aqui no Brasil, como ela não tem concorrência, ela só vende o restolho (inclusive para as forças policiais). Já no resto do mundo, onde enfrenta a concorrência de absolutamente todos os outros fabricantes do planeta, ela faz questão de vender só a jóia da coroa.

    Aqui no Brasil, sem a concorrência dos importados (pois o governo praticamente proíbe, e isso é histórico), você consegue lucrar vendendo produto vagabundo. Lá fora, com a concorrência no cangote, você só consegue alguma coisa se vender a crème de la creme.
  • Felipe  14/11/2019 21:26
    Acho que isso explica também o encantamento que minha mãe teve ao visitar um supermercado em Roma. Me intriga que, mesmo a Itália sendo um país pobre para os padrões europeus, ainda há disponibilidade de acesso a bons carros alemães, eslovacos, espanhóis, et cetera.
  • anônimo  16/11/2019 12:02
    A Itália mesmo com problema tá 50 possível acima do Brasil no ranking liberdade. O Brasil tá bem lá atras, somente a frente dos lanternas como Venezuela
    Já a Itália consertando o problema do seu excesso de intervencionismo, conseguiria alcancas os primeiros do ranking. O Brasil resolvendo os problemas, precisaria passar por várias gerações pra alcançar.
  • anônimo  15/11/2019 04:59
    O mercado sendo livre , compensa comprar o melhor café e mais barato, o brasileiro. Plante café nos EUA , na região errada, e o Kilo deste café, ou custa mais, ou tem qualidade inferior. Num mercado livre, compensa exportar o que vc faz bem e importar o que os outros fazem bem.
    Na realidade não existem fronteiras. Mas se porventura fechassem o mercado, o Brasil não exportaria esse café, e o consumidor Américano ia ter que comprar a produção interna de café, de menos qualidade e mais caro. Eles ficariam mais pobres.
    Se o que vc compra fica mais caro, vc é mais pobre. Se vc não exporta para os outros pra quem paga mais, vc fica mais pobre. Faca o melhor café do mundo, o brasileiro, mas não consiga exportar prós outros países devido ao comércio ser fechado. Vc vai ter que vender toda produção no Brasil. O preço do café cai, vc tem menos renda e vc fica mais pobre
  • zezao cianureto  14/11/2019 23:08
    Alguém pode me explicar o modelo econômico dessa historia?

    Em uma cidade, os habitantes, endividados, estão vivendo às custas de crédito.

    Por sorte chega um gringo e entra no único hotel.

    O gringo saca uma nota de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.

    Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.

    O açougueiro pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo. O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.

    O veterinário, com a nota de R$ 100,00 em mãos, vai até à zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise essa classe também trabalha a crédito).

    A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde levava seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas acomodações e paga a conta de R$ 100,00.

    Nesse momento o gringo chega novamente ao balcão, pede sua nota de R$ 100,00 de volta, agradece, diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.

    Ninguém ganhou um vintém, porém agora todos saldaram suas dívidas e começam a ver o futuro com confiança!

    Moral da história:
    Quando o dinheiro circula, não há crise.
  • Leandro  15/11/2019 02:05
    Eu já conhecia essa anedota. Ela é tão tosca e irreal, que achei que as pessoas já tinham ao menos tido a decência de estudá-la e não mais repeti-la para não passar vergonha. Vejo que não foi o caso.

    1) Para começar, vale ressaltar que o fator 'tempo' foi completamente abolido. Turista, hoteleiro, açougueiro, suinocultor, veterinário e prostituta recebem o dinheiro quase que instantaneamente, pois, nesse ínterim, deu tempo de o viajante reservar e desistir da reserva do quarto de hotel. (Dica: se ele desistiu da reserva, ele nem precisou pagar. Logo, a anedota, logo de partido, já é completamente irreal).

    2) Mas isso é o de menos. A pergunta que realmente ninguém responde é: como é que todas essas pessoas se endividaram se não havia dinheiro? Quando uma dívida é feita, o credor repassa dinheiro para o tomador de empréstimo. O poder de compra do credor cai na mesma proporção em que aumenta o poder de compra do tomador de empréstimo.

