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Economistas do lado da oferta vs. economistas do lado da demanda - entenda esta distinção crucial
Para a economia crescer, libere a oferta, estabilize a moeda e não se preocupe com a demanda

Quando destituídas de toda a retórica e de todos os jargões acadêmicos, há apenas duas escolas de pensamento econômico: a que vê a economia pelo lado da oferta e a que vê a economia pelo lado da demanda.   

Os economistas do lado da demanda se concentram nos consumidores: mais especificamente, se concentram no bolso dos consumidores. 

Já os economistas do lado da oferta se concentram nos produtores: mais especificamente, na retirada de barreiras para a livre atuação de produtores, empreendedores, investidores e trabalhadores.

Economistas do lado da demanda

Para os economistas do lado da demanda, são os gastos dos consumidores que fazem a economia crescer. Quanto mais o governo estimular e facilitar gastos, maior será o crescimento econômico. 

Consequentemente, o ponto central na análise de um economista do lado da demanda são as mudanças na quantidade de dinheiro no bolso dos consumidores e também das empresas, que irão usar esse dinheiro para comprar bens e serviços (inclusive mão-de-obra).

Se a economia está "superaquecida" ou se os preços estão subindo a um ritmo além do desejado, o economista do lado da demanda irá atuar mexendo na quantidade de dinheiro na economia. No caso, irá defender o aumento de juros para esfriar a demanda dos consumidores e reduzir a demanda das empresas por empréstimos para gastarem com mão-de-obra e equipamentos. 

Neste cenário, segundo a teoria, o consumo cai, os investimentos caem, o desemprego aumenta e, como consequência, os preços param de subir. (Algumas franjas também defendem o aumento de impostos com o intuito de também reduzir a demanda de indivíduos e empresas.)

Inversamente, se a economia está "desaquecida" e o preços estão "bem comportados", o economista do lado da demanda irá atuar no sentido oposto. No caso, irá defender a redução de juros para estimular a demanda dos consumidores e aumentar a demanda das empresas por empréstimos para gastarem com mão-de-obra e equipamentos. Neste cenário, segundo a teoria, o consumo aumenta, os investimentos crescem, o desemprego cai e, como consequência, os preços voltam a subir.

Na prática, portanto, para um economista do lado da demanda, uma maior demanda por bens e serviços leva automaticamente a uma maior oferta destes bens e serviços. A questão de como surgirá a produção é totalmente secundária (em algumas escolas de pensamento, a figura do empreendedor sequer é citada). Apenas acredita-se que uma maior demanda levará a um um maior emprego de mão-de-obra e, consequentemente, a mais produção.

E essa maior demanda por bens e serviços pode ser aumentada ao se implantar políticas que aumentem o poder de compra dos indivíduos: empréstimos a juros mais baixos, déficits orçamentários do governo (que "retiram" dinheiro da poupança das pessoas e o repassam ao governo, que então gasta, criando mais demanda) e, no extremo, a simples criação direta de dinheiro.

Este é o modelo dominante no mundo atual. Praticamente todos os governos, bancos centrais e ministérios das finanças seguem esta teoria.

Economistas do lado da oferta

Já para os economistas do lado da oferta, o que faz a economia crescer não é o consumo, mas sim a produção de bens e serviços

O consumo é uma consequência natural da produção. Por meio de nosso trabalho (produção), nós produzimos bens e serviços específicos com o intuito de auferirmos uma renda, a qual então utilizaremos para demandar (consumir no presente e no futuro) outros bens e serviços.

Quais bens e serviços iremos consumir? Aqueles produzidos por terceiros, e os quais serão adquiridos por nós com o dinheiro que obtivemos com a nossa produção (trabalho). Isso significa que, para o economista do lado da oferta, nosso consumo, e tudo aquilo que desejamos consumir, não é a força-motriz da economia.

O consumo ocorre quando encontramos bens e serviços que nos aprazem e cujos preços consideramos acessíveis, e os quais foram produzidos por empreendedores antes mesmo de termos manifestado nosso desejo de consumir.  

Em outras palavras, a quantidade de bens e serviços disponíveis para nós facilita o consumo. Não podemos consumir o que ainda não foi produzido. Consequentemente, a produção, feita com o propósito de permitir o consumo (e, quando bem-sucedida, trazendo lucro ao produtor), é o que conduz a economia.

Para o economista do lada da oferta, portanto, o foco está na produção de bens e serviços, e não na demanda dos consumidores.

Ademais, dado que a demanda por bens e serviços é natural e intrínseca ao ser humano — o simples fato de sermos humanos faz com que nossos desejos e necessidades sejam infindáveis e nunca sejam plenamente saciados —, não faz sentido criar medidas voltadas para aquilo que já é natural e inevitável. 

Logo, políticas voltadas para a demanda (seja para estimular ou para arrefecer o consumo) não fazem parte do modelo. A demanda não é uma preocupação. Não faz sentido se preocupar com algo que é natural e que já é exatamente objetivo final de toda e qualquer produção.

E dado que as pessoas produzem exatamente para auferirem renda, para então poderem demandar outros bens e serviços, o objetivo final da produção é exatamente o consumo (presente e futuro). Sendo assim, não faz sentido se preocupar com algo que é natural e cujo objetivo todos já almejam.

Portanto, e por uma questão de lógica pura, dado que sem a produção não há renda, e que sem renda não há demanda, se você resolve a questão da produção, você resolve automaticamente a questão da demanda. Por isso, o economista do lado da oferta se concentra em facilitar a produção.

Sendo assim, crucial em sua análise são as alterações nos incentivos tanto para o capital quanto para a mão-de-obra participarem nas atividades de mercado.

Consequentemente, problemas como preços em alta ou economia estagnada (ou mesmo uma combinação de ambas, como a famosa 'estagflação') não devem ser atacados por meio de políticas de demanda (manipulação de juros e da oferta monetária, aumento/redução do crédito etc.), mas sim por medidas que estimulem e facilitem a produção.

Redução de impostos sobre a produção irá estimular mais produção. Redução de impostos sobre o trabalho irá estimular mais trabalho. Permitir que os trabalhadores mantenham uma fatia maior de seu salário e que empreendedores/produtores mantenham uma fatia maior do seu lucro irá estimular mais trabalho e mais produção. Reduzir a burocracia e as regulações para se empreender irá gerar mais empreendedorismo. Liberar mercados, permitir a entrada de concorrência em vários setores da economia e praticar um comércio livre e irrestrito com o resto do mundo irão gerar mais empreendedorismo e produção.

Mais trabalho, mais empreendedorismo e mais produção significam mais emprego e renda. E mais renda significa mais demanda.  

A abordagem pelo lado da oferta resolve todos os problemas de uma só vez

Observe que este arranjo (abordar a economia pelo lado da oferta) resolve todos os outros problemas de uma só vez. Resolve o problema dos preços em alta e resolve o problema da economia estagnada.

Mais bens e serviços sendo produzidos significa, por definição, mais crescimento econômico. E, se há mais bens e serviços sendo produzidos, então há um aumento na oferta destes itens. Havendo maior oferta de bens e serviços, então tem de haver uma pressão baixista nos preços.

Para as pessoas demandarem (consumirem) mais, elas têm antes de ter produzido mais. Não é possível você demandar (consumir) sem antes ter produzido. Por isso, mesmo uma explosão no consumo não pode, por definição, ser inflacionária, pois os consumidores tiveram antes de produzir algo. Ao produzirem, eles aumentaram a oferta.

Isso, obviamente, não significa que o crescimento econômico tem necessariamente de gerar deflação de preços (pois sempre haverá quem aumente preços por estar em uma área com pouca concorrência, por exemplo), mas sim que é errada a narrativa de que todo crescimento econômico é necessariamente inflacionário.

Igualmente, para as pessoas demandaram mais (consumirem mais), elas têm de ter mais renda. Para terem mais renda, é necessário haver mais produção. Para haver produção, é necessário haver mais investimento. Para haver mais investimento, é necessário remover barreiras governamentais que desestimulam a produção

Cruciais são a segurança jurídica, a institucional e, acima de tudo, a econômica. Não há como haver investimento e produção (que são o que criam renda) em um país que regula, tributa e inflaciona em excesso.

Portanto, temos que uma maior oferta (produção) de bens e serviços cria uma maior demanda por outros bens e serviços. E a oferta de bens e serviços pode ser aumentada ao se retirar barreiras governamentais à produção e ao comércio. 

Na prática, portanto, para o economista do lado da oferta, uma maior oferta de bens e serviços cria uma maior demanda por outros bens e serviços. E a oferta de bens e serviços pode ser aumentada ao se retirar barreiras governamentais que atrapalham a produção e o comércio. Isso ataca, simultaneamente, tanto a questão da inflação de preços quanto a questão da estagnação econômica.

Política monetária do lado da oferta e do lado da demanda

Para o economista do lado da demanda, a política monetária é a principal força-motriz da economia. É a política monetária o que irá aumentar ou reduzir o consumo — e, consequentemente, aumentar ou reduzir o crescimento econômico.

Por isso, esse economista é extremamente ativista em termos de política monetária. O Banco Central deve estar continuamente manipulando juros para baixo ou para cima com o intuito de, respectivamente, estimular ou arrefecer o consumo das pessoas e os gastos das empresas. Agindo assim, ele acredita estar determinando diretamente o crescimento econômico. 

Dado que é a demanda o que impulsiona a economia, a política monetária visa a afetar diretamente a demanda (injetando ou retirando dinheiro da economia). Afetando a demanda, afeta-se crescimento econômico e, consequentemente, os preços.

Já para o economista do lado da oferta, o objetivo da política monetária não deve ser o de colocar dinheiro no — ou retirar do — bolso dos consumidores, mas sim, tão-somente, fornecer uma unidade de conta que seja estável ao longo do tempo, e que, principalmente, tenha alguma definição. 

Hoje, por exemplo, você não sabe definir o que são R$ 5. O que isso representa de concreto? Nada. R$ 5 hoje não representam o mesmo que representavam há 10 anos, e não representarão daqui a 10 anos o mesmo que representam hoje. Sendo assim, você tem uma unidade de conta completamente indefinida. Isso afeta profundamente as decisões de investimento de longo prazo

Por outro lado, se a moeda for mantida estável em relação a, por exemplo, uma commodity (como o ouro) ou mesmo a uma cesta de commodities, aí então você teria uma exata definição da unidade de conta. Você saberia que daqui a 10 anos aqueles R$ 5 reais terão a mesmo definição que têm hoje, assim como teriam a mesma definição que tinham há 10 anos.

Tal idéia sempre foi defendida por todos os economistas clássicos (Smith, Ricardo, Say, Mill e a Escola Austríaca). À sua época, eles já defendiam a ideia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais estável possível. Eles corretamente compreenderam que ter uma moeda fiduciária, não atrelada a nada, e cujo valor flutuasse constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem diariamente. É como se a definição de metro, do grama e do minuto fosse alterada diariamente. Um dia, o metro tem 100 centímetros; no dia seguinte, o metro se desvaloriza e passa a valer 95 centímetros. Depois, se valoriza e passa a ter 107 centímetros. Como seria possível fazer qualquer obra dessa maneira?

Assim como um metro flutuante e um minuto flutuante gerariam vários erros de construção, de cálculo e de planejamento, um dinheiro flutuante, além de dificultar enormemente o planejamento para investimentos de longo prazo, gera também uma enorme quantidade de investimentos insensatos, uma grande desarmonia nas transações e um profundo caos no cálculo econômico.

Por isso, para um economista do lado da oferta, em havendo um Banco Central, sua função é única: manter a moeda estável em relação a algum padrão. Historicamente, esse padrão sempre foi o ouro. Porém, manter a moeda estável em relação a uma cesta de commodities (como o Índice CRB, que é o principal índice de commodities do mundo) seria ainda melhor.

Para isso, bastaria o Banco Central operar exatamente como já opera hoje, mas com uma crucial diferença: em vez de comprar e vender títulos públicos visando a manter a taxa de juros do mercado interbancário fixa (curiosamente, o Banco Central controlar juros é algo visto como "liberal"), ele irá comprar e vender títulos públicos com o intuito de manter a cotação da moeda estável em relação ao padrão de referência escolhido. (Os detalhes estão descritos aqui).

Forneça uma moeda estável ao longo do tempo, e retire as barreiras governamentais à produção e ao comércio, e toda a economia estará preparada para um crescimento contínuo de longo prazo, sem voos de galinha.

Sobre isso, poucos se deram conta, mas o Banco Central americano (o Federal Reserve) manteve o dólar extremamente estável em relação ao Índice CRB (o principal índice de commodities) desde o início de 2015 até o início de 2020 (quando estourou a Covid-19). Foram cinco anos de dólar estável em relação a um padrão de referência. Daí não ser nada estranho a resiliência apresentada pela economia americana naquele período, com taxa de desemprego nas mínimas históricas, economia em crescimento contínuo e estável, salários em alta (crescendo a uma média de 5% ao ano) e, principalmente, inflação de preços estável abaixo de 2%

Para concluir

Dizer que o consumo impulsiona a economia significa simplesmente tornar irrelevante todo o processo empreendedorial de descobrir como melhor satisfazer os consumidores. Dado que este 'como' não é conhecido, e até mesmo muda ao longo do tempo, o consumo não pode 'conduzir' a economia.

De resto, nunca há um problema de demanda. Sempre há, isso sim, um problema de oferta restringida por barreiras governamentais. Essa restrição pode se dar tanto pelo lado da política monetária — moeda instável, moeda fraca, juros excessivamente altos para atacar um falso problema de demanda (como ocorreu no Brasil em 2015) —  quanto pelo lado da política fiscal — tributos altos, déficits e dívida do governo crescentes (que geram o temor de que haverá aumentos de impostos no futuro), regulamentações e burocracias que tolhem o empreendedorismo. 

Estando a oferta restringida, não há como haver aumento da demanda.

E manipulações monetárias — como a ideia de desvalorizar a moeda para impulsionar exportações ou reduzir juros para estimular mais consumo — não podem resolver este problema em definitivo, simplesmente porque adulterar a moeda não tem o poder de abolir restrições à oferta. 

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autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Heitor Angelo  12/12/2019 18:20
    Excelente artigo. Só não consigo entender como a inflação é tão defendida, de modo que o povo, que está tendo seu poder de compra diminuído, também a defende ao cair no conto dos políticos. Um exemplo é o Ciro Gomes, tem cada coisa absurda que ele já falou ejá vi gente chamando ele de intelectual. Enfim, agradeço se alguém puder me explicar como a inflação sempre é boa na cabeça de quem acredita nisso.
  • Leandro  12/12/2019 18:39
    Tal pergunta sempre é feita a tais pessoas. Só que elas nunca respondem de maneira coerente. A resposta de um sempre é imediatamente contraditada pelo resposta de outro. Nuca há um mínimo consenso.