    3) O que essa anedota faz, na prática, é mostrar que as pessoas, sem dinheiro nenhum, foram se endividando continuamente. E pior ainda: sem produzir nada em troca. Isso é totalmente irreal. Você não empresta dinheiro para quem nada produz. E quem nada produz não toma dinheiro emprestado.

    4) Aliás, no extremo, se todo mundo devesse a todo mundo exatamente $ 100 -- como é o caso na anedota -- ninguém precisaria de dinheiro nenhum circulando. Bastaria todos concordarem em anular suas dívidas mútuas. Observe que, na tosca anedota, o dinheiro simplesmente voltou para o viajante, que, do nada, "desistiu de reservar o quarto".

    5) Mas piora. A anedota não explica como a riqueza é criada. Não explica como aqueles bens e serviços surgiram. Nem tampouco explica para que as dívidas descritas foram criadas. Não mostra em que essas dívidas resultaram.

    6) Aliás, sendo mais chato, observe que nem mesmo o dinheiro foi criado. Ele já existia na economia. Ele apenas foi remanejado de um lugar para outro e utilizado para saldar dívidas, e não para financiar novas expansões.

    Em suma, qualquer que tenha sido o objetivo da anedota, ela nada comprovou.


    P.S.: o fator 'tempo', que é crucial em qualquer análise econômica, está completamente ausente da anedota. É como se tudo fosse totalmente instantâneo. Quem acredita nisso também acredita no mito da concorrência perfeita: se um estabelecimento no interior do Piauí reduzir seus preços agora, 10 segundos depois esta redução irá ocorrer também no Morumbi.

    Pensava que as pessoas eram mais inteligentes que isso.
  • Zerão Cianure  15/11/2019 16:27
    Obrigado pela resposta, apesar das ironias.
    Entretanto devo lembra-lo que é uma anedota e não um artigo econômico acadêmico.
    Apesar de toda sua explicação , devo concordar com toda ela, o ponto principal da anedota acredito não ter sido esclarecido.
    Em uma economia endividada e estaguinada, a injeção de dinheiro via estado não resolveria momentaneamente o problema da estaguinacao e do endividamento?

  • Leandro  16/11/2019 14:59
    Se você injetasse dinheiro ali, ele imediatamente seria "exportado" para outras localidades. Vou tentar responder em detalhes.

    Sabe qual seria realmente a solução para estas pessoas? Produzir coisas e "exportar" para outras cidades. Ao "exportar" bens e serviços para os habitantes de outras cidades, o dinheiro "de fora" entraria nesta economia, gerando todos os "efeitos benéficos" que você defende.

    Como sempre, todo e qualquer problema na economia está na escassez da produção, e não na escassez da demanda. Quer ter mais "dinheiro circulando"? Produza mais. Quem cria riqueza atrai dinheiro. Quem produz tem renda, e quem tem renda tem demanda.

    Por que há mais dinheiro circulando no Itaim Bibi do que em toda a cidade de Teresina? Porque os habitantes do Itaim são extremamente mais produtivos que os de Teresina. Por que há mais dinheiro em Malibu do que em qualquer cidade do Tennessee? Porque os habitantes de Malibu são muito produtivos dos que os das cidades do Tennesssee.

    Em qualquer localidade em que haja muita produção haverá muito dinheiro circulando. Dinheiro não fica parado em localidades em que há muita oferta. Por outro lado, em localidades de baixa produção e produtividade, não há dinheiro nenhum. E, ainda que você injetasse dinheiro nesse local, ele imediatamente sumiria, pois seria exportado para outras localidades bem mais produtivas.

    De novo: o dinheiro é abundante em locais de grande produtividade; e escasso em regiões de baixa produtividade. E não há truques que possam ser feitos para inverter isso. Tudo o que você pode fazer é aumentar a produção nestas regiões de baixa produtividade.

    Sempre olhe a economia pelo lado da oferta, e não da demanda. Não há dificuldade nenhuma em demandar coisas. Já em ofertar, aí sim é que está a complicação.

    Portanto, eis aí a resposta: qualquer lugar que esteja sofrendo com uma "escassez de dinheiro" é, com certeza, um lugar de baixa produção e baixa produtividade. Dinheiro não fica nestes locais simplesmente porque não há retornos a serem obtidos ali. Tal local não é atraente porque não há produção, não há oferta, não há criação de riqueza.

    Por outro lado, nunca há escassez de dinheiro em locais de alta produtividade.
  • Felipe  15/11/2019 01:18
    Pessoal, como vocês refutariam este tuíte? Comecei a discussão por causa daquela decisão absurda do MPT na Honda.

    Então, com base no que ela disse, eu cheguei a dar alguma pesquisada pela Internet e consegui algumas constatações e queria trazer até algum questionamento e discussão:

    - A jornada de trabalho americana semanal é parecida à brasileira, segundo este gráfico. Interessante notar como é menor na Holanda e Alemanha. Pode haver vários fatores, como clima (um inverno muito rigoroso pode simplesmente fazer a pessoa ficar em casa) ou uma recessão, quando começa a ocorrer redução de turnos. Nos EUA há esse gráfico histórico.

    - Quando é medida em horas anuais, então os americanos trabalham algumas dezenas de horas semanais a mais. Partindo da premissa de que a metodologia está correta, veja como a Alemanha se destaca. Engraçado que antes o Brasil estava à frente em horas, depois inverteu. Privilégios do funcionalismo estatal brasileiro? Carnaval? Achei esse gráfico, com algumas diferenças em relação à jornada anual do outro gráfico. O México, por exemplo, possui legislação trabalhista parecida com a do Brasil e a jornada é bem maior.

    - Agora com relação à férias, eu vi por este artigo algumas coisas interessantes também... eu acho estranho, porque na cabeça deles, a legislação trabalhista faz um dia não-trabalhado brotar dinheiro. Do Brasil nada encontrei, infelizmente. Uma coisa que notei é que, quando você vai preencher uma aplicação de emprego, dependendo da empresa, eles perguntam a sua disponibilidade em horários e dias da semana (não sei o motivo). Há empregos em que é requerido trabalhar de fins de semana e feriados, outros não. Não sei se isso muda com relação ao Brasil. Acredito que as férias sejam negociadas no momento do contrato (vejam como é na Europa), embora eu não saiba se existe pessoa que tira 30 dias de férias. Um colega meu me disse que os dias semanas são muito mais flexíveis, de forma que você consegue tirar até alguns dias antes de começar a trabalhar. Agora eu percebi que há muito mais opções de trabalhos meio-período do que no Brasil. Trabalho meio-período no Brasil é só por estágio?

    Engraçado que, apesar da moça falar que a CLT "protege", ela se mudou para um país onde "não há essa proteção".

    Agradeço à atenção de todos! Desculpe pela confusão.
  • Fabrício  15/11/2019 02:10
    O que tem pra refutar? Ela está certa. Americano trabalha muito, mesmo. Por isso, produzem muito e são uma potência. E lá não há o coitadismo e o vitimismo de correr para debaixo das saias da "justiça do trabalho", que nem sequer existe por lá.

    Lá não tem essa aberração de a JT multar uma montadora porque ela aumentou sua produção. O Brasil é totalmente anti-progresso e anti-desenvolvimento, e ainda tem nêgo que acha que o dólar tá caro. Nessa zona anti-produtiva que é a América Latina, dólar abaixo de R$ 5 é uma pechincha.
  • Felipe  15/11/2019 12:53
    Bom, vou esperar outras respostas.
  • Julio Palhares  27/11/2019 18:35
    É incrível como viver imerso em uma narrativa socialista nos causa espanto ao ver a lógica ridículamente evidente da expiral de prosperidade que o capitalismo livre nos traz.


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