    Há os que dizem que inflação é bom porque reduz os salários reais e, com isso, gera empregos. Há os que dizem que inflação é bom porque a perspectiva de que os preços aumentarão estimulará mais investimentos para se ter mais lucros (tal raciocínio desconsidera completamente que os custos também aumentam, o que aniquila os lucros reais). Há os que dizem que inflação é bom porque estimula as pessoas a consumirem imediatamente, em vez de postergarem para o futuro.

    Em comum, todos seguem o mesmo comportamento: enxergam a economia apenas pelo lado da demanda.

    Acreditar que inflação estimula a economia e o emprego é o equivalente a dizer: "Puxa, ano que vem meu custo de vida estará 10% maior. Exatamente por isso vou contratar uma faxineira, uma cozinheira, um motorista e um professor particular para meus filhos".

    Tem lógica?

    www.mises.org.br/article/2717/as-bencaos-de-uma-deflacao-de-precos

    www.mises.org.br/article/2394/o-legado-humanitario-de-dilma--seu-governo-foi-um-destruidor-de-mitos-que-atormentam-a-humanidade
  • Heitor Angelo  12/12/2019 23:11
    Obrigado pela resposta, Leandro. Realmente muito complicado entender como esse tipo de mentalidade existe.
  • Carlos Alberto  12/12/2019 18:46
    Artigo de suprema importância. Esse assunto nunca foi abordado abertamente por ninguém de maneira clara. E o fato de o artigo fazer isso sem recair no ataque ad hominen de sair rotulando escolas de pensamento (keynesianos, chicaguistas, neoclássicos, ortodoxos etc.) torna tudo ainda melhor.

    É bastante óbvio que todos os nossos governos sempre atacaram tudo pelo lado da demanda. O atual governo até deu uma olhada para o lado da oferta, com a MP da Liberdade Econômica. Mas foi só.
  • Dúvida  12/12/2019 18:52
    A reforma da previdência e a lei do teto de gastos são abordagem pelo lado da oferta ou da demanda?
  • Leandro  12/12/2019 19:04
    A Reforma da Previdência está dos dois lados. Do lado da oferta, o maior controle das despesas permitiu uma forte redução dos juros de longo prazo. Isso é positivo para a produção e empreendedorismo.

    Por outro lado, ela também está fortemente do lado da demanda, pois haverá aumento da alíquota do INSS para determinadas faixas de renda. (E a reforma, por si só, em nada desonera a folha de pagamento.)

    Sim, haverá uma forte redução dos gastos do governo no longo prazo, algo excelente e louvável, mas, de novo, se não houver uma concomitante redução de impostos (a qual eu quero crer que virá), será algo pendendo muito mais para o lado da demanda.

    O mesmo raciocínio vale para o teto de gastos. Permitiu uma forte e sustentável redução nos juros de longo prazo, mas ainda não levou a uma redução de impostos. Aliás, dado que o PIS/COFINS sobre os combustíveis foi duplicado em julho de 2017, e que a folha de pagamento foi reonerada, temos que os gastos foram contidos mas os impostos foram aumentados. Ou seja, forte propensão para o lado da demanda.

    Já as reformas trabalhistas e sindicais, além da já citada MP da Liberdade Econômica, estas sim foram totalmente do lado da oferta.
  • Felipe  12/12/2019 21:30
    "Por outro lado, ela também está fortemente do lado da demanda, pois haverá aumento da alíquota do INSS para determinadas faixas de renda. (E a reforma, por si só, em nada desonera a folha de pagamento.)"

    Era isso mesmo que eu queria saber... perguntei sobre isso meses atrás mas ninguém havia respondido (mas eu não perguntei aqui ainda). Esse remendo previdenciário na prática vai aumentar imposto sobre pessoas mais ricas, mesmo que essas pessoas não sejam funcionários estatais?
  • Daniel Cláudio  12/12/2019 21:45
    Com a reforma, também haverá mudanças nos descontos dos salários de trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos. A PEC 6/2019 cria alíquotas de contribuição progressivas tanto para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que reúne os segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), quanto para o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), que atende os servidores da União. Hoje, há três percentuais de contribuição para o INSS de acordo com a renda do empregado da iniciativa privada: 8%, 9% e 11% (o cálculo é feito sobre todo o salário). Com a reforma da Previdência esses percentuais vão variar de 7,5% a 14%. O cálculo será feito sobre cada faixa de salário.

    www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/11/11/novas-aliquotas-de-contribuicao-a-previdencia-valem-em-marco-de-2020

    www.contabeis.com.br/noticias/41287/previdencia-saiba-como-ficam-os-novos-descontos-no-seu-salario/

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,com-a-reforma-quanto-vou-pagar-a-previdencia,70003085815
  • Exigente  12/12/2019 19:09
    Embora o leitor acima tenha elogiado a ausência de ad hominens, eu gostaria que alguém pudesse explicitar de que lado está cada escola de pensamento econômico. Pelo menos as mais conhecidas.
  • Leandro  12/12/2019 19:18
    O keynesianismo está inteiramente do lado da demanda. Keynes é puro demand-side. Ele só se preocupa em criar maneiras de estimular demanda e consumo (como se isso fosse necessário). O segundo mandato do governo Lula e todo o governo Dilma foram totalmente do lado da demanda. Tudo era incentivo ao consumo (de produtos nacionais). Em nenhum momento se tentou reduzir empecilhos à produção (reduzir burocracia, regulações, impostos e ter moeda estável).

    (Mesmo as políticas de criar campeãs nacionais eram anti-lado da oferta: tomava-se o dinheiro da população e repassava-o aos empresários favoritos do governo para que eles se tornassem monopolistas de áreas tidas pelo governo como "estratégicas" e "cruciais", desta maneira restringindo a concorrência e, logo, a produção).

    A escola de Chicago e o monetarismo também têm características majoritariamente do lado da demanda. Manipular juros, para cima ou para baixo, para conter/estimular consumo é puro lado da demanda. Restringir/aumentar artificialmente o crescimento da oferta monetária também é puro lado da demanda. Aumentar juros para conter uma inflação de preços causada pelo derretimento da moeda (como defende Chicago), ao mesmo tempo em que a economia já está em profunda recessão (como foi feito em 2015, quando o dólar saltou de R$ 2,40 para R$ 4,20), é uma política totalmente do lado da demanda. O lado da oferta defenderia facilitar a produção e estabilizar a moeda.

    Já a Escola Austríaca e todos os economistas clássicos (desde Adam Smith e Ricardo até Mills e Say) são economistas do lado da oferta. Todos eles sabem que o desafio sempre foi produzir, e não demandar (consumir). O crescimento econômico e o genuíno enriquecimento de uma população dependem de investimento, produção e moeda estável, e não de mero consumismo. Consumismo há em qualquer arranjo econômico, até em sociedades tribais. Logo, o segredo está em liberar ao máximo a produção e o comércio, e não em desvalorizar a moeda, dar empréstimos subsidiados para consumidores ou mesmo congelar juros do cheque especial…
  • Tadeu  12/12/2019 20:41
    Um bom exemplo de política do lado da demanda é o programa "Minha Casa Minha Vida". O governo estimulou o endividamento das pessoas (de baixa renda) para comprar casas (um bem de consumo). O que isso gerou? O preço dos imóveis simplesmente triplicou, tornando o preço dos lotes ou terrenos praticamente inalcançáveis para os mais pobres, exatamente aqueles que supostamente estavam sendo ajudados. E os que perderam seu emprego ficaram sem renda, endividados e ainda perderam o imóvel, pois não quitaram suas parcelas.


  • Supply-Sider  12/12/2019 19:31
    Austríacos pegam muito leve com chicaguistas. Li os artigos deste site contra a escola de Chicago. São muito educadinhos. Quem bate com gosto neles é justamente o pessoal da supply-side economics dos EUA (tipo o John Tamny, que tem artigos aqui). Essa turma de Chicago que defende moeda fraca, câmbio flutuante e que acredita que é juros (e não câmbio) o que determina preços e estimula a economia merece porrada sem dó. Em alguns quesitos são até piores que os keynesianos. Ambos destroem nosso padrão de vida, mas Chicago faz isso utilizando uma retórica liberal, o que só me enraivece ainda mais.

    Dica: estudem a economia americana de 1978 a 1989. De 1978 a 1982, foi monetarismo chicagueano. A economia despirocou. De 1983 a 1989 foi supply-side economics. A economia decolou. De 1990 a 1994 foi neo-keynesianismo. A economia parou. De 1995 a 2000, voltou o supply-side, a economia disparou. De 2001 a 2014, pós-keynesianismo. Deu no que deu. De 2015 em diante, voltou uma mescla de supply-side com protecionismo. O supply-side vem garantindo alguns bons números, ao passo que o protecionismo vem tentando anular o que há de bom. Resta saber o que irá prevalecer.
  • Felipe  09/03/2021 17:07
    Não veremos um dólar mundialmente fraco tão cedo.
  • Kennedy  12/12/2019 21:09
    Boa noite pessoal. Leandro, poderia me tirar duas dúvidas?

    1) Então a única coisa que diferencia um economista Keynesiano de um economista de Chicago é que o primeiro defende que o crescimento deva ser puxado por "investimentos" públicos enquanto o segundo defende a ideia de que o crescimento deva ser puxado por investimentos privados?

    2) A medida que o Bolsonaro tomou recentemente de revisar as regulações de todos os órgãos do governo relacionada ao Custo-Brasil que está no "manual de boas práticas da OCDE" pode ser considerada uma medida supply-side? só não anexo o link da notícia com o comentário porque não tenho certeza se é permitido.

    Grato pela atenção.
  • Leandro  12/12/2019 21:34
    1) Não é só isso. Chicago é muito mais favorável ao livre mercado do que o keynesianismo. Em questões microeconômicas, Chicago é muito boa. Embora eles defendam regulações pontuais, e subscrevam à teoria do monopólio natural, eles são mais liberais no que tange a preços e a livre comércio. E embora defendam juros de curto prazo manipulados pelo Banco Central, eles são contra tabelamento de juros bancários para empréstimos.

    Coisas como um BNDES durante os governos Lula e Dilma não teriam vez em Chicago. Muito menos os bancos estatais emprestando a juros subsidiados pelos impostos da população.

    A fraqueza de Chicago está na área monetária. Para eles, a economia tem de ser toda controlada pela área monetária. Uma franja defende o Banco Central manipulando os juros de curto prazo (a SELIC). Outra franja (minoritária, e em franca extinção) defende que o Banco Central controle diretamente os agregados monetários.

    Em comum, ambas as franjas acreditam que é a manipulação da moeda e do preço do crédito (juros) o que gera crescimento econômico, e ambas têm ojeriza a qualquer moeda que não seja flutuante. Ou seja, na prática, eles defendem uma unidade de conta sem qualquer definição. Eles defendem que o minuto tenha segundos variáveis a cada dia.

    Já o keynesianismo é pior em tudo. Investimentos podem e devem ser feitos pelo setor público a juros completamente subsidiados por impostos. O Banco Central deve ter liberdade para financiar diretamente o Tesouro (como era no Brasil até meados da década de 1990). E a inflação de preços é o que gera crescimento econômico. Com inflação de preços baixa, não há crescimento econômico e o desemprego explode. (Aparentemente, nunca ouviram falar em Suíça, Alemanha, Cingapura ou mesmo EUA). Se a inflação de preços estiver incomodando (algo que, para eles, hoje, começa só a partir de uns 10%), deve-se aumentar o imposto de renda sobre os mais ricos e também tributar o consumo.

    2) Embora eu não esteja a par dos detalhes, se as regulações forem extintas, ou, no mínimo, reduzidas, e caso não haja aumento de impostos ou criação de outros burocracias para se compensar as eventualmente extintas, então sim, ela é pró-oferta.
  • Kennedy  12/12/2019 22:01
    Entendi, o Keynesianismo tem um grau de intervencionismo que traz uma deterioração ainda mais profunda do que eu imaginava, enquanto Chicago até é capaz de fornecer algum crescimento (embora tímido pela instabilidade/imprevisibilidade da moeda).

    Sobre as regulações, a medida do Bolsonaro que citei é o Decreto nº 10.139, o qual segundo o governo, o objetivo é "revisar, atualizar, simplificar e consolidar os atos legais, reduzindo o estoque regulatório, eliminando normas obsoletas, reduzindo a complexidade dos processos, fortalecendo a segurança jurídica e, como consequência direta e mais importante – reduzindo o Custo Brasil". Parece que essa medida é supply-side mesmo.

    Obrigado Leandro.
  • Vinicius  12/12/2019 22:07
    Leandro como você ver o episódio do samy Dana?
  • Aurélio  12/12/2019 22:37
    Na faculdade eu aprendi essa bobagem de "deficiência da demanda". Se você parar para pensar, a coisa desafia o bom senso. O propósito de se ter preços em qualquer coisa é justamente haver um mecanismo de racionamento. Se a demanda fosse um problema então não mais precisaríamos desse mecanismo de racionamento! E a "demanda insuficiente" estaria resolvida!

    Preços existem justamente porque nossas demandas são infinitas, mas os recursos para saciá-las são escassos. Isso é o básico do básico.

    Por isso, não tem como existir um problema de demanda, mas sim de oferta. Qualquer economista minimamente sensato deveria saber disso.
  • anônimo  12/12/2019 22:45
    Estimular o consumo tem explicação política. Os barões da indústria nacional querem vender e pagam propina para políticos estimularem o consumo. Veja os barões da Anfavea, que fizeram aquele poderoso lobby para que o governo concedesse crédito para que as pessoas comprassem carro a rodo, é claro, fabricado exclusivamente por eles. Os políticos também ganham, pois consumir é bom e as pessoas vão apoiar o governo. Vejo o caso do Lula. É claro que isso gera prejuízo para a maioria, mas a minoria ganha as custas dos outros.

    Portanto economicamente estimular o consumo é ruim, mas politicamente é bom para burocratas e empresários amigos do rei.
  • Leitor Curioso  12/12/2019 23:16
    Aproveitando que o Leandro está de plantão hoje, gostaria de deixar uma pergunta na esperança de ser respondido pelo mentor intelectual do Mises BR.

    Qual é o papel da poupança no crescimento econômico? Acredito que este é o principal pilar do crescimento econômico, e que este pilar é corrompido pela tributação(qualquer que seja). Eu fiz um download de um power point deste site há uns anos atrás, e o que eu entendi foi o seguinte: quando o consumo é reduzido voluntariamente pelos consumidores(ou seja, as pessoas aumentam a poupança), as indústrias de bens de consumo sofrem um desinvestimento e a demanda por matérias-primas é reduzida, após isso o preço das matérias-primas cai, e as indústrias de bens de capital aproveitam a oportunidade para investir neste momento. A consequência é que os bens de capital acabam ficando melhores e mais baratos do que antes e as indústrias de bens de consumo podem reduzir seus custos e aumentar a sua produtividade por causa disso, e finalmente o consumidor tem a oportunidade de consumir mais do que antes porque a produtividade da economia aumentou. Gostaria de saber se é isso mesmo ou se errei em algum ponto, e se há algum adendo que pode ajudar a elucidar melhor a questão.
  • Leandro  13/12/2019 00:02
    "Qual é o papel da poupança no crescimento econômico?"

    Crucial.

    É a poupança — isto é, o ato de abrir mão do consumo — o que libera recursos escassos (materiais e matérias-primas não consumidos) para serem investidos na produção de máquinas e bens de capital, os quais, por sua vez, irão permitir a produção de mais bens de consumo, aumentando nosso padrão de vida.

    Uma sociedade que consome tudo o que produz é necessariamente uma sociedade de subsistência. Uma tribo africana consome 100% de sua produção (renda). Como não consegue poupar, não consegue acumular capital. Sem capital acumulado, não consegue aumentar sua produtividade. Sem aumento de produtividade, não sai da pobreza. Nada é mais anti-capitalista que uma sociedade ultra-consumista.

    www.mises.org.br/article/2575/nesta-black-friday-aja-como-um-genuino-capitalista-poupe-e-invista

    www.mises.org.br/article/2665/por-que-uma-sociedade-poupadora-enriquece-e-uma-sociedade-consumista-empobrece

    www.mises.org.br/article/1457/sociedades-pobres-e-sociedades-ricas--o-que-faz-a-diferenca

    www.mises.org.br/article/3006/ciclo-nefasto-a-economia-cresce-o-governo-gasta-e-os-gastos-do-governo-depredam-a-economia

    "Eu fiz um download de um power point deste site há uns anos atrás, e o que eu entendi foi o seguinte: […]"

    A sua descrição está correta, mas ela só ocorre em um arranjo no qual não há um Banco Central manipulando juros e estimulando o crédito.

    No mundo real, há uma maneira mais fácil de explicar o que realmente ocorre. Creio que a explicação destes dois artigos ficou boa:

    www.mises.org.br/article/2466/como-a-crescente-estatizacao-do-credito-destruiu-a-economia-brasileira-e-as-financas-dos-governos

    www.mises.org.br/article/2852/economia-brasileira-aguia-ou-galinha--aprendendo-a-prever-os-ciclos-economicos-
  • inflação  12/12/2019 23:29
    Se em um ano a inflação é de 3% e o crescimento é de 2%, logo ninguém enriqueceu. Certo?

    Oras, eu enriqueço 2% em um ano mas perco 3% do poder de compra.
  • Humberto  13/12/2019 00:03
    Se você estiver lidando com PIB nominal, então sim. Mas ninguém divulga PIB nominal. Todas as taxas de crescimento do PIB divulgadas são o PIB real, ou seja, já vem deflacionado pela taxa de inflação de preços.
  • Bom senso  13/12/2019 00:33
    Mas a economia brasileira apresenta altíssima ociosidade e elevado desemprego. Isso não é falta de demanda? Com a crise fiscal, o setor público passou a conter fortemente gastos, fora que o BNDES saiu de cena, e o setor privado não preencheu o espaço deixado por aquele. Sem pessoas demandando não tem economia... vai pra produzir pra quem ? quem vai consumir se não tem dinheiro ? Primeiro vem as pessoas, depois vem o dinheiro e a lógica fria do mercado.
  • Leandro  13/12/2019 01:22
    "Mas a economia brasileira apresenta altíssima ociosidade e elevado desemprego."

    Correto. A alta ociosidade é resultado de investimentos errôneos feitos na época do boom, investimentos esses que foram estimulados por manipulações de juros e inflação da moeda. Várias indústrias se expandiram acreditando que a renda continuaria aumentando indefinidamente, algo que não aconteceu (a renda estagnou e começou a cair em 2014; tudo era ilusório).

    Empreendedores — por vários motivos, dentre os principais juros manipulados, crédito estatal subsidiado e moeda continuamente inflacionada — imaginaram que os consumidores atribuiriam a seus bens e serviços valores maiores do que aquele que de fato foi atribuído. Não houve um 'excesso de produção'; houve, isso sim, um erro de cálculo quanto ao futuro valor de mercado dessa produção.

    Tão logo essa expansão do crédito é interrompida, todo o cenário de aumento da renda se revela fictício e artificial, mostrando que nunca houve realmente um aumento da renda da população. Houve apenas inflação da moeda e endividamento. Consequentemente, seus bens e serviços não poderão ser vendidos pelo maior preço antecipado pelos empreendedores.

    (Veja como toda essa teoria de fato ocorreu na prática no Brasil da última década.)

    Já o desemprego é consequência direta dessa constatação de que os investimentos foram errados. Tão logo se constata que vários investimentos errados foram feitos (investimentos para os quais nunca houve uma demanda genuína), ocorre a suspensão (ou mesmo a abolição) de determinadas linhas de produção (o que causa o fechamento de empresas e fábricas) e a mão-de-obra destes empreendimentos é demitida

    "Isso não é falta de demanda?"

    A ociosidade e o desemprego são consequência de erros do passado, os quais devem ser liquidados. O governo deve remover ao máximo os obstáculos burocráticos e regulatórios para que os empreendedores possam rapidamente corrigir seus erros e descobrir quais bens e serviços os consumidores realmente querem (e podem comprar). Dado que o mecanismo de preços é a principal fonte de informação dos empreendedores, uma flexibilidade nos preços de mercado é essencial para uma rápida recuperação.

    Uma vez liquidados e corrigidos os erros, aí sim a produção pode ser retomada, e agora mais em linha com a realidade da economia (e não com o cenário fictício que existia no passado). À medida que essa produção for sendo retomada, a renda irá voltar a aumentar. A velocidade da retomada desta produção irá depender diretamente de quão rapidamente as barreiras governamentais à produção forem sendo removidas.

    "Com a crise fiscal, o setor público passou a conter fortemente gastos,"

    Eis a evolução dos gastos mensais do governo.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-government-spending.png?s=brazilgovspe&v=201912031233V20191105&d1=19200107

    "fora que o BNDES saiu de cena, e o setor privado não preencheu o espaço deixado por aquele.

    Esta é a única parte correta. Quando o estado se retrai, o setor privado só entra se houver, dentre outras coisas, segurança jurídica e perspectivas econômicas positivas. Nos últimos anos, não tivemos nada disso.

    "Sem pessoas demandando não tem economia... vai pra produzir pra quem ? quem vai consumir se não tem dinheiro ? Primeiro vem as pessoas, depois vem o dinheiro e a lógica fria do mercado."

    Frase inócua.

    Para consumir, tem de ter renda. Para ter renda, tem de ter produção. Para ter produção, tem de ter investimento. Para ter investimento, tem de ter segurança jurídica, institucional e, acima de tudo, econômica. Ou seja, é necessário remover as barreiras governamentais à produção, começando pela instabilidade da moeda e pelo próprio orçamento bagunçado do governo.

    Dica: não há investimentos produtivos em países de dívida alta e crescente porque os investidores temem que esta dívida será quitada com aumentos futuros de impostos. Impostos são custos. Se os investidores acreditam que os impostos aumentarão no futuro (para quitar a dívida), eles obviamente não investirão aqui.

    Igualmente, se a moeda é instável, investimentos de longo prazo (que são os que mais criam riqueza e produtividade) não são feitos.

    Não há como fazer mágica e abolir esta realidade.

    Se nada disso for atacado, aí de fato não haverá renda. E aí realmente ninguém comprará nada. No entanto, observe: a causa de tudo está na ausência de produção. Sem ela, não há renda.

    No final, o fato é que o crescimento econômico só ocorre quando indivíduos assumem riscos ao investirem o capital próprio (ou emprestado por terceiros) em uma idéia, a qual eles esperam irá agradar terceiros (consumidores) que voluntariamente irão pagar por ela. Não há crescimento econômico sem a tomada de risco. Não há prosperidade sem indivíduos assumindo riscos em investimentos incertos. Por isso, as barreiras a esses investimentos devem ser abolidas ao máximo possível, caso o intuito seja uma rápida recuperação econômica.

    De novo: não é possível contornar e abolir esta realidade.
  • Empreendedor  14/12/2019 19:11
    Se é a demanda que gera oferta, como acreditam os economistas do lado demanda, como explicar o surgimento do iPad e do iPhone, por exemplo?

    Não havia nenhuma demanda por isso. Ninguém pedia por isso. Aliás, quando o iPad surgiu, ninguém acreditava na viabilidade dele. A imprensa dizia que ele nasceu morto. No entanto, ele viralizou.

    Quem só olha a economia pelo lado da demanda não consegue explicar absolutamente nada do que acontece. E muito menos entende o mais básico sobre empreendedorismo e descobertas. Empreender não é satisfazer demandas presentes. Empreender é se antecipar aos gostos futuros dos consumidores, e estar pronto para sempre satisfazê-los.

    Isso é tão básico que até microempreendedores semianalfabetos sabem disso. Quando há um show ao ar livre, por exemplo, pipoqueiros, vendedores de cachorro-quente, e food-trucks vão ao local para vender seus produtos. E eles se instalam lá antes do show começar. Ou seja, por definição, eles vão para lá ofertar seus produtos sem que tenha havido uma única demanda anterior. Quando eles chegam ao local, ainda não houve nenhuma demanda, pois ainda não tem ninguém no local. Eles simplesmente se antecipam e imaginam que haverá demanda por seus produtos. Eles não chegam após a demanda se manifestar. Eles chegam muito antes de o primeiro esfomeado aparecer em suas barracas. Isso é se antecipar. Isso é ofertar antes da demanda surgir. Básico.

    www.mises.org.br/article/2774/a-ideia-de-que-os-gastos-dos-consumidores-geram-empregos-atenta-contra-a-logica
  • anônimo  19/12/2019 02:49
    E falta de oferta. Se houvesse mais producao, teria que se contratar mais trabalhadores. Mais trabalhadores produzindo e recebendo iam começar a consumir e o consumo dispararia. Não e de demanda.
    Vc estimula a demanda, a inflação sobe, os trabalhadores com menos dinheiro consomem menos. A economia não acelera, e os contratantes com menos dinheiro pra pagar , manda embora os trabalhadores. E estes param de consumir , fazendo a economia encolher
  • YURI  13/12/2019 04:16
    Leandro,

    Algo crucial que aprendi com os artigos do IMB:

    "A riqueza e o padrão de vida de um país são determinados pela abundância de bens e serviços. Quanto maior a quantidade e diversidade de bens e serviços ofertados, maior será o padrão de vida da população. "

    Sobre os países desenvolvidos: a maior liberdade econômica presente nesses países permite uma maior produção/oferta/abundancia de bens e serviços gerando uma pressão baixista nos preços, o que faz com que a população local tenha mais acesso estes bens/serviços (e assim um melhor padrão de vida)?

    Seria por isso que, quando viajamos a países ricos(com maior liberdade econômica), constatamos que, em relação ao Brasil, quase todos os produtos são mais baratos e mais acessíveis a população do país (as vezes baratos até mesmo quando convertemos para o nosso real desvalorizado e comparamos com o preço do Brasil) ?
    (Pobres nos EUA geralmente tem ar-condicionado em casa, micro-ondas e pelo menos um carro)

    Meu raciocinio está correto?

    Podemos dizer que a maior abundancia bens/serviços (o que facilita o acesso da população a eles) é o que diferencia o padrão de vida de países ricos e pobres?

  • Felipe  13/12/2019 14:25
    "Sobre os países desenvolvidos: a maior liberdade econômica presente nesses países permite uma maior produção/oferta/abundancia de bens e serviços gerando uma pressão baixista nos preços, o que faz com que a população local tenha mais acesso estes bens/serviços (e assim um melhor padrão de vida)? "

    Sim, exatamente.

    "Seria por isso que, quando viajamos a países ricos(com maior liberdade econômica), constatamos que, em relação ao Brasil, quase todos os produtos são mais baratos e mais acessíveis a população do país (as vezes baratos até mesmo quando convertemos para o nosso real desvalorizado e comparamos com o preço do Brasil) ?
    (Pobres nos EUA geralmente tem ar-condicionado em casa, micro-ondas e pelo menos um carro) "


    Morei na Flórida e, apesar de ser um dos estados mais pobres do país, o padrão de vida é infinitamente superior. Não apenas os bens e serviços são mais acessíveis, mas também a qualidade destes é infinitamente superior. Me acostumei com um leite de amêndoas que tomava lá e, quando voltei ao Brasil, notei de que o leite é terrível, parece que colocaram solvente para adulterar (além de mais caro). Medicamentos, carros e até o sistema de ensino, que é extremamente regulado e subsidiado, são superiores. Qualquer casinha vagabunda possui máquina de lavar louças, secador de roupas, ar-condicionado (muitos possuem o sistema central, que resfria vários cômodos). A energia é mais barata para eles também. Esqueça a conversão burra, isso é uma grande enganação. Na Índia, por exemplo, se passar o custo da internet móvel para dólares, vai ficar extremamente barato se comparado com uma internet de um país como os EUA. Mas isso acontece porque a Índia é ainda um país extremamente pobre, inclusive mais pobre do que o Brasil.

    Note que uma das queixas de parte da população americana é com relação aos custos crescentes de habitação, saúde e ensino. E é extremamente compreensível, já que estes setores são extremamente regulados e subsidiados. Distorção tamanha que manter um BMW Série 3 por 1 ano é menos caro do que pagar a anuidade de certas universidades (algumas passam de US$40 mil por ano). Simplesmente porque não existe um departamento, secretaria e programas federais para a compra de BMWs, apesar de eles serem muito mais complexos (e usando insumos de todas as partes do mundo) do que assistir um professor escrevendo na lousa. O plano de saúde que eu usava também era muito melhor do que a latrina que usava no Brasil (e os médicos nunca atrasaram, o que acontecia com frequência com o meu plano no Brasil). Adquirir um medicamento prescrito era extremamente prático. No começo foi mais difícil pois eu estava começando no plano mas, depois, uma moleza: você pede pelo aplicativo, eles fazem o remédio, você vai na farmácia, paga e busca. Enquanto no Brasil para qualquer medicamento prescrito, é aquela lentidão extrema e eles ficam preenchendo aquele monte de papel. Ponto fraco é o sistema de ensino, que é oneroso e burocrático, e o sistema de pagamento deles é esquisito (há um problema grave com endividamento estudantil). Mesmo o ensino estatal pode pesar um pouco (não é embutido como no Brasil, você paga por semestre, pelo menos foi o que vi nas instituições ao redor; pode mudar em outras EUA afora). Sobre saúde americana, traduzi estes artigos para você checar, se quiser. Artigos sobre habitação aqui e sobre a suposta estagnação da renda americana, aqui.

    "Podemos dizer que a maior abundancia bens/serviços (o que facilita o acesso da população a eles) é o que diferencia o padrão de vida de países ricos e pobres?"

    Sim, assim como o próprio poder de compra da moeda, que é a sua capacidade de manter o seu poder de compra ao longo do tempo. É assim com o iene, por exemplo.
  • Artista Estatizado  13/12/2019 11:54
    Pergunta: para manter a confiança no poder de compra da moeda não seria melhor tornar a moeda conversível em uma certa quantidade de commoditie?

    No texto é dito que poucos perceberam que o Federal Reserve vem mantendo o dólar estável em relação ao índice CRB. Sendo assim, a comunicação dessa estabilidade não foi tão eficiente, e o dólar experimentou uma atratividade menor do que poderia.
  • Leandro  13/12/2019 12:38
    Conversibilidade é o absoluto ideal, mas não é estritamente necessária para se alcançar a estabilidade da moeda.

    Quanto à afirmação de que o dólar 'não experimentou uma grande atratividade', trata-se de algo facilmente refutado pelo índice DXY, que mensura a força do dólar em relação às principais moedas do mundo. Desde o surgimento do euro, em 2002, o dólar raramente esteve tão forte, chegando a ultrapassar, em muito, o valor 100. Desde meados de 2014, a demanda pelo dólar só fez aumentar.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-currency.png?s=dxy&v=201912131231V20191105&d1=20030113&d2=20191213
  • Zuca em Tuga  13/12/2019 12:11
    Pois é. Não é função de governo algum se preocupar com a demanda - isso é coisa para os produtores pensarem.
    A não ser que seja em áreas monopolizadas pelo Estado... e ainda assim entrega-se um serviço terrível.

    Sorte do povo brasileiro que o saneamento finalmente será (um pouco) mais livre para o ano que vem.
  • Tannhauser  13/12/2019 12:43
    Poderiam ter colocado um artigo sobre o Brexit ou sobre o QE4.
  • Vinicius  13/12/2019 13:56
    Leandro, o juan Ramon rallo ele fala de sistema monetário ideal com uma mescla em ativos financeiros e ativos reais, aqueles para da uma flexibilidade e este para ser a âncora. Então por essa visão um coeficiente de 100% de reserva não seria tão eficiente, na economia de hoje.

    O livro dele tá pra sair talvez ele detalhe melhor. a princípio eu vejo como algo válido. como você ver essa análise?
  • Leandro  13/12/2019 21:12
    Não estou a par dos detalhes, por isso não posso opinar. A referência escolhida (benchmark) é de suprema importância. Como não sei a proposta dele, vou me abster. Mas posso dizer o seguinte: a partir do momento em que você escolhe a referência correta, reserva fracionária perde a importância. A partir do momento em que você define sua moeda e atribui a ela uma definição, a oferta dela sempre acompanhará a demanda por ela — caso não acompanhe, o preço dela sai do lugar (o câmbio se altera), e aí a própria política monetária corrige.
  • Interessado  13/12/2019 14:46
    Muito bom o artigo, é impressionante a clareza e precisão

    Eu estava falando justamente isso para um conhecido e ele só falou, não sei se foi por retórica, que "estimular a oferta é errado porque a curva da ofertaxdemanda não é uma reta"
  • Alfredo  13/12/2019 20:57
    Mas realmente não se deve "estimular" a oferta. Deve-se simplesmente permiti-la, liberando todos os entraves e obstáculos. O oposto de restringir é liberar, e não estimular.

    Quanto à questão das curvas, a afirmação dele não faz o mais mínimo sentido.
  • Mr Citan  13/12/2019 15:16
    Artigo muito bom, aliás, a figura que ilustra o artigo me lembra muito o vídeoclip "Fight of the Century : Keynes vs Hayek" (tem no Youtube, recomendo), onde após a luta, mesmo sendo nocauteado pelos belos e lógicos argumentos de Hayek, Keynes sai como vitorioso, saudado pela mídia, pela platéia, pelos políticos e burocratas do FED, enquanto Hayek é parabenizado por um pequeno e lúcido grupo de pessoas.

    Aliás, penso que os economistas e demais apoiadores da economia da demanda, se inspiram bastante naquela falácia do dramaturgo Bertolt Brecht , no que ele dizia que "o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem dos políticos."
    Errado, Bertolt comuna!
    O preço destas coisas dependem apenas das pessoas.
    Quanto mais os políticos, burocratas e demais parasitas estiverem longe, melhor para todos, inclusive para os mais pobres.
  • Guilherme  13/12/2019 20:43
    Sim, o vídeo é espetacular. E resume perfeitamente ambas as teorias. Não se esqueça de ativar as legendas!

  • Felipe  14/12/2019 18:01
    Li o artigo, extremamente didático. Até petista entende.

    Agora, mudando de assunto, algo que me chamou atenção foi o Paraguai. A sua taxa de inflação de preços está em mínimas históricas, quase de um país rico. Como poderíamos explicar?
  • Leandro  14/12/2019 18:35
    A mesma explicação de todas as outras (sim, eu sei, já estou virando uma vitrola arranhada): o guarani paraguaio se fortaleceu e, como consequência, os preços das commodities, em guaranis paraguaios, caíram. Estão hoje no mesmo nível em que estavam em 2009.

    Confira:

    ibb.co/3YpJYVT

    Agora compare com o Brasil:

    ibb.co/fSHBRCS
  • Felipe  14/12/2019 22:42
    Como você cria esses gráficos?

    Quando você diz em relação ao fortalecimento do Guarani Paraguaio, o que indica o seu fortalecimento é que as commodities estão ficando cada vez mais baratas em termos da moeda? Por que a moeda foi fortalecida? Política do BC de lá?

    Muito curioso é que por volta de 2009, era o mesmo valor alto que está hoje o Brasil e, apesar dessa desvalorização do Real, a inflação de preços ainda não voltou a atormentar (você disse, se não me engano, que é por causa do que foi explicado nesse artigo, mas esse fenômeno está atingindo praticamente o mundo todo).
  • Leandro  15/12/2019 01:04
    "Quando você diz em relação ao fortalecimento do Guarani Paraguaio, o que indica o seu fortalecimento é que as commodities estão ficando cada vez mais baratas em termos da moeda?"

    Correto.

    "Por que a moeda foi fortalecida? Política do BC de lá?"

    Vários fatores, mas o principal é o crescimento econômico, que tem sido robusto. Quanto maior o crescimento, maior é a demanda pela moeda, maior é a sua força.
  • anônimo  19/12/2019 21:54
    Paraguai abaixou impostos e burocracias, empresários mudaram pra lá, a produção nacional aumentou, aumentando a oferta e isso faz a moeda nacional ficar forte.
  • Felipe  14/12/2019 22:55
    Ah, eu confundi. Na verdade o Brasil em commodities está em máximas históricas, mas não em relação à 2009, e sim em relação à 2018 e por volta de 2015, no dilmismo. Em 2018 pode ter sido por causa da greve dos caminhoneiros. Torçamos para que o Tarcísio faça algo para atrair investimento privado em ferrovias e afins.
  • Leandro  15/12/2019 01:05
    "Na verdade o Brasil em commodities está em máximas históricas, mas não em relação à 2009, e sim em relação à 2018 e por volta de 2015, no dilmismo. Em 2018 pode ter sido por causa da greve dos caminhoneiros."

    Correto. E é exatamente pelo fato de já termos alcançado a máxima em 2018, que este ano a coisa tem sido mais comportada.
  • Felipe  15/12/2019 23:26
    Como você cria esses gráficos?
  • Trader  16/12/2019 04:32
  • Felipe  08/01/2020 23:26
    Leandro, você disse que atingimos a máxima em 2018. Mas o que impediria se tivéssemos atingido uma outra máxima no ano passado nos preços das commodities?
  • Em busca da verdade  14/12/2019 19:27
    Pergunta incomoda: haveria este site e vários canais liberais, se não fosse o Estado assumindo riscos e investindo a fundo perdido pra criar novas tecnologias, o que acabou criando a internet?

    Se um socialista não deve usar iphone, um liberal não deve usar internet?

  • Entregando a verdade  14/12/2019 20:18
    Estado empreendedor?! Com o dinheiro alheio? Criador da internet? Tem cada iludido…

    www.mises.org.br/article/1375/quem-realmente-inventou-a-internet

    www.mises.org.br/article/2539/-quanto-mais-o-estado-empreendedor-fracassa-mais-adeptos-ele-ganha

    P.S.: sua pergunta não incomoda em nada. Ao contrário: apenas diverte.
  • Régis  14/12/2019 20:19
    A próxima pergunta será: sem o estado (ou seja, sem políticos), quem construiria pontes e estradas?
  • Pobre Mineiro  16/12/2019 15:04
    Coloque na lista:

    Sem um estado, como nos defenderíamos de uma invasão alienígena, no estilo daquele filme lixo "independence day" ?.
    kkkkkkk
  • anônimo  14/12/2019 23:07
    Daria para considerar o governo trump um misto de suuply e demand?
    Corte de impostos (supply), aumento do deficit (demand), moeda forte (supply), tarifas de importação(essa é dificil classificar, afeta o consumo e a oferta, mas vou por como demand, por tentar estimular consumo interno), desburocratização (supply);

    É até estranho, muitos analistas estão esperando uma recessão nos EUA, mas a moeda continua forte( e talvez por estar forte, não ocorra recessão);

    É realmente dificil analisar os EUA atual de um ponto de vista austríaco; Considerando a força da moeda, a recessão não seria forte;

    O FED também voltou a injetar dinheiro, e o dólar continua resiliente
  • Leandro  15/12/2019 01:12
    "Daria para considerar o governo trump um misto de suuply e demand?"

    Sim.

    "Corte de impostos (supply), aumento do deficit (demand), moeda forte (supply), tarifas de importação (essa é dificil classificar, afeta o consumo e a oferta, mas vou por como demand, por tentar estimular consumo interno), desburocratização (supply);"

    Tudo correto. Mas vale enfatizar que tarifa de importação é demand, pois restringe-se a oferta (tarifar a entrada de produtos estrangeiros é restringir completamente a oferta) com a expectativa de que a demanda interna reprimida magicamente fará surgir produtos nacionais de igual qualidade — um total devaneio.

    "É até estranho, muitos analistas estão esperando uma recessão nos EUA, mas a moeda continua forte( e talvez por estar forte, não ocorra recessão)"

    Correto.

    "É realmente dificil analisar os EUA atual de um ponto de vista austríaco; Considerando a força da moeda, a recessão não seria forte; O FED também voltou a injetar dinheiro, e o dólar continua resiliente"

    O dólar continua forte e resiliente porque a demanda por ele continua forte e resiliente, o que significa que a oferta mundial de dólares não está alta. Todo o resto é espuma.

    A gente pode, no máximo, criar teorias e conjecturas sobre o motivo de o dólar continuar forte (pode ser porque todas as outras moedas não inspiram confiança; pode ser porque a economia americana é a mais robusta do mundo desenvolvido; pode ser que é porque os EUA são o único país rico que ainda pagam juros relativamente altos; pode ser por tudo isso). Mas o fato é que o dólar continua forte e estável em relação ao índice de commodities. E, no momento, isso é o que interessa.
  • Felipe  15/12/2019 01:26
    De fato a recessão virá em algum momento, não tem como pularmos a realidade dos ciclos econômicos. Mas a economia americana é ajudada pela moeda forte, segurança jurídica e relativa liberdade econômica. Uma coisa é um Brasil (roça) entrar em recessão, outra são os EUA entrarem em recessão.
  • anônimo  15/12/2019 21:11
    De fato, creio que aqui seja pior até na velocidade de recuperação; A taxa de desemprego nos EUA sempre começa a cair depois de um pico, aqui fica anos e anos elevada
    tradingeconomics.com/united-states/unemployment-rate

    Isso deve ser por causa da flexibilidade trabalhista, e os fatores já expostos

    Os ciclos devem ser bem mais danosos para países como o Brasil
  • Felipe quaresma da silva   16/12/2019 06:21
    Não entendo muito de economia , estou aprendendo com a ajuda deste canal. Eu tenho uma duvida : seria algo benefico inificar moeda papel pelo mundo ? Isso e menos interferência do estado e mais livre mercado poderia acabar com a miséria que muitas pessoas passam ao retor mundo.
  • Em busca da verdade  16/12/2019 15:20
    Por que os liberais reclamam da desvalorização do cambio e pedem intervenção estatal pra valorizar a moeda nacional, se dizem defender a não intervenção do Estado?

    Por que liberais rejeitam cambio desvalorizado e juro baixo, equilibrio pro investimento, se não são muito simpaticos ao consumo e ficam defendendo a poupança?

  • Amante da Lógica  16/12/2019 16:28
    "Por que os liberais reclamam da desvalorização do cambio"

    Porque nós não gostamos da destruição da moeda, e sempre defendemos moeda forte (inúmeros artigos sobre isso no site). Queremos Suíça e não Venezuela. Se você ainda não entendeu nem sequer este básico, aí é caso perdido.

    "e pedem intervenção estatal pra valorizar a moeda nacional, se dizem defender a não intervenção do Estado?"

    Intervenção do estado é manipular juros. Banco Central tabelar juros, como faz hoje (determinar a SELIC nada mais é do que tabelar os juros de curto prazo), isso sim é intervencionismo.

    Já o Banco Central vender dólares para aumentar a demanda pelo real não tem nada de intervencionismo. Trata-se apenas do auto-declarado guardião da moeda fazendo exatamente sua atribuição: manter estável o poder de compra da moeda.

    Ademais, se vender dólares é intervencionismo, então acabou. Qualquer vende de qualquer ativo estatal também será "intervencionismo". Se o governo vender uma estatal, intervencionismo. Se o governo vender um prédio público, intervencionismo. Se o governo vender uma terra estatal, intervencionismo. Lógica zero.

    Por fim, dado que o Banco Central detém o monopólio da emissão de moeda, e dado que nós somos obrigados a aceitar esta moeda (se eu me recusar a aceitar um pagamento em reais posso ser preso), então ele tem a obrigação precípua de entregar uma moeda forte e estável. E o jeito correto de ele fazer isso é vendendo dólares quando necessário. Uma instituição estatal vender um ativo (dólares) está longe de ser intervencionismo. Intervencionismo, aí sim, é tabelar juros.

    Nós não somos incoerentes.

    "Por que liberais rejeitam cambio desvalorizado"

    Eu não consigo desenhar melhor do que isso. Mas vou tentar:

    www.mises.org.br/article/2175/tres-consequencias-da-desvalorizacao-da-moeda--que-muitos-economistas-se-recusam-a-aceitar

    www.mises.org.br/article/3052/o-investimento-estrangeiro-so-vira-quando-a-moeda-for-estavel--historicamente-nao-e-o-nosso-caso

    www.mises.org.br/article/2196/os-tres-tipos-de-regimes-cambiais-existentes--e-qual-seria-o-mais-adequado-para-o-brasil

    "e juro baixo"

    Como deixou explícito o artigo acima, não temos nada a dizer sobre o nível de juros, simplesmente porque, ao contrário de todos os outros, temos a humildade de reconhecer que não fazemos a mais mínima ideia de qual seria o valor correto dos juros.

    E é exatamente por isso que a função precípua do Banco Central, já que ele existe, é manter a moeda estável (de preferência, em relação a uma cesta commodities), e deixar os juros flutuarem livremente. Impossível arranjo mais liberal do que este.

    "equilibrio pro investimento, se não são muito simpaticos ao consumo e ficam defendendo a poupança?"

    Ininteligível. Você está dizendo que moeda destruída é pró-poupança e anti-consumismo? É isso mesmo? Cite um único exemplo prático em que uma moeda destruída estimulou as pessoas a pouparem mais e a investirem mais para o longo prazo. Só um.

    Moeda destruída, meu caro, gera exatamente o efeito oposto: estimula as pessoas a se livrarem dela o mais rapidamente possível, aceitando abrir mão dela em troca de qualquer coisa. Por isso o consumismo dispara e não há absolutamente nenhum investimento voltado para um prazo maior do que um ano.

    Informe-se melhor antes de fazer juízos.
  • Edmar Lopes  17/12/2019 12:54
    o problema recai sempre sobre a capacidade. é mais fácil obter gente que demande que gente que oferte. gente que não sabe ou não consegue ofertar sempre demandará. gente que não demanda qualidade dá lucro a quem não oferece qualidade. é nisso que se baseia o socialismo político: em nivelar por baixo, consumidores e eleitores. criar tanto currais eleitorais de analfabetos políticos quanto produtores cooptados pelo governo para enriquecerem a seus líderes enquanto exploram a sociedade emburrecida. por isso tanta intervenção na educação: as pessoas têm que ser guiadas como manada. a chave para a mudança é uma reforma política, o que é muito acima de uma reforma eleitoral. se não houver qualidade nos líderes, não haverá na massa da população. poucos vencerão; poucos ofertarão qualidade. cria-se uma sociedade de derrotados, escravizados por seus desejos de demanda, em crescimento irrefreado, e glamourizada por uma mídia conivente com o atraso.
  • Alceu Lourenço  17/12/2019 13:59
    Como sempre aprendo muito de economia com vocês, retribuo com uma pequena revisão. Quase no final do artigo, um parágrafo ficou sem o predicado e, portanto, sem sentido:

    "Por isso, para um economista do lado da oferta, em havendo um Banco Central, sua função é única: manter a moeda estável em relação a algum padrão. Historicamente, esse padrão sempre foi o ouro. Porém, manter a moeda estável em relação a uma cesta de commodities (como o Índice CRB, que é o principal índice de commodities do mundo)."

    Provavelmente, a intenção era afirmar que "manter a moeda estável [...] em relação a uma cesta" é uma opção ainda melhor que apenas o ouro, ou algo do tipo.

    Abraço.
  • Dennys Faria  20/12/2019 18:36
    Esse foi um dos melhores textos que li neste site. Bem didático. Parabéns.
  • Supply-sider  20/12/2019 20:13
    Concordo. Está tranquilamente entre os Top 5 do site. ;)
  • Ninguém Apenas  23/12/2019 23:42
    Leandro,


    você (ou o site) deixou de ser austríaco e passou a ser supply-sider?

    Há alguma inconsistência que acreditam ter encontrado na TACE?


    Não é um ataque, é só para entender mesmo.
  • Auxiliar  24/12/2019 01:31
    Meu caro, a Escola Austríaca é totalmente supply-side. Se você ainda não entendeu isso, então ou ainda não entendeu a EA ou ainda não entendeu o que realmente é supply-side economics. São totalmente sinônimos.
  • Ninguém Apenas  24/12/2019 02:27
    Desculpe, mas se fosse tudo a mesma coisa não precisava de nomes diferentes. Não sou eu quem fiz a diferenciação entre elas, no próprio site americano do Instituto Mises existem vários artigos (de autores que se denominam supply-side e de autores que se denominam austríacos) explicando a diferença entre as duas. Inclusive artigos de uma criticando a outra.

    Se vocês não concordam com esses autores já é outra coisa, mas não me faz sentido nenhum dizer que são a mesma coisa se possuem nomes e autores diferentes.
  • Fabio de Araujo  23/01/2020 13:12
    Pela teoria da oferta ou Lei de Say, não haveria crise, isto é, causada por bens produzidos em excesso, pois tudo que é produzido será vendido ou consumido. Desprezar a demanda não faz sentido, pois a oferta nem sempre cria sua própria demanda. Dificilmente alguém investe em um novo negócio ou amplia a produção sem antes ter uma boa noção da demanda por aquele bem ou serviço. Quem vem primeiro, a oferta ou a demanda? Eu imagino que as duas coisas caminham em paralelo, mas na margem, a demanda vem primeiro. A demanda surge de uma necessidade, enquanto que a oferta é uma resposta a essa necessidade. Quando um produto ou serviço é aperfeiçoado, isto pode ter duas explicações: (a) o produtor (oferta) percebeu que fazendo uma ou mais alterações no produto (acrescentando ou eliminando algo), o produto irá atender melhor as necessidades do consumidor, mesmo que este último não tenha noção disso. Isto ocorre muito na indústria automobilística e na fabricação de outros bens duráveis (home appliances); (b) o aperfeiçoamento é feito tendo como origem uma demanda específica dos consumidores, por exemplo, um produto que com o uso apresenta um defeito ou porque ficou abaixo da expectativa dos consumidores.
  • Say  23/01/2020 14:17
    "Pela teoria da oferta ou Lei de Say, não haveria crise, isto é, causada por bens produzidos em excesso, pois tudo que é produzido será vendido ou consumido."

    E realmente existem idiotas que genuinamente acreditam que é possível haver uma crise causada por um excesso de produção…

    Ou seja, a economia é tão pujante, que produz um excesso de bens e serviços, e aí todo mundo fica pobre. Todos ficam pobres porque passa a haver um excesso de bens e serviços sendo ofertados. Todos ficam pobres porque agora há mais opções de bens e serviços a serem consumidos…

    Faz perfeito sentido, não? As pessoas estão tão afundadas na fartura e na pujança, que ficam pobres.

    É cada coitado...

    ?"Desprezar a demanda não faz sentido, pois a oferta nem sempre cria sua própria demanda."

    Espantalhozinho tosco. Esta nunca foi a teoria. Say nunca disse que "a oferta cria sua própria demanda". Quem criou essa distorção foi Keynes, que, sem ter como refutar Say, inventou esse espantalho, bateu nele, e aí se autodeclarou campeão.

    A Lei de Say é irrefutável e, sozinha, destrói todo o arcabouço keynesiano

    Eis a lei econômica irrefutável que é o antídoto para as mais populares falácias econômicas

    "Dificilmente alguém investe em um novo negócio ou amplia a produção sem antes ter uma boa noção da demanda por aquele bem ou serviço. Quem vem primeiro, a oferta ou a demanda? Eu imagino que as duas coisas caminham em paralelo, mas na margem, a demanda vem primeiro. A demanda surge de uma necessidade, enquanto que a oferta é uma resposta a essa necessidade."

    Quando uma incorporadora contrata mão-de-obra e compra maquinários para fazer a terraplenagem de um local para ali construir um condomínio ou mesmo um shopping, não houve nenhum gasto do consumidor para gerar aqueles empregos. A incorporadora apenas estimou a demanda futura para seu produto final e, com base nessa estimativa, pediu empréstimos, contratou mão-de-obra, investiu e produziu. Nenhum fluxo de gastos do consumidor criou aqueles empregos.

    Quando uma fabricante de automóveis constrói uma planta para fabricar carros, nenhum gasto do consumidor gerou aqueles empregos. Os empregos foram criados com base na estimativa dos empreendedores em relação à demanda futura.

    Quando um comerciante abre uma loja de roupas, ele contrata vendedores com base na sua estimativa de como serão suas vendas. A contratação de vendedores ocorre sem que um único centavo dos consumidores tenha sido gasto. O mesmo raciocínio se aplica a um restaurante e toda a contração de cozinheiros e garçons.

    Quando você abre uma sorveteria self-service e contrata funcionários, você faz tudo isso de maneira puramente especulativa. Você não faz a mínima ideia de se haverá qualquer demanda e nem mesmo se o preço que você vai cobrar será aceito pelas pessoas. É tudo na base da estimativa.

    Aí, quando você abre o estabelecimento e o primeiro cliente chega pra comprar o primeiro sorvete, os empregos já foram criados.

    O gerente do supermercado não sabe o que eu quero, quando irei querer, e em que quantidade. Mas tudo tem de estar lá exatamente quando eu quiser. Se eu aparecer lá e não encontrar o que eu quero e na quantidade que eu quero, vou para a concorrência.

    Portanto, temos que, de início, empregos são criados sem que tenha havido nenhum gasto dos consumidores. Tudo se baseou na expectativa dos empreendedores quanto à demanda futura. Quando os consumidores finalmente começam a gastar comprando esses bens e serviços produzidos, os empregos já estavam criados.

    De resto, toda a questão da demanda já está totalmente explicitada no artigo acima (e nos dois hyperlinks acima também). É só você refutar.
  • Fabio de Araujo  24/01/2020 13:15
    Segue minha réplica a Say (23/jan;14h17):

    "Pela teoria da oferta ou Lei de Say, não haveria crise, isto é, causada por bens produzidos em excesso, pois tudo que é produzido será vendido ou consumido."

    Ninguém fica pobre porque há um excesso de produção de bens e serviços. Quando eu disse que a produção foi excessiva, eu quis dizer que houve um erro de estimativa da quantidade a ser vendida.

    Quando o articulista do Von Mises Brasil afirma: "Consequentemente, quando uma pessoa não consegue vender o que produziu, isso não caracteriza uma "deficiência da demanda". Ao contrário, caracteriza uma falha na produção. É uma falha na produção o que causa uma redução na demanda efetiva — uma falha empreendedorial."

    Na realidade, a demanda efetiva já existe independentemente do empresário ter aberto ou não a sorveteria self-service. Não será uma falha na produção que irá modificar a demanda efetiva.

    Quase 30 anos antes de J. B. Say publicar seu Traité d´Economie Politique (1803), Adam Smith, em Wealth of Nations, Livro I, cap VII (Of the natural and market price of commodities), fez uma distinção fundamental entre demanda absoluta e demanda efetiva (effectual demand), cujo raciocínio resumo a seguir: o produto ou serviço só será vendido se houver efetivamente consumidores com recursos suficientes para comprar o bem naquele preço. Que há demanda por chocolates finos, ninguém discute, mas somente uma minoria da população pode dispor de recursos para comprá-los.

    A falha de estimativa no erro empreendedorial quase sempre é causada por superestimar a demanda efetiva.

    "Dificilmente alguém investe em um novo negócio ou amplia a produção sem antes ter uma boa noção da demanda por aquele bem ou serviço. Quem vem primeiro, a oferta ou a demanda? Eu imagino que as duas coisas caminham em paralelo, mas na margem, a demanda vem primeiro. A demanda surge de uma necessidade, enquanto que a oferta é uma resposta a essa necessidade."

    Quanto aos exemplos citados pelo articulista sobre o gasto dos consumidores, não há discussão.

    Quando ele afirma: "Para tornar seus bens atrativos ao consumidor e, assim, conseguir vendê-los, este produtor terá de reduzir seus preços. Houve um erro empreendedorial de sua parte. Ou ele estimou erroneamente seus custos de produção ou ele estimou erroneamente seu preço de venda. Um dos dois, ou ambos, terá de ser corrigido. Caso contrário, ele não conseguirá vender. E consequentemente não conseguirá demandar."

    Isto confirma minha argumentação acima sobre a demanda efetiva. Por exemplo, na última frase "E consequentemente não conseguirá demandar" podemos interpretar que o empresário terá que se ajustar à demanda efetiva para ter seu produto vendido. Se o novo preço do bem será rentável, que atende as restrições de risco-retorno fixadas pelo empresário, é um capítulo à parte.

    Finalmente, estou totalmente de acordo com o parágrafo a seguir:

    "Esse tipo de erro empreendedorial coletivo ocorre tipicamente quando o governo embarca em uma política de crédito farto e barato, o qual gera um aumento temporário da renda disponível das pessoas, que então passam a consumir mais. Ludibriados por esse consumo maior — o qual foi causado pelo mero endividamento barato e não por um aumento genuíno da produção e da renda —, empreendedores passam a crer que haverá maior renda disponível no futuro, de modo que seus bens e serviços serão mais demandados, o que significa que poderão cobrar preços maiores. Mas tão logo essa expansão do crédito é interrompida, todo o cenário de aumento da renda se revela fictício e artificial, mostrando que nunca houve realmente um aumento da renda da população. Houve apenas endividamento. Consequentemente, seus bens e serviços não poderão ser vendidos pelo maior preço antecipado pelos empreendedores."

    Foi isso que ocorreu na gestão petista, que se baseou no crédito farto e subsidiado para estimular a demanda, isto é, para dar poder de compra às classes de menor renda para que elas pudessem ter acesso a um maior padrão de consumo (alimentos mais ricos em proteína animal, bens semi-duráveis e duráveis etc).
  • Fabio Anderaos de Araujo  24/01/2020 20:25
    Complementando meu comentário anterior (13h15): no governo Dilma Rousseff, por exemplo, na seu primeiro mandato, facilitou a concessão de crédito às famílias de menor renda para ampliar o consumo. Foi medida irresponsável porque se houvesse investimentos no setor produtivo e em projetos de infraestrutura pelo setor privado, haveria mais postos de trabalho, a massa salarial cresceria e possivelmente não teríamos a recessão no início de seu segundo mandato, nem desemprego, nem queda de renda e aumento de endividamento.
  • Carlos  24/01/2020 21:22
    E este seu comentário refuta totalmente seus outros comentários acima, nos quais você disse que a demanda é crucial para gerar oferta.

    Se a demanda realmente conduzisse a oferta, então a concessão de crédito farto e subsidiado para o consumo, feito pelo governo Dilma, faria bombar todo o setor produtivo. Mas, ao contrário, gerou recessão e inflação de preços em disparada (algo que não ocorreria se houvesse um aumento na oferta de bens e serviços).

    Parabéns, você está começando a entender.
  • Fabio Anderaos de Araujo  24/01/2020 23:05
    Resposta a Carlos ( 24/jan- 21h22). A recessão originada no governo Dilma tem haver com i] a situação fiscal do governo; ii] a oferta de crédito farto e subsidiado ter chegado ao limite. Ninguém pode sair por aí gastando usando o cheque especial; iii] a Operação Lava-Jato desnudou o gigantesco esquema de corrupção entre as grandes empreiteiras e o governo petista. As obras dessas construtoras envolvidas na Operação Lava-Jato, além de caras, não criaram um círculo virtuoso, isto é, não trouxeram retorno e nem criaram emprego estrutural. Com um setor produtivo mais ou menos debilitado pela falta de investimentos e com uma política de apreciação da taxa de câmbio (doença holandesa), a desaceleração da atividade econômica foi inevitável.
  • Carlos  25/01/2020 00:45
    Passou longe, meu caro. Eis as causas do colapso econômico do governo Dilma:

    www.mises.org.br/article/2120/o-tragico-legado-da-nova-matriz-economica--um-resumo-cronologico

    www.mises.org.br/article/2466/como-a-crescente-estatizacao-do-credito-destruiu-a-economia-brasileira-e-as-financas-dos-governos

    www.mises.org.br/article/2220/o-descalabro-gerado-pelo-governo-na-economia-brasileira--em-25-graficos-


    P.S.: dica: o governo Dilma elevou o dólar de R$ 1,70 para R$ 4,24. Onde estava, por favor me diga, a tal "doença holandesa causada pelo câmbio apreciado"?
  • Fabio Anderaos de Araujo  25/01/2020 13:36
    O índice da taxa de câmbio real (IPCA versus CPI - série 11753, BC) caiu de aproximadamente 200 no final de 2002 para 61,6 em jul/2011. Estruturalmente houve de fato um apreciação cambial. Porém, com a piora do ambiente doméstico por conta da ineficácia do modelo macroeconômico do governo Dilma, aumento brutal do desemprego, PIB em queda, inflação em alta, esse índice praticamente dobrou no final de set/2015, para 123, o efeito da "tal doença holandesa" perdeu importância. Seu questionamento Carlos, faz sentido. Eu citei a "doença holandesa" apenas para ilustrar a contínua apreciação cambial desde o início do governo Lula até o início do governo Dilma.
  • Carlos  25/01/2020 15:24
    Foi o dólar que estava mundialmente desvalorizado. Perdeu força até mesmo para a moeda do Haiti.

    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/article/2190/o-que-realmente-permitiu-o-grande-crescimento-economico-brasileiro-da-ultima-decada


    P.S.: será que você consegue ao menos dar continuidade às threads que você próprio inicia? Você faz um comentário, é respondido, e aí, em vez de responder à réplica (clicando em 'reponder'), você abre outro comentário, em outro lugar, matando completamente a discussão inicial. Isso é postura de gente insegura.
  • Felipe  12/09/2020 20:13
    O chamado Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e Renda seria uma medida supply-side ou demand-side? Quais seus efeitos?
  • Carlos Alberto  12/09/2020 20:40
    De um lado, o governo suspende a proibição de empresas e empregados fazerem um livre acordo. O fato de essa proibição existir já é bizarro. Se uma empresa e um empregado quiserem flexibilizar salário e horas de trabalho para valores fora do "tolerável" para políticos e burocratas, isso é proibido. Bizarro.

    Portanto, essa suspensão é positiva, e representa uma diminuição da intrusão estatal na economia.

    Por outro lado, isso vem acoplado por repasses do governo. Ou seja, o governo toma dinheiro de quem não tem nada a ver com isso, e repassa para esses dois agentes cuja interação voluntária até então era proibida.

    No final, fica na mesma. Liberou um pouco de um lado, mas aumentou a expropriação do outro.
  • Felipe  12/09/2020 23:24
    Então era pior do que eu imaginava. Isso explica bastante o motivo de a economia brasileira ser tão fraca para lidar com crises (além de que o nível de destruição perpetrado pelos petistas ter sido bem maior do que em outras partes do mundo). Estamos penando para sair do desemprego dos 13% já faz alguns anos.

    Nos EUA em poucos meses, se o governo não estragar muito, o desemprego já despenca. Ou pegando um país de outra cultura, a Suíça, que tem taxas ainda menores de desemprego. Ou na Alemanha, que chegou a ficar abaixo dos 2% historicamente.

    Como mudar isso? Não sei.
  • Imperion  13/09/2020 00:14
    Demanda somente. Retira-se dinheiro dos contribuintes pagantes pra subsidiar a pessoa pra ficar parada (menos oferta). Ela vai poder continuar consumindo, mas sua falta de produção vai reduzir a oferta no mercado em que ela atua.

    Efeito de aumento de oferta é fazer aumentar a produção.
  • Felipe  13/09/2020 17:46
    Bolsonaro poderia muito bem copiar algumas das coisas boas feitas no governo Reagan (já que ele gosta dele):

    - Cortou imposto de renda de pessoa jurídica: 44% para 34% (hoje o imposto é de 21%, graças ao brutal corte no governo Trump em 2017). Cortou também para pessoa física e aumentou faixas de isenção de imposto de renda.

    - Moeda: Reagan sempre falou que queria um dólar forte, desejando até voltar para o padrão-ouro. Índice DXY chegou ao pico histórico de 160. Hoje esse índice está em 93,3. O dólar se manteve estável até em relação ao ouro. Tem gente que fica surpreso sobre o porquê de a Apple ter nascido nessa época?

    - Cortou despesas menores nos Ministérios do Comércio, Educação, Transportes, Educação e Interior.

    - Acabou com os controles de preços dos antecessores e desregulou o setor de petróleo e derivados. Desregulamentou setor de ônibus interestadual, telefone e frete marítimo.

    Sim, ele fez outras medidas desastradas como aumentar o protecionismo e os gastos militares, mas essas medidas boas acima destruíram aquela estagflação que estava assolando o país na década de 70.

    Leandro, por que você não faz mais artigos iguais àqueles que você fez no governo Dilma, com algo como "O que esperar de 2021"? Ou voltar a fazer podcasts, como aquele ótimo podcast que você fez em setembro de 2015? Suas análises são bastante pertinentes. Aliás, até um livro do Leandro Roque sobre a economia brasileira faria sucesso de vendas.
  • Sandro Renan  30/12/2020 17:30
    Olá, tudo bem?

    Primeiramente de tudo, admiro muito o trabalho de vocês, artigos ótimos e de boa qualidade e transparencia

    Sobre essa matéria, concordo plenamente com a visão economica de vós, economia do lado da oferta é a melhor solução, estabilidade da moeda é muito melhor do que redução de juros,

    Mas uma coisa que provalvemente discordo de vós, é sobre os lugares de reducão de impostos, eu acredito numa redução de impostos sobre o consumo e matéria prima

    pois uma reducão sobre consumo e produção, ficaria mais barato produzir e mais barato vender, logo causaria um BOOMM ECONOMICO.

    E vcs, o que vcs acham sobre redução de impostos?
    aonde na suas opiniãos, os cortes de impostos podiam ser aplicados????
  • Supply-sider  30/12/2020 18:03
    Você tem de cortar aqueles impostos que terão os maiores efeitos marginais sobre os incentivos que as pessoas têm para criar e produzir.

    Imposto de renda de pessoas jurídica, CSLL e imposto sobre ganhos de capital são os principais.

    Um elevado imposto sobre ganhos de capital significa punir pessoas que se arriscam criando empresas com o intuito de gerar valor para posteriormente vendê-las. Reduzir impostos sobre ganhos de capital foi o segredo dos governos Reagan e Clinton, e seu aumento foi o desastre do governo Bush I.

    Além de zerar todos os encargos sociais e trabalhistas da folha de pagamento, o governo deveria facilitar o financiamento a pequenas e médias empresas zerando o imposto de renda e o imposto sobre ganhos de capital dos fundos de investimento, de private equity ou de venture capital que investirem nelas.

    A realidade é que, no final, todo e qualquer crescimento econômico decorre de uma só atitude: a assunção de riscos.

    É sempre necessário haver um grupo de indivíduos dispostos a colocar seu capital e patrimônio em risco, visando a implantar uma nova idéia ou um novo projeto, com o objetivo de auferir altos retornos financeiros caso o risco incorrido se comprove acertado — isto é, caso eles saibam satisfazer os desejos dos consumidores.

    É assim que ocorre o crescimento econômico: indivíduos assumindo riscos ao investirem o capital próprio (ou emprestado por terceiros) em uma idéia, a qual eles esperam irá agradar terceiros (consumidores) que voluntariamente irão pagar por ela.

    Não há crescimento econômico sem a tomada de risco. Não há prosperidade sem indivíduos assumindo riscos em investimentos incertos.

    Nem todos os riscos assumidos produzem crescimento (sempre há os investimentos mal sucedidos), mas se houver uma grande quantidade de assunção de riscos, o crescimento ocorrerá.

    O que nos leva às seguintes obviedades:

    a) Se os riscos necessários para se alcançar o crescimento forem diminuídos, mais crescimento ocorrerá.

    b) Se as incertezas (políticas, jurídicas, regulatórias, monetárias e fiscais) forem reduzidas, mais risco será tomado, e mais crescimento ocorrerá.

    c) Se as recompensas para aqueles riscos que se comprovarem bem-sucedidos aumentarem (por exemplo, uma redução dos impostos sobre os lucros e ganhos de capital), mais crescimento ocorrerá.

    d) Se o custo de se assumir riscos diminuir (redução da burocracia e dos encargos sociais e trabalhistas), mais riscos serão assumidos e mais crescimento ocorrerá.

    Se o arranjo governamental vigente desestimula a assunção de riscos e, pior ainda, pune os mais bem-sucedidos, então é óbvio que não haverá muita assunção de risco. E aí não haverá crescimento econômico duradouro.

    Se as barreiras à assunção de risco não forem reduzidas, ou se a recompensa pela assunção de riscos não for aumentada, não há como aumentar a taxa de crescimento da economia.

    Empiricamente, os países ricos são aqueles em que houve mais assunção de risco. E houve mais assunção de risco porque havia menos incertezas institucionais e menores punições para os bem-sucedidos (vide o fato de que, mesmo nos países escandinavos, o imposto de renda sobre pessoas jurídicas está entre os mais baixos do mundo).

    E, também empiricamente, os países mais pobres sempre foram aqueles que criaram mais incertezas ao ambiente empreendedorial (afugentando os tomadores de risco). Com efeito, são pobres exatamente em decorrência disso.

    Sem pessoas tomando risco, nada sai do lugar. E para haver tais pessoas, é necessário abolir as barreiras à sua atuação.

    Foi isso o que historicamente fizeram os países ricos. E não fizeram os países pobres.
  • Imperion  30/12/2020 20:12
    Você tem que baixar todos os impostos. Simples. Mas cada imposto age de maneira diferente na economia. Se vc baixar somente os impostos sobre consumo, poderia se cobrar menos nos preços, mas como a oferta é a mesma, as vendas ocorreriam com ágio.

    Baixando os impostos sobre a produção é diferente. O produtor produziria mais e isso forçaria os preços a baixarem.
  • Felipe  30/12/2020 20:16
    Sandro, sou totalmente a favor de se baixar os impostos sobre o consumo, mas não se iluda: tal política é totalmente do lado da demanda, e não da oferta.

    Por si só, ela não faz nada para promover o verdadeiro crescimento econômico.

    Se você diz ter concordado com o artigo acima, mas em seguida afirma defender uma política totalmente do lado da demanda, então você não entendeu bem o que leu.
  • Imperion  28/08/2021 15:36
    As colocações trabalhistas estão diluídas em diversos artigos. De um lado, os custos trabalhistas destroem as contratações. Mesmo assim as tecnologias de ponta precisam de trabalhadores especializados e estão contratando, mesmo com desemprego de 15 por cento.

    Mas não conseguem trabalhadores, devido à deseducação do brasileiro. E a escola pública, mesmo universitária subsidiada com impostos não preenche os requisitos de contratação. O governo entope os mercado de cursos de humanas, enquanto que o mercado quer ciência de verdade, técnicos em tecnologia.

    Os custos trabalhistas também destroem essas contratações. No mundo todo os patrões estimulam os empregados novos a estudar os "desígnios" da empresa. É um custo para ela ter um empregado que não entende o que a empresa faz, e ela os treina com seus recurso para isso. Mas isso é impraticável no Brasil. Não sobra espaço pra esses treinamentos, com o custo Brasil. Aqui se prioriza mesmo que o empregado já saiba o trabalho, pois até pra ser mandado embora tem custo trabalhista. Na dúvida, não contrate, por causa dos custos.

    A iniciativa privada, que poderia oferecer os cursos demandados pelas indústrias, não consegue fazer, pois o Brasil cobra impostos muito elevados da educação privada pra subsidiar a pública. Então a iniciativa privada não dá conta da demanda.

    Outro problema trabalhista, das empresas de alta tecnologia, é que o governo prioriza o agronegócio. Poucos impostos nessa área, enquanto que a área de tecnologia é a que tem mais impostos. Por isso a área de tecnologia é quase inerte. No Japão não tem essa distinção e as empresas de tecnologia (que são exportadoras) precisam de trabalhadores qualificados, então elas mesmas investem em escolas pra formar e treinar esses mesmo trabalhadores.

    Mas como as de tecnologia de ponta no Brasil são sobretaxadas, sobra pouco pra elas financiarem educação no Brasil. Resultado: elas querem "contratar" mas não participam da formação dos estudantes.

    Por isso a oferta de trabalhadores qualificados é baixa no Brasil. Tem vagas com tamanho desemprego, mas as empresas têm problemas de contratação. E o elemento em comum a todas essas dificuldade é a intervenção do governo na economia. Ele só atrapalha com seus impostos seletivos.

    Cobra mais das de tecnologia e menos das do agronegócio. Em alguns casos as de tecnologia são sufocadas e seus negócios no Brasil não são viáveis (videogames por exemplo, que é tudo importado por ser uma indústria morta).
  • Índio  27/08/2021 18:07
    Tem como enviar esse texto pro Guedes?
  • Renegado  02/09/2021 18:21
    Eu acredito que ele até sabe. Mas e o grande lobby dos baronatos empresariais? E o dos grandes exportadores? Ninguém chega a presidência da república sem dever favor pra todo mundo, logo o presidente não deixa o pessoal atuar como deveria. Portanto, o problema não é o Guedes, mas sim o real fascismo (conluio empresas grandes x estado) instaurado no Brasil desde tempos imemoriáveis. Pode colocar quem quiser na presidência, no senado e etc, pode notar, as trapalhadas econômicas são sempre as mesmas. Não é possível que esses políticos não consigam olhar 30 anos no nosso passado e ver as merdas que foram feitas e evitar de repetir. Não é possível que não copiem os exemplos de sucesso econômico que alguns países tiveram de um ano pra cá. Enfim..
  • Imperion  03/09/2021 00:40
    Politicamente, se os trabalhadores e empresários não se unirem em prol dos seus objetivos comuns, o governo e os outros parasitas sempre irão controlá-los, mantendo-se equilibrados, sem serem arranhados.

    O problema é fazer esses dois grupos se unirem. Não é necessário trazer para aliança os empresários antiéticos, nem os trabalhadores que só querem receber pelo que não fizeram.

    Mas é necessário mudar o equilíbrio de poder.
  • Elias  27/08/2021 18:44
    A melhor política monetária é manter a quantidade de moeda a mais fixa e inalterada possível. Isso é sound money. Os preços que surgirem daí serão os genuínos preços de mercado.
  • Trader  27/08/2021 18:53
    A ideia é correta, mas não ocorreria em um livre mercado, no qual há plena liberdade de entrada, inclusive no setor monetário.

    Com várias moedas circulando livremente, concorrendo entre si, e com várias outras moedas privadas e criptomoedas podendo ser criadas, a última coisa que ocorreria é uma oferta monetária fixa.

    Com efeito, se a circulação de moedas é livre, um eventual superávit ou déficit nas contas externas já alteraria a oferta monetária.
  • Leandro  27/08/2021 19:19
    Por definição, é impossível haver "oferta fixa" de dinheiro pelo simples fato de que o dinheiro sempre vai atrás de onde há produção.

    Se você injetar dinheiro em um local de pouca produção, ele imediatamente será "exportado" para outras localidades.

    É por isso que a única solução factível e duradoura para uma localidade pobre é começar a produzir coisas e "exportar" para outras localidades. Ao "exportar" bens e serviços para os habitantes de outras localidade, o dinheiro "de fora" entra nesta economia, aumentando a oferta monetária de maneira não-inflacionária. Este dinheiro será então utilizado por estes habitantes para "importar" produtos e serviços de outras localidades.

    Como sempre, todo e qualquer problema na economia está na escassez da produção, e não na escassez da demanda (dinheiro). Para aumentar a oferta monetária (demanda) de um local, é necessário produzir mais. Quem produz tem renda, e quem tem renda tem demanda.

    Por que há mais dinheiro circulando no Itaim Bibi do que em Teresina? Porque os habitantes do Itaim são extremamente mais produtivos que os de Teresina. Por que há mais dinheiro em Malibu do que em qualquer cidade do Tennessee? Porque os habitantes de Malibu são muito produtivos dos que os das cidades do Tennesssee.

    Em qualquer localidade em que haja muita produção haverá muita oferta monetária. Já em localidades de baixa produção e produtividade, a oferta monetária sempre será baixa. E, ainda que você injetasse dinheiro nesse local, ele imediatamente sumiria, pois seria exportado para outras localidades bem mais produtivas.

    Qualquer lugar que esteja sofrendo com uma "escassez de dinheiro" é, com certeza, um lugar de baixa produção e baixa produtividade. Dinheiro não fica nestes locais porque não há retornos a serem obtidos ali. Tal local não é atraente porque não há produção, não há oferta, não há criação de riqueza.

    Por isso, sempre se deve olhar a economia pelo lado da oferta, e não da demanda. Não há dificuldade nenhuma em demandar coisas. Já em ofertar, aí sim é que está a complicação.

    E é também por isso que tentar manipular a oferta monetária em uma dada localidade (não interessa se cidade, estado ou país) não faz muito sentido. Em países pouco produtivos, se o BC joga moeda na economia, essa moeda acabará sendo convertida em uma moeda estrangeira (pressionando o câmbio) ou então irá atrás de papeis que paguem altos juros.
  • Artista Estatizado  28/08/2021 19:13
    Leandro, acho que o Elias não se referiu à possibilidade de se ter uma oferta monetária fixa em uma localidade, mas sim no país como um todo.

    Se o país inteiro (ou talvez o mundo inteiro) opera com uma única moeda, e essa moeda tem oferta fixa, a única coisa que pode ocorrer é transferência de moeda de um local para outro, levando a uma inflação monetária em um local e deflação monetária no outro.

    Por outro lado, se a oferta monetária total aumenta, é possível ter-se um aumento em todas as localidades simultaneamente.

    Não estou dizendo que seja algo desejável ou factível, apenas acho que ele quis dizer outra coisa.

  • Leandro  28/08/2021 19:36
    Não muda nada. Por isso escrevi "localidade". Não interesse se é país, estado, cidade ou bairro.

    O único cenário em que é possível ter uma oferta monetária fixa dentro de um país é se este país:

    a) utilizar exclusivamente uma moeda estatal e de curso forçado
    b) proibir a concorrência de outras moedas
    c) ter um BC que se comprometa a manter a base monetária rigidamente congelada
    d) e ter um sistema bancário que seja proibido de praticar reservas fracionárias

    Em qualquer outro arranjo a oferta monetária variará. Mesmo se o Bitcoin passar a ser a moeda mundial global, sua oferta no país variará de acordo com o balanço de pagamentos (seguindo a mesma lógica que descrevi acima: haverá mais BTCs onde houver mais produção). O mesmo vale para o ouro.
  • Introvertido  28/08/2021 00:33
    [OFF-TOPIC]

    Porque ainda não há um artigo por aqui falando sobre a falta de mão obra? Empresas estão desesperadas por mão de obra, e é um fenômeno mundial, e também já vem ocorrendo já faz um bom tempo, então não entendi a falta de artigos sobre o assunto.

    Não sei se me lembro direito, mas existe algum artigo por aqui que cita tal tendência, dizendo que empresas estão pagando para às pessoas comparecem às entrevistas devido aos auxílios monetários do governo, mas na minha opinião isso merece um artigo próprio.
  • Introvertido  28/08/2021 01:10
    Sim, eu estava me referindo á esse.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  28/08/2021 11:07
    Isso é algo que venho observando há anos. Esse geração mais recente está totalmente alheia aos princípios do mundo do trabalho. Antigamente, os jovens recebiam orientação em casa mesmo sobre como se portar no trabalho, e que trabalho era algo muito sério. O governo estar pagando esses auxílios é só parte do problema, que é muito maior que isso.

    Trabalho em uma grande empresa. É absurda a quantidade de atestados, afastamentos e rotatividade. Não foram poucos os funcionários que trabalharam algumas semanas e não apareceram mais. Funcionários com mais de dois anos de casa são minoria. Não sabem cumprir procedimentos, são totalmente rebeldes a hierarquia, requisitam remuneração muito acima de sua produção.

    Assertividade, vontade de aprender, disciplina, respeito... São palavras estrangeiras para muitos deles. Prevejo um futuro muito, mas muito complicado para o país. Nesse ritmo das coisas, a tendência é o Brasil e vários outros países entrarem (creio que já estão) em um lento e constante processo de empobrecimento generalizado. Zygmunt Bauman foi bem certeiro em denominar essa realidade atual de líquida. Nada dura mais que alguns poucos anos, nada pára em lugar algum, compromissos são passageiros e descartáveis.
  • desempregado  31/08/2021 21:01
    Se há falta de mão-de-obra, por que não aumentam os salários? Por que além de oferecerem salários baixos, ainda fazem um monte de exigências insanas para empregar uma pessoa? Se falta mão-de-obra, deveriam pelo menos diminuir as exigências. Exigem experiência sênior até em vagas para estagiário.
  • Empreendedor  31/08/2021 22:04
    "Se há falta de mão-de-obra, por que não aumentam os salários?"

    Porque o salário é determinado pela produtividade (não dá pra pagar $100 pra quem produz $90) e restringido pelos encargos sociais e trabalhistas (um salário de $100 gera uma despesa total de $200).

    Por que falta emprego se está sobrando trabalho a ser feito?

    "Por que além de oferecerem salários baixos, ainda fazem um monte de exigências insanas para empregar uma pessoa?"

    Porque não faz absolutamente nenhum sentido empregar um desqualificado e lhe pagar um bom salário. Apenas funcionário público (pago com o dinheiro de impostos, e sem nenhuma contraprestação) tem este luxo.

    No Brasil, empreender e gerar empregos legalmente é tarefa para heróis. Ou para masoquistas

    "Se falta mão-de-obra, deveriam pelo menos diminuir as exigências."

    Ué, se vai reduzir as exigências, então tem de diminuir os salários. Não há mágica.

    Só que reduzir salário é exatamente o contrário do que você quer.

    Você é um sujeito contraditório.

    "Exigem experiência sênior até em vagas para estagiário"

    Quando se exagera na ironia, acaba-se recorrendo à mentira. E aí você fica à descoberto.
  • Felipe  01/09/2021 00:21
    Nos EUA eles estão aumentando o salário no desespero, simplesmente porque muitos americanos não estão querendo voltar ao trabalho e estão em assistencialismo.

    Aqui não deveremos ver isso, pois temos encargos e toda aquela cornucópia de regulações trabalhistas norte-coreanas, além de que o governo não tem a mínima condição de oferecer uma esmola de mais de R$ 1000 por vários meses sem quebrar por completo. Por aqui sobra mão de obra, mas falta vaga. O contrário dos EUA.
  • imperion  31/08/2021 23:25
    o salário sai do custo das empresas, assim como o pagamento de impostos. como a empresa não pode parar de pagar os impostos, o salário nao pode aumentar., pois ele concorre contra o que o gov quer faturar como sócio forcado da empresa. afinal tudo de" grátis" que vc pensa que recebe do gov sai desses impostos.
  • Ygor  28/08/2021 03:26
    Como Guedes poderia resolver a inflação?
  • Régis  28/08/2021 15:29
    Para começar, ele não deveria ter defendido a desvalorização da moeda, que é a grande causa da inflação atual.

    Agora está sofrendo as consequências. Como tudo em economia, políticas geram consequências.

    Agora não tem jeito: é subir os juros para reapreciar o câmbio e tentar conter o estrago. Adicionalmente, medidas de facilitação ao empreendedorismo (o ponto alto deste atual governo) devem ser mantidas e aprofundadas.
  • Cleber  30/08/2021 16:15
    Tudo bem... Ele foi infeliz la atras ao defender a moeda desvalorizada, mas o que isso impacta na practica? Ele fez practico que levou a desvalorização da moeda? EU vi isso inclusive como uma defensiva dele de querer ver um ponto positivo em algo que nao tava dando certo

    Eu vejo ele tentando ao maximo cortar gastos , claro que tem forças políticas, mas ele quer mesmo a austeridade fiscal.

    E as reformas são necessarias. Alguem aqui e contra? Nao sei o que ele poderia fazer mais o que ta fazendo
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  28/08/2021 15:47
    Saindo do governo.
  • Introvertido  28/08/2021 16:24
    Ele já fez merda, defendeu moeda fraca sem parar, e convenceu o Campos Neto à fazer política fiscal em detrimento dá política cambial, essa desvalorização cambial só foi consequência dessa duas principais variantes, assim como de muitas outras.

    Agora, resta á ele se reposicionar junto ao Neto, e começar á ser mais durão, deveria diminuir às alíquotas de importação na força, ignorando o Mercosul, e deveria parar de enviar reformas insensatas ao congresso, seu foco deve ser o desmonte de agências reguladoras e priorização em privatizações e quebras de monopólios estabelecidos pelo governo.

    Austeridade fiscal ortodoxa também deveria entrar no campo de visão dele.
  • Rodrigo Mendes  29/08/2021 00:23
    O problema é que se produzir, a fábrica fecha e demite centenas de trabalhadores. A Lei de Say é um sofisma. A oferta não necessariamente cria a demanda. Se produzir e as pessoas não tiverem dinheiro para comprar, as pessoas não vão comprar. Foi por isso que, por exemplo, a Ford saiu do Brasil. Aí os liberais vão dizer: "Ain, mas o problema são os impostos!" A Ford já desfrutava de muitos incentivos fiscais aqui no Brasil (incentivos tanto estaduais como federais). Poderia zerar os impostos que a Ford sairia pois não havia demanda. Por isso que os governos estimulam a demanda.
  • Gustavo  29/08/2021 01:46
    "A Lei de Say é um sofisma. A oferta não necessariamente cria a demanda. Se produzir e as pessoas não tiverem dinheiro para comprar, as pessoas não vão comprar."

    O que mostra que você não entendeu absolutamente nada da Lei de Say, que nem sequer é isso que você descreveu.

    Sugiro:

    A Lei de Say é irrefutável e, sozinha, destrói todo o arcabouço keynesiano

    Dizer que a solução para uma economia estagnada é "estimular a demanda" é um atentado à lógica

    "Foi por isso que, por exemplo, a Ford saiu do Brasil. Aí os liberais vão dizer: "Ain, mas o problema são os impostos!" A Ford já desfrutava de muitos incentivos fiscais aqui no Brasil (incentivos tanto estaduais como federais). Poderia zerar os impostos que a Ford sairia pois não havia demanda. Por isso que os governos estimulam a demanda."

    Errou de novo. A Ford saiu simplesmente porque os consumidores não mais queriam seus produtos. É realmente simples assim.

    Ademais, faz três anos que a empresa já havia anunciado que pararia de fabricar todos os carros de passeio (exceto o Mustang) e que cortaria pesado o número de funcionários. Ou seja, bem antes de pandemia e tudo:

    www.nbcnews.com/business/autos/ford-stop-making-all-passenger-cars-except-mustang-n869256

    quatrorodas.abril.com.br/noticias/ford-vai-desistir-de-vender-carros-de-passeio-nos-eua/

    quatrorodas.abril.com.br/noticias/em-um-ano-ford-perde-fabrica-seis-modelos-todos-os-caminhoes-e-43-lojas/

    autoesporte.globo.com/carros/noticia/2018/05/entenda-por-que-ford-decidiu-parar-de-vender-carros-de-passeio-nos-eua.ghtml

    www.washingtonpost.com/business/2019/05/20/ford-cut-jobs-part-company-wide-redesign/


    E convenhamos: a Ford é uma merda. Mal administrada, controlada por sindicatos, e só faz carros bosta.

    Nos EUA, ela já foi cancelada pelos consumidores há muito tempo.

    No Brasil, onde o povo é bem menos exigente com carros do que americano, ela acabou de ser cancelada, com muito atraso.

    Quem define se uma empresa vive ou morre é o consumidor, e não o governo. O consumidor simplesmente disse que quer que a Ford morra. E ela morreu. Simples assim.

    Qualquer tentativa de impedir isso significa desrespeitar os desejos dos consumidores. Isso é o que você defende: totalitarismo; revogação do desejo dos consumidores.
  • Felipe  29/08/2021 02:39
    Vou ser justo, alguns carros da Ford realmente eram bons (e normalmente gostosos de dirigir), mas a gerência da empresa aqui no Brasil era desastrosa e é coisa de décadas. Basta ver a insistência deles por anos com o câmbio PowerShift. Nos EUA eles fizeram também muitas besteiras, só que lá eles foram punidos por isso bem antes. As picapes e utilitários "raiz" devem continuar para os americanos, porque eles são realmente muito bons, assim como os da GM e os da Chrysler (as marcas asiáticas ainda não conseguiram superar as americanas nesse segmento). Apesar disso, a saída da marca mostra uma tendência de desindustrialização no País (algo que foi praticamente previsto em 2014 por esse artigo do Leandro). Deveremos perder mais indústrias nos próximos anos. É melhor produzir em algum país asiático, pois tem menos dor de cabeça (aliás, o Sudeste Asiático tem crescido bastante nesse século; grande parte dos sapatos importados no Brasil já vem do Vietnã). A equipe econômica atual está destruindo o real com uma velocidade impressionante, lembrando o governo Dilma.

    A marca não se encerrou (ainda) na Europa porque por lá ela já se adaptou aos costumes europeus.

    Poderíamos sim ter os espetaculares Fiesta e Focus europeus, mas como sabemos, a nossa economia é pouco competitiva, a moeda desvaloriza para o quiate birmanês e os nossos impostos (e tarifas) são norte-coreanos.
  • Felipe  29/08/2021 21:11
    O EcoSport foi um projeto brasileiro que acabou dando certo... o irônico é que ele foi inaugurado aqui e os americanos podem comprá-lo (nesse caso são importados da Índia), enquanto os europeus compraram dos indianos por um tempo, agora comprando dos romenos, que também são europeus... o Ka era agradável de dirigir e tinha um interior bonito, mas a qualidade construtiva era bizonha (com várias unidades com forro de porta descolando). A unidade chegou a ser vendida para a Europa (também da Índia), mas o carro foi severamente criticado tanto pela qualidade (e olha que era melhor que o do Brasil) quanto pela falta de segurança (enquanto aqui um carro com três estrelas de segurança é considerado uma maravilha, lá é considerado um lixo).

  • Embraer  31/08/2021 03:33
    Olha a cara de pau da UOL, graças ao estado...:

    www.uol.com.br/esporte/olimpiadas/ultimas-noticias/2021/08/30/brasil-100-medalha-paralimpica.htm
  • Introvertido  31/08/2021 14:52
    Hahaha, isso é puro pão e circo xD.
  • Felipe  31/08/2021 14:23
    "Brasil tem 14,4 milhões desempregados e taxa de desocupação de 14,1%"

    "O número de trabalhadores por conta própria (24,8 milhões de pessoas) é recorde da série histórica, com altas de 4,2% (mais 1,0 milhão de pessoas) ante o trimestre anterior e 14,7% (3,2 milhões de pessoas) na comparação anual."

    Além da queda na taxa de desemprego, houve também um aumento no número de pessoas que trabalham por conta própria. Devemos ver esse aumento para os próximos anos, o que vai beneficiar todo mundo, até mesmo os assalariados. Esses são os acertos do governo. Continuando isso, deve haver alguma apreciação cambial.

    Sinceramente o governo deveria desistir de reforma tributária pois tudo que eles vão fazer é aumentar os impostos. Com esse Congresso, irão estragar e, para piorar, o Guedes defende aumento de impostos até hoje. Eles deveriam no mínimo imitar o que Trump fez em 2017 com o Tax Cuts and Jobs Act of 2017 (foi um projeto de lei que foi aprovado na Câmara e no Senado americanos com aperto): reduziu imposto corporativo, aumentou faixa de isenção e reduziu outros impostos, sem recriar imposto. O próprio governo federal fez uma propaganda da reforma tributária, alegadamente falando de que não sei quantos ricos não pagam impostos... igualzinho o Ciro Gomes, estão vendo?

    Se, durante a proposta de reduzir impostos, eles ficarem com essa preocupação de perda de "arrecadação" e não quiserem cortar gastos, então melhor não mexer pois, se ficarem com esse pensamento, logo a gente vira a Venezuela com uma carga tributária ainda maior.
  • Felipe  02/09/2021 14:39
    Só para atualizar...

    "Novo IR reduz vantagens do Prouni; universidades pressionam por mudança"

    Noventa e dois tributos diferentes e eles preocupados em tributar dividendos.

    Paulo Guedes é o Ciro Guedes: defende aumento de imposto e desvalorização cambial.

    Meirelles de fato aumentou impostos (sobre os combustíveis), mas pelo menos ele não afundou o real.

    E a miopia também continua: para muitas pessoas, isenção de imposto é subsídio. Desoneração de folha de pagamento não é subsídio. Se o estado deixou de "arrecadar" impostos por isenções, é dinheiro a menos para ser gasto para sustentar a sua burocracia e para aumentar o seu aparato regulatório.
  • Ex-microempresario  02/09/2021 16:18
    " Se o estado deixou de "arrecadar" impostos por isenções, é dinheiro a menos para ser gasto ..."

    Na teoria, sim. Na prática, o governo isenta de um lado e compensa de outro. Isenções acabam sendo privilégios para os setores mais próximos do poder.

    Esta semana aprovaram a "reforma" do IR. Veja o que saiu na imprensa:

    "A votação do projeto foi pautada inicialmente para 12 de agosto, mas Arthur Lira adiou, destacando a necessidade de um projeto ´que garanta a estados e municípios não terem perda de arrecadação´."
  • José Luís  31/08/2021 19:09
    Mas a empresa precisa VENDER o que produz. Se as pessoas não tem dinheiro para comprar, não há demanda, as empresas apresentam prejuizo e demitem trabalhadores, agravando ainda mais a situação.
  • Felipe  01/09/2021 02:35
    Ontem fez 5 anos que a Dilma sofreu impeachment.

    Ocorrido em 31/08/2016, esses eram alguns dos dados herdados pelo governo Temer, o qual deixava de ser temporário e ficaria até 31/12/2018:

    >Taxa cambial USD/BRL: R$ 3,23
    >Taxa cambial EUR/BRL: R$ 3,61
    >Taxa cambial CHF/BRL: R$ 3,28
    >Taxa de juros SELIC: 14,25 %
    >Dívida bruta: R$ 2,955 trilhões
    >Taxa de desemprego: 11,8 %
    >Taxa de juros de longo prazo: 12,06 %

    Em maio de 2016, Ilan Goldfajn seria indicado para o BCB e Henrique Meirelles para o antigo Ministério da Fazenda.

    Apesar de em 2018 eles terem errado na política monetária, além de conturbações como a greve dos caminhoneiros e as eleições, o IPCA fechou 2018 em 3,75 %. No ano seguinte, já sob Bolsonaro, seria fechado em 4,31 % (e a equipe econômica praticamente estragou a apreciação cambial obtida com a reforma previdenciária, afinal o IPCA em outubro foi extremamente baixo, somente em 2,54 %).

    IPCA baixo em papel flutuante brasileiro foi quase sempre uma exceção.
  • Vladimir  01/09/2021 04:15
    Temer recebeu a casa completamente destruída. Em dois anos, arrumou praticamente tudo: da moeda ao setor elétrico, passando pelo fiscal; todos destroçados por Dilma.

    E fez muito mais: reforma da educação, teto de gastos, reforma trabalhista, lei da terceirização, lei da governança nas estatais etc.

    Mas aí, em 2018, o Banco Central (sempre ele!) resolveu fazer merda. Baixou a Selic mais do que devia, o dólar saltou de R$ 3,15 para R$ 3,90 em um mês, ao mesmo tempo em que o barril de petróleo encarecia em dólares. Aí os caminhoneiros pararam.

    Ainda assim, foi o melhor governo desde a redemocratização. Por mim, seria presidente vitalício.


    P.S.: os dados que você citou são de agosto de 2016, quando Temer já era o presidente há 5 meses e os indicadores já haviam melhorado muito (começaram a melhorar substantivamente a partir de junho de 2016). O correto seria pegar os dados de janeiro de 2016, quando Dilma ainda era presidente e não havia perspectiva de impeachment.
  • Ygor  01/09/2021 11:25
    É impressionante mesmo o que Temer fez. Bolsonaro poderia chamá-lo pra ser um conselheiro.
  • Felipe  01/09/2021 13:00
    De fato esses indicadores melhoraram antes de agosto, mas eu coloquei mais por curiosidade.

    Não dá para negar também a inteligência política do Temer. Ele certa vez disse que não tem motivo para criticar o governo Bolsonaro, já que o Bolsonaro nunca criticou o governo dele...
  • Carne  01/09/2021 18:20
    Porque não fazemos igual a Argentina? O preço da carne caiu no mercado interno?

    www.gazetadopovo.com.br/mundo/argentina-prorroga-por-dois-meses-restricoes-a-exportacao-de-carne-bovina/
  • Vladimir  01/09/2021 20:33
    Lá funcionou maravilhosamente bem:

    Queda de 72% na oferta de produtos nos supermercados:

    panampost.com/marcelo-duclos/2021/04/02/control-de-precios-fracaso-en-argentina-hay-72-menos-productos-en-gondolas/

    Postos sem combustíveis:

    www.gazetadopovo.com.br/mundo/argentina-motoristas-enfrentam-horas-de-fila-para-abastecer/

    Situação invejável, né?


    P.S.: quando, meu Deus, quando as pessoas vão começar a entender o básico de economia? Não é pedir muito. Só o básico.
  • Leandro  01/09/2021 20:39
    Restringir a exportação é uma medida que reduz a produção, exatamente o oposto do que se quer.

    Imagine que você é um pecuarista. Você está produzindo para mandar pra fora, pois, ao exportar, você ganha dólares, que é uma moeda forte. É muito melhor produzir para vender para estrangeiros ricos que pagam em dólar do que vender para o populacho que paga em reais.

    Se as exportações começarem a ser restringidas, você, obviamente, não continuará produzindo o mesmo tanto para agora vender apenas para o populacho em troca de reais. Se você fizer isso, você estará pagando para trabalhar e produzir (você estará produzindo o mesmo tanto, mas ganhando muito menos; na prática, seu custo de produção aumentou).

    Logo, você obviamente irá reduzir sua produção até o ponto em que a redução da oferta aumente os preços e lhe traga uma receita satisfatória.

    Ou seja, trata-se de uma medida que, ao contrário do que se almeja, reduz a oferta de carne produzida.

    A solução é uma só e é a mesma que este Instituto repete dia sim, dia também: fortalecer a moeda; fazer com que o real seja uma moeda tão demandada quanto o dólar. Se o real fosse forte, ninguém pensaria em exportar em vez de vender para o mercado interno.

    Concomitantemente, zerar as tarifas de importação das carnes de Argentina, Uruguai e Austrália. Com essas duas medidas, carne cara seria coisa temporária.
  • imperion  01/09/2021 22:03
    já fizemos igual a Argentina no passado. e o pais não segurava a hiperinflação. ninguém quem o retorno disso.

    a carne tá cara porque o gov destruiu o poder de compra do real. o povo compra menos carne assim.
    proibir a exportação agora só vai causar prejuízo ao produtor.
    e isso quer dizer que no próximo ano ele não vai produzir carne. assim. no próximo ano vc terá mais um aumento absurdo na carne, agora provocada pela diminuição da oferta.
  • Guilherme  01/09/2021 22:28
    Esse aí não viveu a década de 1980:




    O bizarro episódio do boi no pasto durante o Plano Cruzado
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  02/09/2021 00:00
    "Porque não fazemos igual a Argentina?"
    Pra quê imitar a Argentina se podemos copiar a Venezuela? Afinal, carne de pombo e cachorro atropelado não deve ser tão ruim assim. É cada um que despenca aqui...
  • Felipe  05/09/2021 18:18
    "Governo facilita importação de veículos da Argentina, Paraguai e Uruguai"

    É bom, mas mostra também um absurdo: apesar do Mercosul, há cotas que limitam o número de carros que podem ser importados, mesmo dentro do Mercosul (!). Não faz sentido, ainda mais que o Brasil tem perdido inúmeras indústrias de automóveis. Deveria acabar com cotas.

    Pelo menos o governo também zerou tarifas de vários itens também do setor aeronáutico.
  • Felipe  11/09/2021 14:45
    "EUA podem entrar em incumprimento da dívida nacional em outubro"

    Dez anos depois, eles entraram na mesma encrenca.

    Realmente não aprendem.

    Visualizo os seguintes cenários:

    (1) O governo americano simplesmente vai falar que não vai pagar as dívidas devidas. Só que se eles fizerem isso, além de perderem credibilidade e uma farta fonte de financiamento de suas atividades, muitos ativos americanos irão ser arrestados. Caso monetizarem de vez aos moldes venezuelanos, as pensões dos burocratas irão evaporar, a economia vai colapsar e vai causar distúrbios e revoltas, ameaçando ainda mais o governo Biden.

    (2) Eles irão simplesmente elevar o teto da dívida e continuar a mesma coisa que estão fazendo antes, com algumas condições impostas. No governo Obama, de fato houve uma redução no déficit após 2011.

    (3) Irão fazer um maciço corte de despesas, para reduzir a dívida por inteiro, lembrando o que foi feito no governo Clinton.

    A segunda alternativa é a mais plausível.
  • Imperiont  12/09/2021 05:18
    O que segura o dólar é que ele é a moeda mundial e existe demanda forte por ele. Se e não fosse por isso o dólar já teria desabado.

    Pode-se dizer hoje que é o mundo que salva os eua e não o contrário.

    Por isso o governo americano abusa. Ameaça com calote pra poder pegar mais emprestado (e assim postergar o calote).
  • Yuri Sao Carlense  18/09/2021 22:07
    Os desenvolvimentistas já tentam dar uma melhorada no argumento. Dizem que não se deve estimular a demanda indefinidamente e sem critério. Políticas de estímulo a demanda devem durar só enquanto existir capacidade ociosa na economia.

    Eles julgam que é possível fazer esse gerenciamento com maestria, a ponto de colocar a economia no ponto ótimo, sem gerar inflação.

    (Da mesma forma que dizem que déficits públicos devem acontecer só enquanto economia está em recessão. O problema é que, para eles, nunca chega a fase da bonança para a adoção dos superávits. Nessa ideia maluca, o ajuste para gerar superávit fiscal seria recessivo e tiraria e economia da bonança.)
  • Felipe  22/09/2021 14:43
    "Capitales peruanos miran hacia Ecuador y aguardan la eliminación del ISD"

    Com a eleição do Pedro Castillo no Peru, houve fuga de capitais, coisa de US$ 20 bilhões.

    Os destinos principais estão sendo: Estados Unidos, Equador, Uruguai e Panamá. Lasso já eliminou inúmeras tarifas (ou reduziu) para inúmeros bens trazidos para o país.

    A má notícia é que, com o acordo firmado com o FMI, eles querem criar um imposto novo.
  • Felipe  02/10/2021 13:01
    "Brasil bate recorde com criação de 1,4 milhão de empresas de maio a agosto"

    Diante de tanto caos, essa é uma das vitórias dos anos recentes da economia brasileira. O "Bolsonomics" está dando alguns resultados.

    O pessoal do governo fez um relatório interessante até, podendo ser visto aqui.

    Deveremos ver mais disso, afinal os MEIs receberam uma faixa de faturamento de isenção maior, além da Lei do Ambiente de Negócios.

    Essa é uma forma de o real desvalorizar menos.


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